sábado, 11 de novembro de 2006

Encontro com o vinho (e alguns poucos sabores...)



O encontro estava marcado para a entrada do Centro de Congressos de Lisboa, no passado sábado à tarde. Veio tudo de barriga bem cheia para aguentar o embate previsto e não cair para o lado vencido pelas provas sucessivas. Por volta das 15:30 comprámos a entrada, fomos levantar o copo de prova e introduzimo-nos no evento.

Falo obviamente do Encontro com o Vinho e os Sabores, organizado pela Revista de Vinhos e que vai na sua 4ª edição. Esta espécie de feira dos vinhos de Portugal, e não só, é constituída por stands dos diversos produtores e distribuidores presentes, e possibilita a prova dos vinhos por eles apresentados. Estão também presentes alguns stands de produtos como queijos e presuntos ou enchidos, bem como alguns de acessórios do serviço do vinho.

Além da mostra propriamente dita existem também provas pagas, com um tema definido – do tipo prova transversal ou tourigas de todo o país - que exigem inscrição prévia.

Fomos sem programa e sem plano de provas definido. O único plano era ir percorrendo os corredores e parando nos stands quando achávamos que podia valer a pena provar alguma coisa, principalmente aqueles que não bebemos habitualmente ou que não conhecemos, ou que certas escolhas feitas nas feiras de vinhos e ainda não provadas foram certas. A única restrição, naturalmente, era deixar os generosos para o fim.

No meio das deambulações, e apesar dos vapores etílicos, conseguimos identificar o Pingus Vinicus mai-la sua quadrilha, e deu para entabularmos algumas conversações. Bom conversador, o mestre do blog, e quem é bom conversador deve ser bom copo e bom garfo. Esperamos poder reencontrá-lo noutras ocasiões, quem sabe até nalgum repasto inter-bloguista (porque não?). Um abraço, Rui.

A meio da tarde houve necessidade de abastecer um pouco o estômago, mas deparámos com uma sandes de presunto salgadíssimo que nos estragou o paladar para os minutos seguintes, e houve necessidade de lavar os aromas com um espumante e um rosé, porque nenhum tinto sabia a nada.

Mau grado alguma resistência, começámos com um espumante Murganheira de Malvasia Fina, que foi um excelente começo. Muito seco, muito bom! Já o Vértice, que se seguiu, decepcionou um bocado.

Provámos os seguintes vinhos:

- Murganheira Bruto Malvasia Fina 2002
- Vértice Bruto 2002
- Versus branco, Síria 2005
- Versus tinto 2004
- Quinta de La Rosa reserva 2004
- Quinta do Vale Meão 2004
- Luís Pato Vinhas Velhas 2004
- Vinha da Nora 2002
- Quinta do Monte d’Oiro 2003
- Madrigal branco 2005
- Contra-corrente (Campolargo)
- Campolargo
- Frei João Reserva 2001
- Porta dos Cavaleiros Reserva 2002
- Espumante Bruto Quinta do Boição Arinto 2004
- Alandra rosé
- T da Terrugem 2002
- Quinta dos Quatro Ventos 2004
- Vinha do Almo Escolha 2004
- Herdade do Perdigão Reserva 2003 e 2004
- Quinta de Pancas Special Selection, Cabernet 2003
- Quinta de Pancas, Chardonnay e Arinto 2005
- Quinta de Alcube Reserva 2003 e 2004
- Porto Vintage Fonseca Guimaraens 85, 88, 2004
- Quinta do Vale Meão Vintage 2004
- Nieport Vintage 2003


Destes destacamos o já referido espumante Murganheira Malvasia Fina; o Quinta de La Rosa Reserva, uma multidão de aromas e sabores parcialmente proveniente de vinhas velhas de castas misturadas (ou mesmo desconhecidas…); o Quinta do Monte d’Oiro, com um belo e elegante corpo proporcionado pela Syrah, muito quente e aromático; o Contra-Corrente de Carlos Campolargo, um Cabernet extraordinário que, em conjunto com o Quinta de Pancas Special Selection, é a prova de que não é em França que se encontram os melhores vinhos desta casta francesa; o Vinha do Almo Escolha, que nos encheu a alma e pode vir a ser um dos vinhos de topo do Alentejo; e os Vintage da Fonseca Guimaraens, que nos mostraram como um Porto desta categoria é algo à parte, assim como que um Rolls Royce dos néctares vínicos.

Em jeito de conclusão, estes eventos são extremamente úteis, não só para conhecer uma parte importante do que está disponível no mercado, mas também como veículo de evolução para quem melhor quer conhecer o vinho e as suas nuances. E, tal como já acontece no futebol, o sexo feminino marcava assinalável presença na multidão de visitantes. Ainda bem, que vinho não é coisa de homens, mas sim de apreciadores.

Para o ano, se a vida nos deixar, lá estaremos.

tuguinho e Kroniketas, apreciadores da vida airada

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