sábado, 24 de março de 2007

Vinhos brancos nacionais - prós e contras

O comparsa do Saca-a-rolha deu o mote: prós e contras nos vinhos brancos nacionais, e foi buscar como exemplo dois posts publicados recentemente aqui nas KV e no Pingas no Copo, deixando no ar a hipótese de termos, eu e o Pingus, opiniões contrárias acerca dos brancos portugueses.

Bom, meus caros, eu mantenho aquilo que disse em relação às castas estrangeiras usadas nos brancos portugueses, e também em relação a não sermos um país de grandes brancos. De facto, as provas que tenho feito é que me conduziram a essa opinião, porque não tenho nenhum parti-pris em relação aos vinhos brancos, como não tenho em relação a nenhum tipo de vinho, seja ele verde (branco ou tinto), rosé, espumante ou generoso. Nos primeiros tempos das Krónikas Viníkolas tive oportunidade de reproduzir alguns textos que já tinha escrito anteriormente nas Krónikas Tugas a esse respeito, intitulados “Reflexões à volta da garrafa”.


Podem lê-los aqui: 

Reflexões à volta da garrafa (1) - O preço é só um começo
Reflexões à volta da garrafa (2) - Os fundamentalistas
Reflexões à volta da garrafa (3) - Fácil de beber é mau?
Reflexões à volta da garrafa (4) - Vinho é tinto, branco é refresco e verde é a cor da garrafa?
Reflexões à volta da garrafa (5) - Beber tinto à temperatura ambiente?

Embora o tinto seja o meu tipo de vinho preferido, não rejeito qualquer outro. Aliás, um dos artigos que escrevi começava precisamente com aquela frase onde às vezes se diz, meio a sério meio a brincar, que vinho é tinto, branco é refresco e verde é a cor da garrafa.

Repescando algumas opiniões então expressas, referi até que acho mais fácil (e mais “aceitável”, digamos) acompanhar carne com vinho branco do que peixe com vinho tinto. No Verão, principalmente, e com algumas carnes brancas, já tenho optado por vinho branco com bons resultados. Foi o que fiz na minha última visita ao Chafariz do Vinho. Com as entradas, se o repasto for em casa, também prefiro servir um branco. Aliás, sendo o branco normalmente mais leve, também se pode tornar mais versátil que o tinto. Por exemplo, Frei João branco com bife na pedra. Só a ideia choca, não choca? Mas só experimentando é que se sabe, e olhem que não fica nada mal.

A questão está em saber “que” brancos é que temos, e continuo a achar que a qualidade média é claramente inferior à dos tintos. Se calhar também não é tão fácil fazer um bom branco como um bom tinto, devido à diferente matéria-prima (ausência das películas das uvas no processo de fermentação dos brancos, sabendo-se que é à película que os tintos vão buscar boa parte das suas características mais importantes). Mas por isto ou por aquilo, tenho provado muitos brancos que têm ficado longe de me agradar. Em relação aos alentejanos, por exemplo (eu que sou fã dos tintos do Alentejo) não há nenhum que me tenha agradado até agora, nem o Esporão que é sempre considerado um dos melhores (ainda não provei o Pêra-Manca, mas tenho uma garrafa à espera). Acho-os sempre rústicos, agrestes, amargos. Nesse aspecto vou até pela opinião mais radical do João Paulo Martins que acha que o Alentejo só devia produzir tintos.

O problema que encontro nos nossos brancos é precisamente a tal falta de finesse que encontrei no Saga R, dos Rothschild, que raramente se encontra nos portugueses, e que é mais evidente quando comparamos vinhos feitos com castas como a Chardonnay ou Sauvignon Blanc. A explicação mais lógica é precisamente a de que o nosso clima não propicia vinhos brancos elegantes e frescos, tornando-os pesados e ásperos, além de que se continua inexplicavelmente a exagerar no grau alcoólico. No entanto, se procurarem mais para trás nos posts que escrevemos sobre brancos, verão que tenho alguns brancos de eleição em Portugal, concretamente em duas regiões: Terras do Sado e, principalmente, Bucelas, que para mim tem os melhores brancos nacionais (isto em termos genéricos, naturalmente). Se calhar porque têm o perfil que mais me agrada, a tal finesse. Também tenho encontrado alguns bons no Dão, na Bairrada e no Douro (ainda não provei o Redoma, por exemplo, que tem sido muito elogiado, mas hei-de lá ir qualquer dia).

Conclusões? Podem vocês tirá-las, se quiserem, mas a minha é que não sou propriamente contra, corroboro até a opinião do Pingus de que os nossos brancos estão a ganhar o seu espaço, mas também acho que lhes falta percorrer um grande caminho até atingirem a excelência. Talvez as regiões mais altas sejam a melhor aposta para se chegar lá.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Veja aqui as nossas apreciações a vinhos brancos, nacionais e estrangeiros:

Portugueses
Adega de Pegões, Colheita Seleccionada 2005 - 7,5
Bucellas, Arinto 2004 - 6,5
Bucellas Caves Velhas 2003 - 7,5
Casa de Santar 2004 - 6,5
Dão Caves Velhas 2003 - 5,5
João Pires 2004 - 8
Planalto - 7
Prova Régia, Arinto 2004 - 8
Quinta da Alorna, Colheita Tardia 2003 - 6,5
Quinta de Cabriz, Experiência VL-1 1999 - 7
Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2004 - 6
Três Bagos, Sauvignon Blanc 2003 - 4
Vinha Grande 2005 - 6

Estrangeiros
Barons de Rothschild, Saga R 2005 (França) - 8
Cimarosa, Chardonnay (Chile) - 6
Pasqua, Trebbiano 2005 (Itália) - 5,5
William Fevre, Chadonnay 2004 (França) - 7,5
William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 (França) - 8,5

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