quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Na minha mesa 62 - Falésia (Praia da Rocha)



As férias já acabaram há algum tempo, o Verão também, mas ainda não se esgotaram os ecos de algumas incursões gastronómicas por terras algarvias. Uma das mais marcantes foi uma estreia absoluta. Um restaurante situado mesmo na falésia por cima da Praia da Rocha, muito apropriadamente chamado Falésia. Há anos que o conhecia por fora, agora fiquei a conhecê-lo por dentro.

Situado na avenida marginal, na zona dos bares e restaurantes, para entrar sobem-se umas escadas a partir da rua, que vão desembocar num terraço com vista directamente sobre a praia, em toda a sua extensão. Como paisagem, não se pode querer melhor. Esta espécie de varanda tem uma zona coberta e outra descoberta, e como o tempo convidava ficámos cá fora em vez de ir para a sala, e optámos pela zona descoberta. Jantámos ao relento, sobre a praia.

O atendimento é simpático e a ementa é extensa e variada. Dá para todos os gostos. Depois de muitas hesitações pediu-se um bife da vazia com molho Diana e um arroz de tamboril para dois.

O bife correspondeu às explicações pedidas, com carne tenra e um molho suculento, embora a pessoa que o comeu tenha incorrido naquele pecado habitual, que torna a carne de vaca quase incomestível, que é pedir o bife muito bem passado. Fica como sola, mas enfim: quem prefere assim acaba por estragar o melhor da carne mas fica com a vontade feita.

No meu caso partilhei o arroz de tamboril com outro comparsa, e só vos digo: foi o melhor arroz de tamboril que já comi na minha vida. Um tempero irrepreensível, delicioso como é difícil descrever, no ponto de cozedura correcto, com muito caldo como convém. E estava tão bem feito que, quando fomos para a segunda volta, mesmo estando tapado no tacho, o restante arroz não secou nem amoleceu. Pode-se dizer, portanto, que foi feito com mão de mestre.

Nos finais os comensais pediram um Shandy, uma daquelas variantes de gelado com bolo e chocolate derretido por cima, que também colheu o agrado dos presentes, e duas mousses de chocolate que não comprometeram, embora sem encantar.

De realçar que o serviço às mesas, embora tenha sido algo demorado devido à feitura do arroz, se mostrou eficiente, com realce para o facto de os pratos serem trazidos para a mesa num carrinho com as travessas, onde depois são servidos quando é caso disso. A maioria dos empregados é ainda jovem e parece ter alguma formação no ramo, o que será sempre um sinal positivo (já tinha ficado com a mesma impressão no restaurante Lusitano, de que aqui dei conta há uns meses).

Para acompanhar o repasto bebeu-se um João Pires (pago ao triplo do preço normal, como é habitual), que calhou lindamente com o arroz de tamboril, e cuja apreciação já fizemos em devida altura. Sem dúvida um valor sempre seguro e referência obrigatória das Krónikas Viníkolas.

Os preços no Falésia podem ser um pouco dissuasores à partida, mas depois de comer uma refeição destas dá-se o dinheiro por muito bem gasto. Paga-se bem, mas come-se melhor. Pelo menos, para estreia tivemos sorte. Vai ser visita a repetir, e aquele arroz de tamboril... Divino!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Falésia
Avenida Tomás Cabreira, Edifício Falésia, Loja 12
Praia da Rocha 8500-802 Portimão
Telef: 282.412.917
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 5


PS - Actualização da informação: em 2011 o Falésia já tinha mudado de mãos e de nome. Agora o estilo é outro.

Sem comentários: