Frei João 1992; Quinta do Poço do Lobo 1990; Quinta do Poço do Lobo Reserva 1995

Estas abordagens são feitas quer em conjunto com os comparsas do costume, quer, uma vez por outra, a solo em casa, sempre bem acompanhadas por uns bifes fritos em molho, costeletas de novilho ou até com as já habituais gravatinhas do restaurante David que têm acompanhado alguns repastos.
Já lá vão uns anos desde que aqui escrevi um apontamento sobre uma abordagem feita a solo. Agora esta abordagem foi feita em grupo, perante o plenário dos habituais comensais e a bater-se com uma bela peça de veado abatida pelo nosso caçador de serviço e, para grande pesar nosso, a última em que pudemos contar com a presença do nosso Mancha, o amigo que nos deixou recentemente. A única coisa que me consola é o facto de na última prova ter contado com os seus vinhos de eleição, cuja escolha contou com a sua colaboração.
Estavam disponíveis vinhos do Dão e da Bairrada e, perante o aroma que se desprendia durante a cozedura do cervídeo, foi rapidamente decidido que os da Bairrada seriam os mais adequados para a função. Assim se fez, tendo a escolha recaído apenas em vinhos das Caves São João e com a decantação a ajudar em dois dos casos, depois duma rápida apreciação ao estado de cada vinho.
O Frei João, um clássico da Bairrada que não é dos mais badalados, sempre foi dos nossos vinhos preferidos, não obstante em termos de preço se situar na gama baixa, mas é daqueles que nunca nos deixou ficar mal, e bate-se excelentemente com carnes poderosas. Tem alguma macieza a par com suficiente robustez para não se perder nos temperos. Um valor seguro, e este, adquirido o ano passado na Garrafeira de Campo de Ourique já com 20 anos de idade, embora com sinais evidentes de evolução, a mostrar que já não iria melhorar mas também sem denotar um claro declínio, estava perfeitamente bebível e justificou plenamente o valor que demos por ele.
Os dois exemplares da Quinta do Poço do Lobo suscitaram opiniões desencontradas. Houve quem preferisse o da colheita de 1990 (o mais caro dos três), que apresentou alguma elegância mas ao mesmo tempo boa estrutura e persistência, com bastante equilíbrio de conjunto.
Já o Reserva de 1995 acabou por colher a preferência da maioria, como foi também o meu caso, pois além das características mostradas pelo de 1990 ainda lhe acrescentou uma complexidade aromática com uma panóplia de aromas terciários e uma persistência notáveis, com maior vivacidade no palato e taninos arredondados mas ainda evidentes e firmes, o que fez pender a balança para o seu lado. De tal forma que, comprado há uns meses numa promoção no Continente e pelo que custou, nos faz agora lamentar não ter comprado mais garrafas... ou até todas as que estavam em stock!!! Notável, um daqueles vinhos que nos fazem sempre reconciliar com os vinhos antigos.
Eu sei que já é uma frase repetitiva, mas não nos cansamos de beber e elogiar estes vinhos, e cada vez mais vamos concluindo que vale a pena comprar todos os que pudermos.
Kroniketas, enófilo esclarecido e o resto da cambada
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Vinho: Frei João 1992 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Preço: 7,5 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta do Poço do Lobo 1990 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Baga, Castelão, Moreto
Preço: 14,75 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta do Poço do Lobo Reserva 1995 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Castelão, Moreto
Preço: 8,30 €
Nota (0 a 10): 8,5
Comentários
Uns bifes de novilho ou umas costeletas seriam uma boa companhia, porque não se sobrepõem ao vinho.
Saúde!