sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Masterclass Arinto - Quinta das Carrafouchas



Quinta das Carrafouchas, localizada ao pé de Loures, na região demarcada de Bucelas.

Algures no tempo, numa Primavera recente, tive oportunidade de ali me deslocar, às portas de Lisboa, onde pude conhecer o enólogo Hugo Mendes, produtor recente dos vinhos HM Lisboa que têm merecido rasgados elogios da crítica especializada.

O evento foi organizado pela Emília Freire e contou com a presença de vários enófilos que conheço destas andanças por provas e blogues, e pretendeu-se conhecer uma gama alargada de vinhos à base de Arinto, com destaque para os elaborados na sua região de excelência.

Ao longo da tarde foi possível provar diversos petiscos com diferentes vinhos que nos mostraram as várias facetas que o Arinto pode ter. Provaram-se vinhos, literalmente, desde o Minho (Covela - Edição Nacional) ao Algarve (Cabrita - Native Grapes).

Mais do que a descrição dos vinhos, que num evento desta natureza tem pouca relevância, a parte mais interessante é a percepção de como a casta de comporta em função do terroir e dos métodos de vinificação.

Há características que são dominantes, naturalmente sempre presentes. Em qualquer região, o Arinto funciona, de modo praticamente universal, como casta melhoradora.
A acidez está sempre presente e traz vivacidade para onde por vezes ela falta. As notas cítricas e minerais, tanto no aroma como no sabor, são outras características que aparecem de forma mais ou menos universal.

Por outro lado, percebe-se que são vinhos que resistem bem ao tempo. Alguns anos de envelhecimento em garrafa não tiram personalidade à casta, pelo contrário. A este propósito, Hugo Mendes referiu até o modo como o envelhecimento dos vinhos é referido noutros países: growing em Inglaterra, élevage em França, crianza em Espanha, o que significa que consideram que os vinhos estão a crescer enquanto envelhecem.

Também esse aspecto foi visível nos espumantes provados, um Quinta da Murta 2013 (11,5%), de Bucelas, e um Vale das Areias 2014 (12%), um regional Lisboa produzido na Labrugeira. A acidez é sempre um factor importante nos espumantes, e neste caso tornou-se bem evidente. Também o grau alcoólico é relevante, pois os vinhos produzidos têm predominantemente um grau moderado, longe de outros vinhos pesadões e enjoativos. E mesmo quando o álcool sobe, o vinho mantém a personalidade graças à sua acidez.

A relação com a madeira, como acontece dum modo geral com os brancos, tem de ser gerida com pinças, e talvez neste caso ainda mais. Um excelente exemplo é o Morgado de Sta. Catherina, da Quinta da Romeira, que atinge os 14º de álcool (o mais alcoólico em prova) e que no entanto consegue manter um registo muito vivo, com uma explosão de aromas e sabores a que se junta um volume de boca adicional que lhe é dado pelas notas de madeira.

Poderíamos juntar outro tanto texto ao que já está escrito para exaltar as qualidades do Arinto, mas a sua universalidade no país fala por si. A parte mais interessante desta prova, mais do que descobrir novidades, foi mesmo passar pelas várias nuances que os vinhos vão adquirindo. E a certeza de que é uma casta que se comporta bem em qualquer local, que dada a sua versatilidade não perde o seu ADN quando muda de região.

Obrigado à equipa da Quinta das Carrafouchas por nos ter recebido, ao Hugo Mendes pela aula e à Emília Freire pela organização.

Kroniketas, enófilo esclarecido

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Na Empor Spirits & Wine 3 - Vinhos da Cartuxa (Fundação Eugénio de Almeida)




Mais distante no tempo, e também na Empor Spirits & Wine, realizou-se uma prova de vinhos da herdade da Cartuxa (Fundação Eugénio de Almeida), em que se pôde provar várias colheitas do Scala Coeli, um dos vinhos de topo da empresa, além de espumantes e outras marcas.

Foi uma prova ampla e longa, em que desfilaram nada mais nada menos que 16 vinhos! No final, já se tornava difícil perceber o que se estava a provar. A verdade é que foram apresentadas todas as colheitas disponíveis na empresa, com o intuito de perceber as diferenças de ano para ano.

A Fundação Eugénio de Almeida possui cerca de 1000 ha de vinha e produz 7,5 milhões de garrafas por ano (estamos a falar das vinhas associadas à produção dos vinhos da Cartuxa, não se incluindo aqui a nova aquisição da Tapada do Chaves, em Portalegre).

A prova começou com três espumantes:

  • Espumante rosé 2013, elaborado a partir de Touriga Nacional.
  • Espumante branco 2011, elaborado a partir de Arinto.
  • Espumante Reserva branco 2010, parte do lote fermentado em balseiros.

Os vinhos base estagiam sobre borras, depois 6 meses em inox, mais 12 meses em garrafa após remoagem. Gostei mais do branco, muito vivo e com excelente acidez.

Seguiram-se os vinhos tranquilos, começando pela marca de entrada, o EA.

