sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Nas Coisas do Arco do Vinho - Com Luís Pato

   


Esta era outra oportunidade que não se podia deixar passar, a não ser que fosse de todo impossível estar presente. Coincidindo com o dia de greve e de outras provas a decorrer em simultâneo na capital, desloquei-me sozinho à loja Coisas do Arco do Vinho, de novo com outros proprietários, para assistir à apresentação de algumas novidades de Luís Pato, o “senhor Bairrada”, simultaneamente com a apresentação de um livro sobre os vinhos de Portugal, na vertente da prova, degustação e harmonização, da autoria de Carlos Freire Correia.

De Luís Pato espera-se sempre algo de original, irreverente fora dos cânones. Mais uma vez não defraudou essas expectativas. Mostrou aos presentes um espumante bruto feito apenas com Maria Gomes, um tinto Informal, mais leve e despretensioso, um branco igualmente de Maria Gomes, e depois a grande surpresa, um tinto... de uvas brancas, chamado Fernão Pires! Explica-se: o nome é em honra do neto, aproveitando o nome equivalente para a casta que tem o nome Maria Gomes na Bairrada. 94% do vinho foi feito com uvas de Fernão Pires/Maria Gomes e 6% fermentou apenas com as películas da Baga. Daqui saiu um vinho que, sendo na origem branco, obteve a cor tinta de uma pequena quantidade de películas de uva tinta... confuso, não é? Estamos a prová-lo e não percebemos bem se estamos a beber um branco ou um tinto... Bem, a verdade é que no rótulo consta como tinto, pois é essa a cor dele.

Seguiu-se um tinto de Baga, esse sim verdadeiro, depois o original BTT, cuja colheita de 2009 tinha provado aquando do lançamento do Grande livro da oliveira, e finalmente o Abafado Molecular, sempre um vinho diferente e curioso.

Paralelamente, o agrónomo Carlos Freire Correia, que ministra cursos de formação na área da enogastronomia, falou-nos do seu livro, que pretende ajudar o consumidor a perceber o que está a beber, caracterizando os vinhos portugueses, e abordando os princípios fundamentais da prova, serviço e harmonização do vinho, como se destaca no subtítulo: degustar, adequar, servir. Parece um bom princípio para novos enófilos que queiram ter um guia por onde se orientarem.

Resta desejar sucesso a ambos os participantes no evento, que nos proporcionaram interessantes momentos de prova e de conversa. Quanto ao livro, já o adquiri já o adquiri e espero recolher dele mais alguns ensinamentos.

Aos novos proprietários, que pareceram ainda um pouco perdidos no meio dos procedimentos a efectuar na gestão da prova, fica uma sugestão: talvez alguma formação na gestão do negócio e na forma de realização destas provas ajudasse. Fiquei com a sensação de que se anda um pouco à deriva e ao sabor dos pedidos do produtor. Não é dum momento para o outro que apenas por autodidatismo se passa a ser um profissional da matéria...

Kroniketas, enófilo esclarecido

1 comentário:

L. disse...

ainda ontem estive na adega luis pato (2ª vez)... provei o espumante duet bical-cerceal, muito bom, o informal, o vinhas velhas branco 2011 que esta optimo, tb este baga natural, interessante, depois o vinha pan e terminei com o abafado molecular rosé. o ano passado já tinha provado o fernao pires, o espumante vinha do moinho, o btt, o vinha formal branco e... por sorte... o quinta do ribeirinho pe franco.