quinta-feira, 10 de julho de 2014

Lavradores de Feitoria - Novos brancos no Memmo Alfama Hotel

      
   

Continuando na senda das apresentações de vinhos, aproveitei o lançamento dos novos brancos da Lavradores de Feitoria para me deslocar ao Memmo Alfama Hotel, numa encosta por trás da sé de Lisboa e com uma vista privilegiada sobre a foz do Tejo, para provar os novos produtos e rever alguns dos frequentadores habituais destes eventos.

Estiveram presentes a administradora Olga Martins e o administrador e director de enologia Paulo Ruão, que fizeram uma pequena apresentação dos produtos em lançamento.

À prova estiveram as novas colheitas do Lavradores de Feitoria Três Bagos branco 2013 (um lote de 50% de Viosinho, 40% de Gouveio e 10% de Malvasia Fina), o Sauvignon Blanc 2013, o Riesling 2013 e o Colheita Tardia 2010. Como curiosidade houve ainda a apresentação do Sauvignon Blanc em pequenos tubos, parecidos com pipetas, sob a designação WIT (Wine In Tube).

Acompanhados por alguns acepipes com base em produtos do mar (a excepção foram uns croquetes de carne e uns pregos que apareceram mais para o fim da tarde), fomos podendo provar os diversos brancos à vontade, pela ordem que quisemos e quantas vezes quisemos.

Cada um com as suas características, gostei de todos os vinhos apresentados, embora com percepções diferentes. O Três Bagos de lote apresentou-se um pouco mais complexo, mineral e estruturado, como é normal, com boa frescura e acidez, sendo um bom companheiro dos petiscos apresentados. O Sauvignon Blanc e o Riesling (duas castas do meu particular agrado) apresentaram-se com os traços característicos de cada uma: o Sauvignon Blanc elegante e suave, com um toque citrino e tropical e com o vegetal, que por vezes aparece demasiado marcado, pouco evidente tanto no nariz como na boca; o Riesling, assinado pelo “chef” Rui Paula (restaurantes DOP e DOC), ligeiramente adocicado mas com muito boa acidez, muito fresco e redondo e equilibrado na boca.

De realçar que todos estes brancos fermentaram 80% em inox e apenas 20% em barricas novas de carvalho francês, estagiando depois 4 a 5 meses nas mesmas proporções. A madeira está aqui praticamente imperceptível na prova, apenas compondo um pouco a estrutura dos vinhos, mostrando-nos bons exemplos de como a madeira pode ser usada nos vinhos brancos sem abafar os aromas e a frescura que se pretende. Neste caso, a Lavradores de Feitoria parece estar no bom caminho no que respeita à utilização das barricas nos seus vinhos brancos.

Finalmente, o Colheita Tardia, feito 100% de Sémillon, com algum melado na cor, ligeiramente doce mas não demasiado, fresco redondo e persistente, um bom vinho de sobremesa para o Verão.

Foi um fim de tarde bem passado, em boa companhia, num local agradável e com vinhos muito interessantes. Resta-me agradecer o convite enviado por Joana Pratas e à Lavradores de Feitoria por ter trazido a Lisboa os seus novos produtos e por nos ter proporcionado a oportunidade de prová-los, e desejar sucesso com estes novos lançamentos, que irão certamente fazer o seu caminho. Assim se dêem a conhecer ao público.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Na Delidelux 5 - Quinta do Monte d’Oiro

 

Apenas dois dias após a prova anterior, voltámos ao “local do crime” para uma grande prova com vinhos da Quinta do Monte d’Oiro. Aqui o panorama foi diferente: houve provas comparadas de duas colheitas diferentes dos mesmos vinhos.

A excepção foram os vinhos iniciais. Começámos pelo único branco presente, o Madrigal, um bom exemplar da casta Viognier, com um toque citrino, algum tropical e uma certa mineralidade, com uma boa estrutura e alguma complexidade a pedir comida a acompanhar. Estagiou em madeira mas esta não está minimamente presente no aroma nem no sabor. Um vinho eminentemente gastronómico.