  • EA rosé 2016, elaborado com Touriga Nacional, Syrah e Alfrocheiro. Achei-o adocicado e algo chato.
  • EA branco biológico 2016, elaborado com Assario (Malvasia Fina). Um toque mineral mas nada de relevante que perdure na memória.
  • Cartuxa branco 2015. Elaborado com Antão Vaz, que transmite aroma e fruta, Roupeiro que transmite estrutura, e Arinto que transmite frescura e acidez. Frutado, estruturado e complexo, estagia 8 meses sobre borras finas com bâtonnage.

Passou-se então ao Scala Coeli (que significa escada para o céu), uma referência ao Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli (normalmente conhecido por Convento da Cartuxa). É produzido desde 2005 com a melhor casta branca e a melhor casta tinta, em cada ano, que não seja tipicamente alentejana. Por isso vamos encontrar sempre castas estrangeiras ou castas de outras regiões do país. Neste caso foram provadas apenas as colheitas elaboradas com castas brancas.

A produção é elaborada com a quantidade de 7500 garrafas como padrão.

  • Scala Coeli branco 2008 (Alvarinho). Primeiro Scala branco. Muito escuro e melado, oxidado na cor e nos aromas, muito envelhecido.
  • Scala Coeli branco 2009 (Verdelho). Bastante frescura, acidez e persistência, mais mineral que o anterior. Também apresentou alguma oxidação, mas menos evidente.
  • Scala Coeli branco 2010 (Viognier). Bastante intenso no nariz, mais compotado e fresco na boca.
  • Scala Coeli branco 2011 (Sauvignon Blanc). Nada típico do Alentejo, menos fresco e mais pesado.
  • Scala Coeli branco 2012 (Pinot Gris). Muito intenso e frutado cítrico no nariz, menos agradável na boca.
  • Scala Coeli branco 2014 (Viosinho). Muito equilibrado no conjunto.

Subiu-se depois mais um patamar e provou-se o Pêra Manca branco 2014.
Foram produzidas 120.000 garrafas, sendo uma parte fermentada em barrica e inox, com bâtonnage. Estagia no final em barricas usadas.

Finalmente três extras.

  • Cartuxa 50 anos branco 2012. Feito com Arinto, Roupeiro e Antão Vaz. Elaborado com curtimenta e estágio de 12 meses.
  • Licoroso 2011 (Alicante Bouschet), tipo LBV.
  • Licoroso 2008 (Touriga nacional), tipo Tawny.

Estes já foram bem mais difíceis de provar, pois já se estava na fase de saturação, e torna-se mais complicado seguir vinhos licorosos que pretendem replicar o estilo do vinho do Porto. Talvez para rever noutra ocasião.

Ufff...

Kroniketas, enófilo esclarecido

PS: Já depois da publicação deste texto, tivemos conhecimento do falecimento, neste mesmo dia, do Presidente do Conselho Executivo da Fundação Eugénio de Almeida, José Mateus Ginó.

A todos quantos o conheciam, à família, aos amigos e à Fundacão apresentamos a nossas sentidas condolências e prestamos uma singela homenagem com a publicação da sua foto.



sábado, 3 de agosto de 2019

Na Empor Spirits & Wine 2 - Luís Pato



Não têm sido muitas as incursões a esta garrafeira que surgiu há cerca de 5 anos junto ao Parque Eduardo VII, em Lisboa, embora as provas sejam frequentes.

A mais recente aconteceu com a presença do produtor Luís Pato, sempre uma presença que vale a pena acompanhar, não só pelos vinhos que nos mostra mas também pelo que nos ensina sobre a sua experiência no mundo dos vinhos.

Luís Pato foi pioneiro no conceito de vinhas velhas e no conceito de vinho de uma única vinha, desde 1995.

Explicou também que o clima da Bairrada é similar ao de Bordéus para efeitos de influência na vinha. A Bairrada tem noites mais frias por efeito da água do mar (24º C em Bordéus em Agosto, 16º C na Bairrada). No calor mediterrânico, mesmo que se vindime mais cedo, há sempre a marca do calor diário e das noites quentes.

Foram provados vinhos de diversos tipos e idades: brancos, tintos, espumantes, novos e velhos. Eis algumas notas sobre os referidos vinhos.

  • Espumante Informal rosado 2014, elaborado apenas com Baga, o primeiro espumante com uvas da famosa Vinha Pan. Nesta vinha são efectuadas duas vindimas: as uvas da primeira destinam-se ao espumante, enquanto a segunda destina-se ao vinho tinto. Não tem madeira, estagiando sobre borras até ao engarrafamento. Não me agradou por aí além, mostrando-se um pouco rústico.
  • Vinha formal rosé 2011. Bical, Touriga e um bocadinho (residual) de Cercial. Suave e redondo.
  • Vinha Formal branco 2017. 100% Bical. Fermentou em madeira de castanho. Não marca o vinho com baunilha, pois é mais porosa que o carvalho pelo que convive com mais ar.
  • Vinha Formal tinto 2015. 100% Baga. Pouco concentrado. Elaborado a partir da segunda colheita do espumante Informal. Estagia 2 anos em madeira. Suave mas pouco expressivo na boca, mais intenso no nariz.
  • Luís Pato Vinhas Velhas tinto 2014. Foi um grande ano de brancos, difícil para tintos. Estagiou 2 anos em madeira. Muito bom nariz, fechado na boca.
  • Luís Pato Vinhas Velhas tinto 2008. Mais evoluído. Taninos mais redondos e mais volume de boca.
  • Luís Pato Vinhas Velhas tinto 1992. Bastante evoluído mas com alguma adstringência e persistência.
  • Luís Pato Vinhas Velhas tinto 1988. Primeira designação de Vinhas Velhas em Portugal. Teve 2 meses de madeira. Algo em queda.
  • Luís Pato Vinhas Velhas branco 2018. Bical, Cercial e Sercialinho. Achei-o desinteressante, parecendo aguado. Frutadinho mas algo inexpressivo.
  • Luís Pato Vinhas Velhas branco 2014. Mais sério, encorpado e estruturado.
  • Luís Pato Vinhas Velhas branco 2000. Nascido em areia, fermentado em madeira. Muito evoluído, quase melado.
  • Luís Pato Vinhas Velhas branco 1995. Adocicado, quase a tender para a colheita tardia.

Foi uma prova bastante didáctica, na qual a panóplia de vinhos provados permitiu aos presentes provar toda esta gama de vinhos e perceber os seus diferentes perfis. O resto... fica ao gosto de cada um, pois houve para todos os gostos.

Kroniketas, enófilo itinerante

quarta-feira, 31 de julho de 2019

No meu copo 781 - Tormes 2018

Adquiri este vinho a partir duma das várias comunicações que recebo via newsletter, neste caso do clube de vinhos Enoteca.

Propunha-se a aquisição de 2 exemplares de 3 vinhos brancos de Verão, sendo que um deles era esta verde da sub-região de Baião, produzido por Lima & Smith.

Na verdade, foi uma surpresa... decepcionante. É certo que na última década os vinhos verdes mudaram de estilo e afastaram-se daquele estilo tradicional (que muita gente ainda pensa que é O VINHO VERDE) de vinho levezinho e com gás, pouco interessante. Agora são vinhos sérios, com diferentes formas de vinificação e estágio, e que se apresentam em muitas versões monocasta para assim mostrarem o melhor de cada sub-região.

Mas este Tormes pareceu um recuo no tempo, de uma ou duas décadas. É exactamente aquilo que os vinhos verdes já não são... que este vinho é! Fresquinho e gasoso, mas pouco mais. Desinteressante. Custa a perceber como um clube de vinhos propõe esta opção na mesma caixa com o Morgado de Sta. Catherina e o Quinta do Cerrado Reserva.

Não havia necessidade...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tormes 2018 (B)
Região: Vinhos Verdes (Baião)
Produtor: Lima & Smith
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Avesso
Preço: 7 €
Nota (0 a 10): 5


sábado, 27 de julho de 2019

No meu copo 780 - La Rosa branco 2018

Os vinhos da Quinta de La Rosa não têm sido presença assídua nas nossas mesas. Na realidade, os contactos mais a fundo deram-se aquando do Festival de Vinhos do Douro Superior de 2016 e posteriormente num jantar com o enólogo Jorge Moreira na Casa do Bacalhau, onde desfilaram quer alguns dos seus vinhos com marca própria (como o Poeira), quer aqueles que elabora nesta quinta de Tim e Sophia Bergqvist.

Tive agora oportunidade de provar um La Rosa branco da colheita mais recente. Foi uma excelente revelação, porque o vinho mostrou-se de elevada qualidade. Não é que isso surpreenda nos vinhos em que o enólogo intervém (veja-se também o caso de sucesso da Real Companhia Velha), mas este ultrapassou o que à partida se esperava.

Logo no primeiro contacto, um aroma vinoso e frutado intenso, com algumas notas minerais. Na boca mostra grande vivacidade, boa amplitude e estrutura, tudo envolvido por uma bela acidez que o torna algo “irrequieto”.

Um final de boca elegante volta a fazer sobressair as notas minerais e uma acidez crocante que traz vivacidade e persistência.

Adequa-se muito bem a pratos requintados de peixe mas bem temperados, sendo que a primeira prova foi efectuada com choquinhos fritos em azeite e alho, em que fez uma bela parceria.

Uma bela revelação que, pela relação qualidade-preço, é mais uma entrada para a nossa lista de sugestões.

Muito bem conseguido!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: La Rosa 2018 (B)
Região: Douro
Produtor: Quinta da Rosa Vinhos
Grau alcoólico: 12,5
Castas: Viosinho (55%), Rabigato, Gouveio, Códega do Larinho
Preço em feira de vinhos: 7,45 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 23 de julho de 2019

No meu copo 779 - Cuvée Saint-Vincent, Pinot Noir 2016

De Itália para França, vamos agora até à Borgonha, essa grande região onde são produzidos alguns dos vinhos mais famosos do mundo!

Este vinho foi provado num painel de vinhos elaborados unicamente com a casta Pinot Noir, num jantar organizado pela garrafeira Néctar das Avenidas e onde contámos com a presença do enólogo Manuel Moreira para nos falar dos diversos vinhos em prova.

