segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

1º Dãowinelover Meeting - Casa da Passarela



Realizou-se no passado dia 26 de Janeiro, na Casa da Passarela em Lagarinhos (próximo de Pinhanços e entre Seia e Gouveia), o 1º Dão Winelover Meeting, uma iniciativa de dois comparsas bloguistas, o Pingamor e o Pingas no Copo.

Quero deixar aqui o meu agradecimento e o meu louvor (que foi dado logo na altura e de viva voz) aos organizadores. A iniciativa é de saudar e de grande mérito, principalmente vindo de dois indivíduos que não são nem produtores, nem engarrafadores, nem vendedores, nem distribuidores. Acima de tudo, é por amor à causa, o que ainda é mais de louvar.

Segundo a informação prestada pelos organizadores, compareceram à chamada cerca de 150 pessoas – número notável visto tratar-se duma iniciativa de cariz particular e não de qualquer entidade oficial – contando-se entre elas alguns produtores e enólogos, dos quais reconheci, entre os mais mediáticos, Manuel Vieira, enólogo da Sogrape na Quinta dos Carvalhais, Osvaldo Amado, recém-entrado na Dão Sul, e Nuno Cancela de Abreu, já com uma longa carreira em várias casas e várias regiões, estando muito associado ao Ribatejo e à Quinta da Alorna, a Bucelas e à divulgação dos brancos de Arinto e agora envolvido num projecto pessoal no Dão que inclui as marcas Quinta da Fonte do Ouro, Quinta da Giesta e Boas Vinhas.

A função começou com uma prova (em duas sessões) de vinhos velhos do Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, sediado em Nelas, apresentada pelo Engº Brites. No painel estiveram presentes três vinhos brancos, de 1964, 1974 e 1992, e quatro vinhos tintos, de 1971, 1987, 1998 e Touriga Nacional 1996. O fascínio desta prova, para além da lição que foi ouvir o nosso interlocutor falar da sua longa experiência na elaboração de vinhos, residiu na possibilidade de conhecermos uma história de décadas dentro dos copos. Seria quase inimaginável admitir que houvesse vinhos brancos com quase 50 anos de idade a mostrar tão boa saúde. A cor e a textura pareciam mel, quase licor, e não só estavam perfeitamente bebíveis como iam desenvolvendo aromas de frutos secos à medida que evoluíam dentro dos copos.

Já os quatro tintos revelaram uma frescura inesperada, nomeadamente o Touriga Nacional de 1996 e o de 1998, que nada faria supor ter mais de 14 anos de idade...

Terminada esta prova passou-se à fase das provas livres, com os vinhos levados pelos convidados e também pelos produtores, estes dispostos em mesas devidamente identificadas e distribuídas pelas salas e corredores das cubas de fermentação. Seguiu-se finalmente o almoço, com um óptimo cabrito assado com todos os matadores (batatas assadas, arroz de miúdos, verduras cozidas) que pudemos acompanhar com alguns dos vinhos à disposição. Na mesa tivemos uma garrafa de Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador e uma de Torre de Tavares Jaen, que fizeram óptima companhia à refeição.

Achei curiosa a presença do presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão, Arlindo Cunha, ex-ministro da Agricultura (que entrou e saiu discretamente), que me levantou a seguinte dúvida: o que fez ou vai fazer a CVR Dão para aproveitar esta onda que se gerou para promover a divulgação dos vinhos da região? Que impacto terá esta iniciativa nas estruturas e organizações estatais? E que eco teve ou vai ter este evento na comunicação social? Aguardo para saber se alguma entidade oficial aproveitou este evento para dizer ao país “vejam, olhem para aqui, está aqui um grupo de consumidores que gosta da região e quer ajudar a reerguer e dar aos seus vinhos o destaque que merecem!”.

Resta agradecer à Casa da Passarela por ter acolhido esta iniciativa e suportado os custos da organização. Um bem haja aos organizadores, e ficamos a aguardar por novas iniciativas que nos levem a percorrer outras terras no Dão e visitar outros produtores.

Kroniketas, enófilo descentralizado

1 comentário:

Rui Soares disse...

Sem dúvida um excelente evento, todos os km de viagem foram diluidos por um dia magnifico e o cansaço inerente foi posto de lado em momentos de saborear bons vinhos, boa comida e conversas animadas com novas amizades.
Fico a aguardar a próxima.