quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

E vão três



Foi há 5 anos que nos lançámos nesta aventura de escrever num blog. Como em todos os novos amores, começámos cheios de força e entusiasmo, e os textos proliferavam a um ritmo frenético. Por vezes publicávamos vários posts por dia, e o dia-a-dia deste rectângulo tuga, principalmente nas suas vertentes mais… tugas, era alvo frequente de crítica.

O frenesim e a inspiração eram tantos que, para além dos dois escribas que começaram, outros se foram juntando ao leque à medida que começavam a surgir temas com alguma especificidade. O leque de assuntos foi sendo alargado até chegar à vertente gastronómica e vínica. Começámos a escrever algumas sugestões sobre vinhos, a falar sobre aqueles que íamos bebendo e gostando e a certa altura surgiu a ideia (quiçá peregrina, quiçá oportuna) de abrir uma nova secção no blog que se dedicasse especificamente a essa vertente, pois já começavam a aparecer posts em número suficiente para serem publicados autonomamente.

E foi assim que no dia do segundo aniversário das Krónikas Tugas abrimos um blog temático chamado Krónikas Vinícolas. Inicialmente com pouco destaque, quando começou a ser visitado por outros bloguistas dedicados ao mesmo tema (e depois de ter sido referenciado na Revista de Vinhos de Junho de 2006), e quando começámos a interagir com esses mesmos blogs, as visitas dispararam a tal ponto que a certa altura as KV passaram a ter o dobro da audiência diária das KT, não tardando que o blog-filho ultrapassasse o blog-pai em número total de visitas.

Tal como no início, a filosofia subjacente às Krónikas Vinícolas continuou a ser a mesma até hoje em que completa o 3º ano: total independência de tudo e de todos, dependendo apenas dos nossos gostos, das nossas ideias e das nossas convicções. O que escrevemos neste blog pode entrar em choque com outras opiniões, mas estas são as nossas e delas não abdicamos para ser politicamente correctos. Sabemos que podemos ir por vezes contra a corrente, mas como não devemos favores nem obrigações a ninguém não temos de nos subjugar aos gostos dominantes.

Também não temos a pretensão de dar lições a ninguém nem nos julgamos o supra-sumo de nada, assim como não pretendemos provar mais vinhos que os outros nem ufanarmo-nos de que provamos os que são considerados os melhores. Como não temos contactos com nenhum produtor nem temos acesso a vinhos grátis, tudo o que aqui provamos sai-nos do bolso, e não é pouco. Já gastamos demais em compras e mesmo assim não conseguimos abarcar tudo o que eventualmente gostaríamos. E muitas vezes há que fazer escolhas entre comprar mais e mais barato para poder provar uma maior variedade, ou gastar tudo em meia-dúzia de garrafas. E mesmo quando abrimos os cordões à bolsa para comprar vinhos caros, não nos sentimos obrigados a colocá-los nos píncaros da lua só porque isso pode parecer bem. A esse propósito lembro-me sempre dum post no blog “Os 5 às 8” (depois repetido no Nova crítica) a propósito do Barca Velha 1995, em que Pedro Gomes dizia que há muito tempo acreditava na máxima que “os mitos também se abatem”, e terminava com 16,5 pontos...

O que pretendemos com este blog é, e sempre foi, apenas isso: ir vertendo na escrita as impressões que foram vertidas do copo. Não somos produtores, enólogos, distribuidores, revendedores, jornalistas nem escritores, não pretendemos editar livros, ministrar cursos nem ser críticos especializados. Somos apenas amantes da coisa: é isso que quer dizer “enófilo”. Não provamos, nem compramos, vinhos de propósito para os mostrar no blog; vamos é mostrando no blog a maior parte dos vinhos que nos passam pela mesa, e sempre que as impressões recolhidas o permitam. Por vezes juntamo-nos, provamos um ou vários vinhos de que gostamos e no fim não escrevemos sobre eles, porque estivemos mais atentos ao convívio do que propriamente às notas de prova. Em resumo, quando achamos que vale a pena escrever sobre um vinho, qualquer que ele seja, fazemo-lo: seja caro ou barato, muito bom ou muito mau (com toda a subjectividade que esta opinião contém). Por isso muitas vezes apresentamos provas de vinhos que alguns, dizendo-se entendidos, vêm para aqui verberar aproveitando para desdenhar das nossas opiniões, mas a esses simplesmente ignoramo-los porque não têm nada para nos ensinar a não ser um chorrilho de baboseiras.

Quanto aos nossos comparsas eno-bloguistas e a todos aqueles que connosco querem partilhar as suas provas, são sempre lidos com atenção e consideração e tentamos sempre aprender alguma coisa com as suas opiniões, mesmo que discordantes das nossas, pois é muitas vezes aí que podemos melhorar um bocadinho.

E agora, que venha mais um ano de boas provas. À vossa e à nossa.

Kroniketas, enófilo (algo) esclarecido e tuguinho, enófilo (pouco) esforçado

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