De todos os vinhos provados, este chamou-me particular atenção, pelo que resolvi adquirir um exemplar para voltar a prová-lo em casa, sem a companhia de outros vinhos para melhor o apreciar.
As expectativas foram totalmente satisfeitas, confirmando as excelentes impressões que tinha deixado no referido jantar.

É um vinho duma elegância extrema, com corpo quanto baste, boa acidez, redondo e fino na boca. Nada pesado, vibrante, intenso, com taninos amplos sem ser agressivos, apresenta notas de frutos vermelhos, como groselha e framboesa, com final de grande delicadeza. É um daqueles exemplares aos quais assenta na perfeição a expressão francesa que melhor os caracteriza: finesse!

É quando se provam vinhos destes que se percebe porque é que há regiões que têm a fama que têm. Não, não é mito: eles existem mesmo e nem todos têm preços proibitivos! E é quando provamos estas castas na sua região de excelência que percebemos que nem tudo è transportável para outro lado com resultados semelhantes. Se nalguns casos até se podem conseguir excelentes resultados, neste caso é mesmo aqui que se atinge o zénite. E o “aqui” é o berço do Pinot Noir, onde a pouca cor que esta uva transmite aos vinhos não é um problema: eles são mesmo assim, abertos na cor, dum vermelho quase pálido. Não é defeito, é feitio.

Que grande, grande vinho! A minha vénia à Borgonha e ao Pinot Noir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cuvée Saint-Vincent 2016 (T)
Região: Borgonha (França)
Produtor: Vincent Girardin - Mersault
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Pinot Noir
Preço: 17,50 €
Nota (0 a 10): 9

sexta-feira, 19 de julho de 2019

No meu copo 778 - Torri d’Oro, Primitivo di Manduria 2016

Continuamos nos vinhos estrangeiros, passando agora para a Europa.

De Itália, concretamente da região de Puglia, chega-nos este tinto vinificado unicamente com a casta Primitivo – uma novidade absoluta, que dá origem à denominação de origem Primitivo di Manduria.

Também este vinho estava muito bem referenciado, e tendo em conta que os tintos italianos mais comuns não costumam ser nada de especial, e desconhecendo em absoluto esta casta, resolvi apostar na sua compra. E neste caso com total sucesso!

O vinho apresenta tonalidade vermelha profunda, a tender para o granada, com reflexos violetas. No nariz sobressaem os aromas de frutos do pomar, como ameixas e cerejas pretas, e alguma especiaria como canela e cravinho.

Na boca é texturado e encorpado, com taninos firmes mas redondos, mostrando-se amplo e com final intenso e persistente.

Acompanha na perfeição pratos de carne bem temperados e a pedir um vinho com alguma robustez.

Ao contrário do vinho anterior, este convenceu plenamente e mostrou ser um grande vinho! Em Itália, afinal, há mais vida para além do Asti e do Chianti...

Recomendo vivamente a quem tiver interesse em conhecer algo bem diferente do que estamos habituados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Torri d’Oro, Primitivo di Manduria 2016 (T)
Região: Puglia (Itália)
Produtor: Angelo Rocca & Figli
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Primitivo
Preço: 13,96 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 16 de julho de 2019

No meu copo 777 - Rosemount GSM 2013

E agora algo completamente diferente, parafraseando os Monty Python.

Falamos dum vinho australiano, produzido próximo da cidade de Adelaide, com o nome associado às três castas que lhe deram origem. Adquiri-o por curiosidade, como resultado da descrição que dele era feita no site em que o encomendei (www.flashgorumet.pt).

Reza assim:

“Rosemount Estate, criada em 1974, é uma empresa de vinhos australiana baseada na região de Hunter no sul da Austrália, sendo propriedade do Grupo Tesouro Wine Estates. No princípio do século 21, Rosemount foi o segundo mais vendido das marcas de vinho australianos nos EUA. A Rosemount construiu uma forte reputação a nível internacional e no seu próprio país para a produção de vinhos de alta qualidade.

Lançado pela primeira vez em 1994, os vinhos GSM são a interpretação da tradicional mistura do velho mundo com as castas Grenache, Shiraz e Mourvèdre, provenientes de McLaren Vale. Os ricos sabores de frutas picantes de Grenache equilibra o poder opulento de Shiraz e a estrutura firme de Mourvèdre, com o Shiraz proporcionando uma grande estrutura e equilíbrio para o fruto inicial do Grenache. Este vinho não é apenas altamente atraente em novo, mas também tem a capacidade comprovada para envelhecer bem.

Frescura, vibração e grande potabilidade são as qualidades que Rosemount Estate promete em cada garrafa. Um vinho fácil de beber e cheio de sabores deliciosos.

Syrah
Popularmente conhecida como Shiraz, principalmente na Austrália onde tem enorme sucesso, esta casta resulta na produção de vinhos escuros, ricos, fortes, com um elevado grau de álcool e ligeiramente apimentados. Combina na perfeição com várias outras castas e envelhece de forma sublime, conferindo ao produto final o estatuto de um vinho tinto verdadeiramente clássico.
As principais notas aromáticas: cerejas pretas, groselhas negras, amoras, ameixas, damascos, pimenta preta, alcaçuz, gengibre, chocolate preto, violeta.

