sábado, 31 de maio de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XXV)

O balanço final


Terminada a minha permanência em Portalegre, preenchida por bastantes visitas a restaurantes e produtores de vinho e pela descoberta da gastronomia e vinicultura da região, vale a pena fazer um balanço final destas deambulações por terras do Alto Alentejo.

Em termos vínicos aproveitei para descobrir uma série de marcas que ainda não tinha provado e algumas revelações muito interessantes. O perfil de muitos destes vinhos, particularmente nas terras altas de Portalegre, é diferente da maioria dos outros vinhos alentejanos, da planície. Mais frescos, mais suaves e menos pesados, embora isso por si só não faça deles necessariamente melhores vinhos que os outros. Também aconteceram algumas decepções, como o Pedra Basta, o Monte da Penha Reserva e o Monte da Cal Reserva. Revelações agradáveis foram o Casa de Alegrete e o Terrenus, não esquecendo o excelente Herdade das Servas Aragonês, mas esse não foi uma surpresa, vindo donde vem.

Quanto à gastronomia, dentro da tipicidade regional que sempre procurei, e que por si só também não constituiu nenhuma revelação especial, o que mais me surpreendeu (pela positiva) foi a qualidade superior do serviço e da confecção da maioria dos restaurantes visitados. Fiquei verdadeiramente siderado com o profissionalismo da maioria daquelas pessoas e o modo como levam a sério a sua actividade. Atendimento de altíssima qualidade e com grande eficiência, que faz o cliente ficar com vontade de voltar, a complementar uma confecção absolutamente irrepreensível. Destaco nesse aspecto o Rolo Grill, o Tomba Lobos, o Cobre, o Caldeirão de Sabores, a Gruta, a Cadeia Quinhentista e o São Rosas, estes dois últimos em Estremoz. Ainda em Estremoz, talvez a grande desilusão de toda a minha permanência na região, a não menos famosa Adega do Isaías, um espaço como já não se usa e que de modo nenhum justifica a fama que tem. Será que a ASAE já lá foi?

O que mais impressiona é o facto de Portalegre ser uma cidade bem no interior do país e longe de quase tudo, sem grandes referências nas proximidades, a não ser as vilas de Marvão e Castelo de Vide, mas não é certamente a região turística mais apelativa. Isso parece não demover os profissionais da gastronomia de apostar acima de tudo na qualidade, como aliás devia ser apanágio de todos os que entram neste ramo. Tomara a grande maioria dos restaurantes de Lisboa e do Algarve, os dois principais destinos turísticos do país, terem a qualidade destes que por aqui encontrei.

Kroniketas, gastro-enófilo regressado

1 comentário:

Anónimo disse...

aldeia da Urra, a sul de Portalegre... telefonar a reservar no restaurante Álvaro... não percam!