quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Diz quem sabe



Hoje recebi a Revista de Vinhos deste mês e desde logo me entretive a ler uma conversa de João Paulo Martins “à mesa com” o produtor e enólogo João Portugal Ramos, autor de excelentes vinhos alentejanos.

Entre vários considerandos acerca da produção de vinho em Portugal e a afirmação de que “o Alentejo é imbatível”, a conversa terminou com uma frase bombástica:
“Confesso também que começo a ficar farto dos vinhos virtuais do Douro, que são muito bons mas não existem. E até dou de barato que, nos topos de gama, o Douro tenha mais vinhos que o Alentejo, mas a região em si, em termos de qualidade média, e até das cooperativas, não tem sequer comparação, é muito inferior”.

Fiquei pasmado por finalmente encontrar alguém que tem uma opinião igual à minha acerca deste tema. Já o disse e escrevi, neste blog e nas Krónikas Tugas, que não considero os vinhos do Douro, em termos de qualidade média, assim tão bons como por aí se apregoa. Já tive até a oportunidade de referir várias grandes decepções tidas com vinhos do Douro apresentados como muito bons, e nada baratos. Foi até agora a região com cujos vinhos apanhei mais decepções. Há, de facto, vinhos muito bons no Douro, mas também eu já tinha chegado à conclusão que esses são os caros, porque quando vamos para a gama média, aqueles de 4 ou 5 €, não há nada que os recomende mais que os de qualquer outra região, antes pelo contrário. Até me sinto, às vezes, um pouco incomodado por ver tamanha unanimidade à volta dos vinhos do Douro que eu não partilho. No programa “A hora de Baco” os convidados, invariavelmente, quando falam do seu vinho preferido, vão cair no Douro - principalmente - e no Alentejo. Palavra que estou cansado de ouvir sempre a mesma coisa, Douro-Alentejo, Douro-Alentejo, Douro-Alentejo. Gostava de ver aparecer alguém com uma opinião diferente destas, para variar.

Agora vem o produtor/enólogo mais premiado dos últimos anos lançar esta “bomba”. Ele certamente sabe do que fala, o que me deixa extremamente confortado porque a opinião do especialista é igual à minha (e longe de me querer comparar com ele!). Aleluia! Houve alguém que teve a coragem de desmistificar a auréola que se criou em torno dos vinhos do Douro. Porque é preciso não esquecer que quando falamos do Douro, dum modo geral, não estamos a falar de Barca Velha.

Kroniketas, enófilo esclarecido

(Imagens retiradas da Revista de Vinhos nº 202, de Setembro de 2006, com a devida vénia)

As nossas apreciações a alguns vinhos do Douro:
Planalto
Passadouro e Bons Ares
Quinta dos Aciprestes (1)
Quinta dos Aciprestes (2)
Vinha Grande
Quinta do Portal
Duas Quintas

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