sexta-feira, 18 de maio de 2007

Provas de Cabernet Sauvignon - O balanço



Fazendo o balanço das provas aqui colocadas pelos caríssimos comparsas eno-bloguistas e restantes enófilos, a conclusão é que... há gostos e gostos. Tal como na anterior Prova à Quinta vi tecer rasgados elogios a um vinho branco de que não gostei nada (Três Bagos, um Sauvignon Blanc feito pela Lavradores de Feitoria), agora vi provas de Cabernet Sauvignon que não agradaram nada e outras que agradaram bastante. Houve de tudo, o que só prova que não há conhecimento que resista ao paladar de cada um.

Parece que o grande pomo de discórdia em relação a esta casta prende-se com o aspecto vegetal que predomina em muitos vinhos, e nesses casos o veredicto é normalmente desfavorável. No entanto, também houve quem encontrasse bons motivos para elogiar os vinhos provados, precisamente aqueles em que a componente vegetal estava menos presente. O que se pode concluir daqui é que é necessário escolher o vinho certo, em qualquer casta ou em qualquer região, pois o que é elogiado por uns (que provaram o vinho certo) pode ser detestado por outros (que provaram o vinho errado).

Vejamos o que diz David Baverstock, enólogo da Herdade do Esporão, acerca da casta Cabernet Sauvignon no catálogo da Feira de Vinhos do Pingo Doce de 1998:

“A maior parte do vinho de qualidade produzido em todo o mundo é elaborado a partir de Cabernet Sauvignon. Esta casta francesa é bem sucedida em Bordéus e em quase todos os países vitícolas devido às suas características muito próprias. Possui pequenos bagos com uma película rica em fenóis, o que lhe permite apresentar uma boa relação de cor e taninos para a quantidade de mosto. Os vinhos, logo após a vinificação, apresentam-se de cor púrpura, fruta intensa e muito taninosos. (...) Os vinhos jovens são caracterizados por um aroma a pimentos verdes e fruta do tipo amoras e groselha preta, com uma boa estrutura de taninos. Possuem uma boa afinidade com o estágio em barricas novas de carvalho francês e, com algum tempo em garrafeira, podem ganhar aromas do tipo cedro e tabaco. Como é uma casta tardia, em climas menos quentes (como Bordéus, por exemplo) é necessário lotear Cabernet Sauvignon com Merlot para dar vinhos mais redondos e menos adstringentes. Em climas mais quentes (como no Alentejo, Austrália, Chile, Califórnia, etc.), o vinho tem ganho fama como monocasta, ou vinho varietal, dado que as uvas, por ficarem bem maduras, originam taninos mais ricos e mais álcool, o que ajuda a amaciar o paladar, sendo o fruto cheio e redondo com sabores a amoras, groselha preta e chocolate.”

Como se vê, é tudo uma questão de tratar bem o vinho para anular a predominância do vegetal. O que provámos do Esporão vem mais ao encontro das características descritas na parte final, e é este aspecto que mais nos agrada nesta casta. Mas eu também não me tenho dado bem com os Chardonnay portugueses, pelo que não me surpreende que haja quem se dê mal com o Cabernet.

Em resumo, tivemos as seguintes apreciações:

- Encosta do Sobral 2003 – 16 e 17
- Aliança Galeria 97 – 17
- Solar dos Loendros 2003 – 13,5
- Tapada da Falca 2001 – Bom
- Dom Hermano 2003 – Médio
- Quinta do Valdoeiro PN11 2001 – 13,5
- Alfaraz 2004 – 16,5
- Fiúza 2004 (também provado por nós) – Médio/fraco


Portanto, parece que o Cabernet ou se ama ou se detesta. Ou quase isso.

Kroniketas, enófilo esclarecido

PS: Novo desafio lançado no Vinho da Casa

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