quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Os grandes tintos do Douro... e os outros

Há cerca de um ano (Novembro de 2006) a Revista de Vinhos publicou um painel de prova de grandes tintos do Douro, daqueles topos de gama. Agora em Novembro de 2007 voltou a publicar outro painel, com notas entre os 16 e os 18,5 e preços que vão, literalmente, dos 8... aos 80! Euros...

São 51 vinhos provados, com uma média de preços de 30 €, e com 36 acima dos 20 €, 21 acima dos 30 € e 11 acima dos 40 €. E ainda há 5 acima dos 50 €, sendo que 2 custam mais de 80 €: 85 € e 88,5 €. Um luxo!

Ainda recentemente dois comparsas bloguistas, o Pingas no Copo e o Vinho da Casa, apresentaram algumas provas de grandes vinhos da Niepoort, da Quinta do Vale D. Maria, da Quinta do Crasto e da Quinta do Vale Meão. Grandes vinhos, sem dúvida, a merecerem apreciações entre os 15,5 e os 19 pontos! Mas... quem os pode comprar?

Diz o Vinho da Casa que “beber vinhos de classe mundial por menos de 80 euros não é fácil”. Pois não... E o Pingas no Copo diz, acerca do Charme, “censuro, apenas, o preço que é pedido, simplesmente porque não tenho dinheiro para o comprar as vezes que gostaria.” Pois, também eu...

Acredito que estes vinhos, que custam os olhos da cara, sejam os melhores do país, mas também continuo a achar que não são estes que representam o valor médio da região, e quando falamos de vinhos até 10 € a experiência que tenho tido, em muitos casos, mostra-me que em grande parte estes são inferiores aos de outras regiões. Há algum tempo, Cristiano Van Zeller, produtor da Quinta do Vale D. Maria, fazendo uma comparação entre os vinhos do Douro e do Alentejo na Hora de Baco dizia que nos vinhos médios o Douro é inferior a outras regiões.

Neste painel o vinho mais pontuado é o Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa, com 18,5 pontos e um preço de 88,50 €. Mas há poucos dias provei o Quinta do Crasto normal, que não é assim tão barato, e achei-o vulgar. A pergunta que faço é esta: como é que um produtor pode fazer um vinho de topo e outro com uma qualidade algo questionável? E a diferença de qualidade, será que justifica que o preço de um seja 10 vezes superior ao do outro?

Falar de grandes vinhos que não estão acessíveis à maioria das pessoas torna-os, de facto, vinhos virtuais como uma vez referiu João Portugal Ramos. É um bocado como os Ferraris: são para ver na montra e nas fotografias. E pagar 40 ou 50 € por um vinho é só para alguns, ou então para quando se perde a cabeça. Mas é só uma vez por acaso... Quando passamos ao mundo real, o panorama é bem diferente deste mundo sublime que nos é apresentado neste painel. Por isso é que acabamos por nos refugiar naqueles que já conhecemos e que nos dão todas as garantias, como os 3 Douros de 2001 que provámos há alguns dias. Esses são reais, são bons e são acessíveis.

Kroniketas, enófilo esclarecido

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