quarta-feira, 2 de julho de 2008

No meu copo 187 - Quinta da Alorna: Reserva, Touriga Nacional 2003; branco 2006

A Touriga Nacional é a casta da moda. Planta-se em todo o lado, de norte a sul, e entra numa parte significativa dos vinhos de quase todas as regiões. A verdade é que, como já várias pessoas disseram, corremos o risco de assistir à “touriguização” do país vitivinícola, perdendo a tipicidade das várias regiões. Vem isto a propósito deste vinho que tive oportunidade de abrir, um Touriga ribatejano da Quinta da Alorna.

No contra-rótulo reza assim:

“É um bom exemplo da expressão da Touriga Nacional, a mais famosa e mediática casta tinta portuguesa. Um aroma efusivo cheio de resinas e anisados com flores silvestres, rebuçado de groselha e chocolate. Na boca mantém o perfil, resinoso e balsâmico, taninos gordos, fruto maduro, um tanto exuberante apesar da evidente qualidade.”

Na realidade, a mim pareceu-me mais um vinho em que a Touriga Nacional perde as suas características e a região também. Posso não ter compreendido bem o que estava a beber, mas a sensação que ficou é que este Quinta da Alorna Reserva feito com Touriga Nacional acaba por não ser um ribatejano típico nem um Touriga Nacional verdadeiro. Às vezes as combinações saem perfeitas e consegue-se um bom resultado das misturas mais inesperadas, mas neste caso fiquei com uma impressão diversa. Tal como parece acontecer quando se mete a Touriga Nacional nos vinhos da Bairrada (já ficámos com essa sensação no Ensaios Filipa Pato), este ribatejano perdeu as suas características e a Touriga também não me pareceu tão efusiva como dizia o contra-rótulo, nem o floral estava lá. Pode ser que numa próxima tentativa...

E já que estamos com a mão na massa, passamos ao branco. A Quinta da Alorna é uma das casas que têm contribuído para a recuperação da imagem dos vinhos do Ribatejo e já tem no seu portefólio um número significativo de vinhos bastante apreciáveis. Já tivemos oportunidade de provar o tinto colheita, um branco Colheita tardia e um rosé de Touriga Nacional, e agora acrescentamos este branco à lista.

Feito a partir de duas das melhores castas brancas do país, o incontornável Arinto e o Fernão Pires, que se destaca entre as brancas no Ribatejo, tem uma cor citrina forte, aroma também marcadamente citrino, boca média e final marcado por uma acidez refrescante. Um branco que pode ser versátil, para pratos leves de peixe ou marisco ou para outros mais elaborados. Uma aposta refrescante e simpática para o Verão, e mais um bom produto desta quinta.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos

Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: Quinta da Alorna 2006 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7

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