Grenache
Os climas quentes e secos potenciam todo o sabor desta casta que, com o seu paladar frutado e apimentado, revela ainda um grau de álcool substancial, ideal para combinar com outras castas ou para liderar, sozinha, aquele que já é considerado um dos vinhos tintos mais na moda.
As principais notas aromáticas: morangos, framboesas, groselhas vermelhas, ginjas, pimenta preta, gengibre moído, chocolate, violetas.

Monastrell
Uma das castas melhor adaptadas ao calor, a uva Monastrell contribui com estrutura e notas de amoras maduras nos potentes tintos do Mediterrâneo, principalmente no sul da França, onde é conhecida como Mourvèdre. É umas das castas mais antigas em produção. Segundo algumas teorias, a uva Mourvèdre chegou a Espanha levada pelos fenícios em 500 a.C. A Espanha é o país com a maior área plantada, chegando a mais de 60 mil hectares.

Um vinho do novo mundo com 3 castas típicas do velho mundo. Foi Wine Spectator Top 100 de 2007, e ao saboreá-lo, você pode ver o porquê.”


Perante tão opulenta descrição, a expectativa era elevada. No entanto, o vinho não correspondeu de todo. Demasiado álcool tornou o vinho adocicado e algo enjoativo. Faltou-lhe um perfil mais vibrante assim como riqueza de aromas.

Há cerca de uma década, em Portugal, fomos invadidos por uma praga de vinhos deste género, que encheram o mercado de verdadeiras xaropadas. Não digo que fosse exactamente este o caso, mas a verdade é que não convenceu de acordo com o que era anunciado.

Demasiado caro para o prazer proporcionado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Rosemount GSM 2013 (T)
Região: McLaren Vale (Austrália)
Produtor: Rosemount Estate – McLaren Vale, South Australia
Grau alcoólico: 15%
Castas: Grenache, Syrah, Mourvèdre
Preço: 14,25 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 12 de julho de 2019

No meu copo 776 - Couquinho Superior branco 2018

Eis uma novidade absoluta à mesa. Um vinho branco do Douro que me chegou por meio de mão amiga e que se mostrou bastante simpático.

De cor clara a tender para o limonado, no nariz apresenta notas florais a par com algum citrino.

Não muito estruturado, na boca é relativamente aberto embora apresentando algum volume e persistência, com acidez equilibrada e bem marcada.

No final apresenta-se elegante, com bom comprimento e alguma delicadeza.

Foi experimentado com vários pratos, e aquele com que casou melhor foi com uma pescada dourada (uma espécie de molho de fricassé mas com peixe em vez de frango). É portanto um vinho tendencialmente mais vocacionada para pratos de peixe delicados e com algum requinte.

Como primeira experiência, ficou bastante bem na prova.

Enologia de João Brito e Cunha e Vítor Rabaçal.

Obrigado à Filipa Trigo pela oferta do vinho.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Couquinho Superior 2018 (B)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Couquinho - Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Rabigato, Gouveio
Preço: cerca de 10 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 9 de julho de 2019

No meu copo 775 - Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2013

Aqui está mais um clássico, um vinho mais ou menos consensual. Temo-lo acompanhado ao longo dos anos e sempre se mostrou um vinho fácil de agradar, tornando-se uma referência da região e da Quinta da Alorna.

Esta pareceria entre duas castas emblemáticas, uma nacional e outra internacional, funciona sempre bem, de tal forma que também é utilizada na elaboração de rosés. No entanto, este Reserva tem apresentado algumas oscilações de colheita para colheita.

O vinho em causa, da colheita de 2013 adquirido em Outubro de 2017, pareceu algo despersonalizado. Poderá estar numa fase decrescente de evolução, mas o aroma apresentou-se discreto, sem se fazer sentir aquelas características mais típicas da Touriga e do Cabernet que encontrámos noutras colheitas.

Tal como no aroma, na prova de boca apresentou-se algo discreto em termos de corpo e estrutura, com o final a ficar algo curto.

Há anos e anos, há colheitas e colheitas, há garrafas e garrafas. Continua a ser um bom vinho, mas certamente voltaremos a encontrá-lo em melhor forma. O problema é que as expectativas já estão mais altas do que a média, e nem sempre podem ser cumpridas na totalidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2013 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 5,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 6 de julho de 2019

No meu copo 774 - Adega de Borba Reserva (Rótulo de Cortiça) tinto 2015

Voltamos a mais um clássico! Este faz-nos companhia há muitos anos, apesar de não ser uma visita muito frequente.

Em caso de dúvida, contudo, trata-se sempre duma aposta segura. Assim aconteceu num repasto mais alargado para acompanhar cabrito assado no forno e entrecôte de carne dos Açores. Entre várias opções menos consensuais, eu e o tuguinho resolvemos revisitar este, e em boa hora o fizemos.

Tendo sido previamente decantado, este Borba Reserva tinto, popularmente conhecido como “Rótulo de Cortiça”, apresentou-se ainda com bastante juventude no aroma apesar de já contar com quase 4 anos após a colheita.

