quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

No meu copo 303 - Cartuxa Reserva 2005; Quinta do Carmo 2007

Falamos agora de dois vinhos conceituados e com longa tradição no Alentejo, dois nomes clássicos.

A Fundação Eugénio de Almeida produz há décadas na Adega da Cartuxa alguns vinhos emblemáticos, com destaque para o Pera-Manca. O Cartuxa Reserva é um dos produtos de topo da casa, abaixo do Pera-Manca e do mais recente Scala Coeli. Esperei algum tempo por este Reserva 2005, mantendo as dúvidas sobre qual seria o momento ideal de consumo. Com 7 anos de idade após a colheita, acabou por ser estrela na mesa do jantar de Natal de 2012 a acompanhar borrego assado no forno, curiosamente tal como tinha acontecido com o último colheita que tinha sido bebido em ocasião semelhante em 2009.

Este Cartuxa Reserva de 2005 estagiou 15 meses em barricas novas de carvalho francês e 12 meses em garrafa. Saiu-se muito bem da função, com um perfil algo diferente das provas dos seus antecessores, mais robustos e pujantes. Precisou de tempo para se mostrar, tendo beneficiado com a decantação que lhe permitiu mostrar um aroma mais intenso, tendo-se apresentado mais macio e elegante do que os colheitas provados anteriormente, com taninos bem domados, já com as notas de fruta algo escondidas, madeira muito discreta mas a dar consistência a um conjunto bem estruturado e persistente, com final marcado por um toque a especiarias.

Uma boa aposta, embora com um preço algo dissuasor (neste caso conseguiu-se uma promoção que permitiu pagar apenas 17,50 €). Já provámos outros vinhos nesta gama de preços que nos pareceram estar alguns furos acima.

Seguiu-se o Quinta do Carmo de 2007, outro clássico produzido em Estremoz, numa propriedade que tem andado a mudar de mãos. Os vinhos Quinta do Carmo eram produzidos numa quinta de passou a ser chamada Quinta de Dona Maria quando mudou para a posse Júlio Bastos, enquanto a anterior Quinta do Carmo ficava nas mãos dos franceses Lafite Rothschild, tendo estado em parceria com a Bacalhôa até 2008, ano em que a empresa de Azeitão adquiriu a totalidade da quinta. Esta colheita de 2007 provém, portanto, da fase da parceria entre os franceses e portugueses.

Estagiou um ano em barricas de carvalho francês e apresentou-se mais pujante que o Cartuxa Reserva. Sendo um vinho de patamar inferior, não se diminuiu na comparação com o seu concorrente de Évora, tendo mesmo marcado pontos no acompanhamento do borrego, ganhando em exuberância e profundidade aromática o que perde em complexidade e fim de boca. Apresentou taninos sólidos e madeira em equilíbrio com uma boa estrutura e volume de boca. Tem um perfil de apreciação mais imediato, mas não tem tanto potencial para se aguentar ao longo duma refeição mais prolongada.

É igualmente um vinho que não é barato, mas também foi adquirido numa promoção que permitiu retirar 3 € ao preço base. Também nesta gama poderemos encontrar alguns mais apelativos, pelo que poderá ser uma proposta penalizada quando se procurar dentro dos melhores do Alentejo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cartuxa Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alfrocheiro
Preço: 24,75 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quinta do Carmo 2007 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 12,99 €
Nota (0 a 10): 8

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