quarta-feira, 21 de maio de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XXIII)

Adega Cooperativa de Borba





Foi a última visita aos produtores de vinho, já quase em fase de regresso definitivo a casa. Voltei a deslocar-me um pouco para sul e fui até Borba, visitar as instalações da Adega Cooperativa, uma das mais antigas do país e a mais antiga do Alentejo.

Fundada em 1955, tem cerca de 350 sócios que cultivam um total de 2200 hectares de vinha, sendo 65% são de uvas tintas e 35% de brancas, com destaque para Aragonês, Trincadeira, Castelão, Alicante Bouschet, Roupeiro e Rabo de Ovelha em termos de área plantada.

As instalações da Adega Cooperativa de Borba, situada junto à entrada vindo de Estremoz, ocupam cerca de 12.000 m2 e delas fazem parte a zona de fermentação em cubas, a linha de engarrafamento, a cave de estágio em garrafa e barricas e ainda uma loja de venda ao público, onde além da compra se pode ainda fazer a prova de alguns vinhos da casa. Sendo uma Adega Cooperativa, tal como em Portalegre, as vinhas não estão localizadas junto às instalações pelo que não foi possível visitar nenhuma vinha, ao contrário do que acontece com os restantes produtores onde me desloquei. Mas pude ver todo o circuito que o vinho percorre e onde repousa.

A Adega Cooperativa recebe anualmente 18 milhões de quilos de uvas e produz 14 milhões de litros por ano. Esta enorme dimensão, completamente diferente dos patamares dos outros produtores que visitei, resulta não em uma, mas duas linhas de engarrafamento, totalmente automatizadas desde a colocação das paletes com as garrafas até ao embalamento em caixas.

O portefólio da casa engloba uma vasta gama com mais de 30 marcas, entre brancos, tintos e rosés, que vão desde as de grande consumo, como o Convento da Vila e o Galitos para comercialização em bag-in-box, até aos topos de gama Garrafeira e Cinquentenário (produzido para comemorar os 50 anos da Adega), passando pelos conhecidos Reserva com rótulo de cortiça (um dos mais equilibrados na relação qualidade/preço e talvez a grande referência da casa actualmente), o muito badalado Montes Claros Reserva, os mono e bi-varietais, os Borba DOC e AdegaBorba.pt. São ainda produzidos vinhos licorosos, aguardentes vínicas e bagaceiras. Muito trabalho para o enólogo da casa, Óscar Gato.

Os tintos AdegaBorba.pt, varietais, Reserva e Garrafeira têm estágios em madeira, que vão desde 3 a 18 meses, tendo ainda um posterior estágio em garrafa, que vai até 9 meses no Cinquentenário.

No final ainda me desloquei à loja onde pude fazer uma rápida prova do AdegaBorba.pt branco, tinto e rosé. Antes de vir embora, como recordação adquiri uma garrafa do Cinquentenário e uma do Garrafeira. Reparei que os preços eram bastante competitivos em relação ao que se vê no mercado, estando o Reserva mais barato do que o mais barato que já encontrei nas grandes superfícies, mas parece que isto nem sempre acontece nos produtores. Neste caso pareceu-me que compensa ao visitante comprar os vinhos na casa.

E assim terminei as minhas incursões vinicas por terras do Alto Alentejo. Dali ainda dei um salto ao Redondo e passei junto à Roquevale, mas já não houve tempo para entrar. Talvez numa próxima ocasião...

Kroniketas, enófilo itinerante

Adega Cooperativa de Borba
Rossio de Cima
7151-913 Borba
Tel: 268.891.660

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