No primeiro contacto sobressaem frutos maduros no aroma, com uma cor rubi carregada a mostrar um vinho menos concentrado do que era habitual. Na boca revela estrutura e taninos firmes mas macios, dando uma prova com alguma frescura e elegância, ao contrário do perfil clássico que era mais fechado e robusto.

O fim de boca é persistente mas macio.

Estagiou 12 meses em barricas de 3º e 4º ano, seguindo-se 6 meses em garrafa.

Confirmou tudo o que se esperava dele, com esta nuance de parecer agora um vinho um pouco mais aberto e mais moderno, mas sem perder a tipicidade. É claro que também faz parte das nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Adega de Borba Reserva (Rótulo de Cortiça) 2015 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Adega Cooperativa de Borba
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 8


Foto da garrafa obtida a partir de motor de busca

terça-feira, 2 de julho de 2019

No meu copo 773 - Reguengos Reserva dos Sócios 2014

Este vinho é uma novidade relativamente recente da CARMIM (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz), e foi adicionado ao portefólio como parceiro do clássico Garrafeira dos Sócios. A primeira colheita com que tive contacto foi a de 2012, e desde logo me agradou.

À semelhança do que já acontece com alguns vinhos emblemáticos do país (na Sogrape, o que não é seleccionado para ter o rótulo de Barca Velha vai para Reserva Especial; nas Cortes de Cima, o que não é seleccionado para ter o rótulo de Incógnito vai para Homenagem a Hans Christian Andersen), este vinho aparece como aquele que não foi seleccionado para ter o rótulo de Garrafeira dos Sócios.

Depois dum primeiro estágio de um ano, onde é sujeito a provas regulares, o vinho dá origem a dois lotes em que o melhor irá para Garrafeira dos Sócios e o segundo melhor irá para Reserva. É neste momento que se estabelece a diferença, pois o Garrafeira continuará em estágio por mais 8 a 12 meses passando ainda por um período posterior de repouso em garrafa, enquanto o Reserva será então engarrafado. Em resumo, a diferença essencial entre os dois vinhos prende-se com o tempo de estágio em barrica e em garrafa.

Daqui resulta que este Reserva dos Sócios se apresentará, em princípio, como um vinho um pouco mais jovem, mais robusto e adstringente, com aromas mais frutados. Assim nos pareceu a primeira prova da colheita de 2012 e agora, à mesa, com este 2014.

Muito carregado na cor (com o contributo de 50% de Alicante Bouschet para o lote), denota aromas de fruta preta e silvestre bem como especiarias, dando um prova longa e com boa amplitude. No primeiro contacto apresenta-se com os aromas bastante fechados, evoluindo para uma boca mais macia e aromas mais intensos ao longo da prova.

Dada a sua estrutura e robustez, bate-se bem com pratos de carnes fortes, em que a caça poderá ser a parceria ideal.

É mais um excelente produto proveniente da sub-região de Reguengos de Monsaraz e uma boa alternativa ao Garrafeira dos Sócios por um preço mais atractivo. Um vinho para acompanhar com atenção e que merece entrada directa nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reguengos Reserva dos Sócios 2014 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 6,50 €
Nota (0 a 10): 8


Foto da garrafa obtida no site do produtor

sexta-feira, 28 de junho de 2019

No meu copo 772 - Valle Pradinhos Reserva tinto 2016

Já há algum tempo que não tinha oportunidade de provar este vinho. Por nenhuma razão especial, apenas porque não calhou.

De facto, desde que o conheci sempre foi um vinho que me agradou, pelo seu perfil mais delicado do que o habitual, fugindo ao mais tradicional em terras durienses e transmontanas. Vai para mais de 10 anos a última prova referida aqui no blog, que não foi brilhante, mas depois dessa houve outras ocasiões não relatadas.

E foi assim que numa ocasião em que se reuniram vários comensais, e para fugir à ditadura do Douro (omnipresente) e do Alentejo, optámos por este vinho para acompanhar uns deliciosos bifes à cortador.

Na verdade, começa a tornar-se cansativo aquele tipo de vinhos super-extraídos e super-concentrados, onde já não espero encontrar nada de novo nem de surpreendente.

Este Valle Pradinhos (que agora tem a designação “Reserva” adicionada ao nome), pelo contrário, apresenta-se bem longe dum vinho que transmita as agruras da região para dentro da garrafa. Tem uma cor rubi concentrada, apresenta um aroma intenso a frutos vermelhos e do bosque, corpo médio e elegante, final persistente e estruturado mas suave.

Faz uma parceria quase perfeita com pratos de carne grelhada ou assados no forno (também já o provei a acompanhar cabrito e foi delicioso).

Não é nada caro para o prazer que nos proporciona e merece, obviamente, figurar na nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Valle Pradinhos Reserva 2016 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Maria Antónia Mascarenhas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Amarela, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 24 de junho de 2019

No meu copo 771 - Morgado de Sta. Catherina Reserva 2016

Numa fase em que a Quinta da Romeira passa por um período de transformação, resultante da sua aquisição pela Sogrape depois de já ter transitado pela Companhia das Quintas e pela Wine Ventures (que ainda produziu esta colheita), tivemos um “encontro imediato” com um dos vinhos mais emblemáticos produzidos na quinta.

Este é um lídimo representante do melhor que o Arinto produz na sua região de eleição. Servido à temperatura certa, cerca de 10º C, parece o branco quase perfeito para todos os pratos e todas as estações.

Está lá tudo. A intensidade aromática do Arinto, as notas cítricas e florais, a estrutura e amplitude de boca, o final persistente, intenso e vibrante, tudo bem envolvido por uma acidez crocante e notas de madeira muito discreta que não atrapalha nem distorce o perfil do vinho.

A colheita provada foi a de 2016 e mostrou-se de excelente saúde, sem sinais de decadência precoce, parecendo estar no ponto óptimo de consumo.

Está um grande vinho e tem entrada directa nas nossas escolhas!

Vamos ver como sairão as próximas colheitas, sob a nova orientação da Sogrape.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Morgado de Sta. Catherina Reserva 2016 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Wine Ventures - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 6,89 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 21 de junho de 2019

No meu copo 770 - Grandjó Meio Doce 2018

Esta é uma das marcas mais tradicionais da Real Companhia Velha.

Raramente nos temos cruzado com este vinho, que agora é por vezes incluído no lote dos vinhos mais doces de colheita tardia (embora a empresa produza também um Late Harvest desta marca).

Esta versão meio doce fica a meio caminho, com a incorporação de duas castas que lhe conferem o maior teor de açúcar, como o Gewürztraminer e o Moscatel.

Apresenta-se com uma cor citrina clara e brilhante, aromas florais e algum frutado exótico. Na boca a doçura sobressai sem ser enjoativa, apresentando um final suave e delicado.

Não sendo claramente um vinho tradicional de sobremesa, também não é um vinho para a refeição. É preciso escolher as parcerias adequadas em que se equilibre o líquido com os sólidos. Talvez algumas entradas, como patés, ou gelados de fruta sejam boas companhias.

Não é um vinho encantador, mas é agradável dentro do género e tem de ser consumido na ocasião adequada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Grandjó Meio Doce 2018 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Gewürztraminer, Moscatel
Preço em feira de vinhos: 4,27 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 17 de junho de 2019

No meu copo 769 - Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 1996

O regresso dum clássico. Reencontrámo-lo num jantar promovido pela garrafeira Néctar das Avenidas com vinhos das Caves São João (também falaremos dele um dia destes). No meio duma panóplia de grandes vinhos, alguns deles sendo novidades absolutas e outros clássicos, este brilhou a grande altura e cotou-se, provavelmente, como a vedeta da ocasião.

Verdade, verdadinha, é que não há nada como voltar a prová-lo em casa, em boa companhia. Assim se fez, na mesma ocasião em que bebemos o Veuve Clicquot e o Reserva do Comendador 2013, e confirmaram-se as melhores impressões e as melhores expectativas.

Estes vinhos antigos que as Caves São João nos vão disponibilizando tornam-se difíceis de descrever, tal é a forma como nos impressionam os sentidos. Neste caso, não são as imagens que valem mais do que mil palavras, mas sim os goles e os aromas com que vamos degustando e aspirando lentamente este néctar delicioso.

Este é um dos exemplares onde nos é mostrado como o Cabernet Sauvignon se expressa na sua melhor forma, com todos os aromas e sabores na conta certa. Nada de excessos, aroma intenso como se fosse 20 anos mais novo, estrutura, persistência e delicadeza bem conjugadas.

Mais do que gastar palavras a tentar descrevê-lo, beba-se! A repetir uma vez, e outra, e outra...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 1996 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 14%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço: 12,50 €
Nota (0 a 10): 9

sexta-feira, 14 de junho de 2019

No meu copo 768 - Marquês de Borba Vinhas Velhas: branco 2017; tinto 2017

Recentemente João Portugal Ramos apresentou novidades do seu portefólio vínico num restaurante de Lisboa. Sobre esse evento falaremos em breve.

Hoje falamos sobre dois vinhos que foram apresentados há cerca de um ano na Adega Vila Santa, em Estremoz, e que na altura deixaram algumas questões em aberto. Como foi referido na altura, foram oferecidas aos presentes duas garrafas do novo Marquês de Borba Vinhas Velhas, um branco e um tinto.

O branco 2017 mostrou-se claramente um vinho a precisar de tempo em garrafa, pois apareceu demasiado marcado pelo estágio em madeira, onde fermentou durante 6 meses.

Nesta mais recente apresentação, no restaurante Faz Figura, voltámos a ter oportunidade de provar o mesmo vinho, que o enólogo considera que pode ter sido o melhor branco que já produziu e que revelou ter também uma pequena quantidade de Petit Maseng além das castas identificadas na ficha técnica. Mas a prova definitiva fez-se em casa, calmamente e em várias refeições.

O vinho apresenta-se com aspecto cristalino num amarelo palha, com aroma predominante de evidenciam-se frutos cítricos. As notas de tosta provenientes da barrica ainda lá estão mas bastante mais domadas e discretas, integrando-se melhor no conjunto. Na boca apresenta-se fresco e com alguma mineralidade, num conjunto com alguma estrutura e volume de boca, com final amplo mas já macio.

A manter-se este perfil, nunca será um vinho para beber demasiado novo, precisando de pelo menos um ano e meio após a colheita para estar bebível de modo a poder ser usufruído em pleno.

Entretanto tivemos oportunidade de voltar a provar o tinto, agora já da colheita de 2017. Fermentou em lagares de mármore com pisa a pé e estagiou durante um ano em barricas de carvalho.

Apresenta uma cor granada intensa, aroma concentrado de frutos pretos e algumas notas de especiarias. Na boca é volumoso e redondo, com taninos aveludados. O final não é exuberante, sendo mais marcado pela suavidade.

Dois novos produtos para explorar noutro patamar de preços.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos

Vinho: Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Alvarinho, Roupeiro
Preço: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Castelão, Syrah
Preço: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8


Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

segunda-feira, 10 de junho de 2019

No meu copo 767 - Reserva do Comendador tinto 2013

Continuamos no Alto Alentejo, mas agora um pouco mais para sul, parando em Campo Maior e num vinho da Adega Mayor.

Este vinho estava a repousar tranquilamente à espera duma boa oportunidade para ser bebido. Não quisemos consumi-lo muito novo, e nesta fase já parecia estar a caminho da maturidade suficiente para se mostrar em pleno à mesa.

De facto, assim aconteceu. Este vinho é um daqueles que não enganam, logo que se chega o nariz ao copo. O primeiro aroma causa grande impacto, com notas de frutos vermelhos e do bosque a sobressair com grande intensidade. Apresenta uma bela cor granada aberta que nos faz olhar para ele e agitá-lo no copo para ver o seu brilho transparente.

Aberto algum tempo antes do consumo, mas sem ter sido decantado, na boca revelou-se já liberto do tempo de garrafa, com leves notas da barrica em que estagiou durante 18 meses, antes de um ano em garrafa.

Com taninos firmes mas sedosos, na boca é encorpado e envolvente, redondo e persistente e com final de grande amplitude e prolongado.

É um daqueles vinhos que nos apetece que não acabe, e que nos mostra aquele patamar de excelência a que só alguns têm o privilégio de se alcandorar.

Brilhante e, obviamente, mais um para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reserva do Comendador 2013 (T)
Região: Alentejo (Campo Maior)
Produtor: Adega Mayor
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Syrah, Touriga Nacional
Preço: 17,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 7 de junho de 2019

No meu copo 766 - Vale Barqueiros Reserva tinto 2015

Voltamos à Herdade de Vale Barqueiros, agora para provar o Reserva tinto.

Como o próprio nome indica, este vinho está num patamar acima dos Colheita Seleccionada provados anteriormente, sendo marcado sobretudo pela estrutura e robustez.

No nariz apresenta notas compotadas e de especiarias, com algum fruto maduro. Na boca é encorpado, persistente e longo.

O elevado grau alcoólico é compensado pelos taninos redondos e maduros.

Um produto muito interessante, que valerá a pena provar novamente em tempo mais frio e com pratos mais invernais, pois todo o seu perfil aponta para ser um vinho de inverno.

Pratos de caça poderão ser um desafio muito interessante.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Vale Barqueiros Reserva 2015 (T)
Região: Alentejo (Alter do Chão)
Produtor: Sociedade Agrícola de Vale Barqueiros
Grau alcoólico: 15%
Castas: Cabernet Sauvignon (55%), Syrah (25%), Alicante Bouschet (20%)
Preço: 11,70 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 3 de junho de 2019

No meu copo 765 - Champanhe Veuve Clicquot

Aproveitando a improvável vitória do Benfica no campeonato nacional de futebol, juntámos um núcleo de bandalhos na celebração anual para degustar uma garrafa de champanhe, a que associámos também a vitória do Sporting na Taça de Portugal pois um dos presentes torce pelos verdes!

Nos últimos anos, eu e o tuguinho tínhamos optado pelo G. H. Mumm Cordon Rouge, aproveitando a associação de nome do champanhe à vitória dos encarnados!

Desta vez, não tendo encontrado esta marca, voltámos a um clássico que já há uns anos não provávamos.

E o que dizer desta viúva? Que nunca nos desilude! É encorpado, intenso de aroma e com boa estrutura na boca, com bolha fina e persistente e final vibrante e refrescante. Continua a ser, dentro deste patamar, um dos melhores na relação qualidade-preço, embora o preço tenha vindo inevitavelmente a subir, mas não deixa de ser uma aposta bem conseguida. Tão bem conseguida que parece que da próxima vez vai ser preciso comprar duas garrafas!

Bom para celebração... e para muito mais!

tuguinho e Kroniketas, enófilos em celebração

Vinho: Veuve Clicquot Champagne Brut (B)
Região: Champagne (França)
Produtor: Maison Veuve Clicquot Ponsardin - Reims
Grau alcoólico: 12%
Castas: Chardonnay, Pinot Noir, Pinot Meunier
Preço: 48,49 €
Nota (0 a 10): 9