Depois o tinto de entrada de gama, o Lybra, que veio substituir o Vinha da Nora, feito com base em Syrah, mas com uma filosofia algo diferente, mais jovem e com aroma frutado mais presente que o seu antecessor, um vinho de mais fácil consumo. Pessoalmente, ainda prefiro o anterior, mas talvez a evolução em garrafa permita lhe aproximar o perfil do anterior.

Entrámos em seguida nos grandes vinhos da casa: o Têmpera, o Aurius e o Quinta do Monte d’Oiro Reserva. De cada um, duas colheitas, uma recente e uma mais antiga.

Provados pela ordem indicada, do Têmpera tivemos a colheita de 2004 e a de 2009, ambas feitas exclusivamente com Tinta Roriz. Do Aurius tivemos a colheita de 2002 (já a provámos aqui) e a de 2006, em que na colheita mais recente a Touriga Nacional substitui a Tinta Roriz como casta dominante, mantendo-se o Syrah e o Petit Verdot em pequenas quantidades. Do Reserva, tivemos a colheita de 2004 (14,5% de álcool) e a de 2010: a base é o Syrah, com cerca de 5% de Vioginier.

Embora as opiniões se dividam, a nossa preferência pendeu claramente, em todos os casos, para as colheitas mais antigas. Apresentam menos fruta mas ganham em finesse, em aromas secundários, em elegância, em delicadeza que só o tempo em garrafa permite. Todos eles passaram por madeira (habitualmente entre um e dois anos), mas nenhum deles o denota. A madeira aparece aqui apenas como tempero para dar alguma estrutura e complexidade aos vinhos, não para os marcar nem se sobrepor aos aromas. Difícil é dizer de qual se gosta mais, pois o nível de todos eles é elevadíssimo, embora os preços vão em crescendo. Mas são vinhos que apetece ficar a apreciar por tempo indeterminado, descobrindo os seus segredos e o que faz tão atraentes. Como em tempos referi aqui acerca do Vinha da Nora, estamos perante vinhos aristocráticos, que se impõem pela elegância e suavidade que transmitem ao consumidor. E são todos grandes, grandes vinhos!

Um bem haja a José Bento dos Santos e à sua equipa por nos permitirem apreciar estes vinhos que nunca passam de moda, porque nunca estão na moda. Ou então estão sempre, porque são independentes do tempo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Na Delidelux 4 - Luís Pato

   

O mês de Junho terminou com duas provas apenas com dois dias de intervalo na Delidelux, com o tema “Duas grandes provas com dois grandes produtores”: Luís Pato na primeira e Quinta do Monte d’Oiro na segunda.

Começámos com Luís Pato, que apresentou novidades fora do comum, como é habitual. Para além do já conhecido espumante branco Luis Pato bruto 2012, feito com 95% de Maria Gomes e 5% de Sercialinho, tivemos um espumante rosé muito interessante, o Informal 2013, 100% Baga e 100% proveniente da Vinha Pan. Depois houve ainda outro espumante, o Vinha Formal 2009, com uma cor que não era nem branco nem rosé, mas uma cor pálida, quase alaranjada: feito com Bical e Touriga Nacional, é um espumante muito aromático e interessante, vivo na boca e com uma acidez muito refrescante, vocacionado para entradas, pratos leves ou simplesmente para a conversa.

Para além destes foram apresentados dois tintos: o BTT 2009 (Baga, Tinto Cão e Touriga Nacional em partes iguais), um vinho em que a Baga está praticamente escondida e quase nada mostra de Bairrada, misturando-se os aromas de cada uma duma forma pouco vulgar, que torna difícil identificá-lo. Mas é um vinho fascinante por isso mesmo, porque requer que se descubra aquilo que ele pode mostrar: estrutura, alguma robustez, persistência, um certo floral.

Finalmente um dos vinhos emblemáticos do produtor, o Vinha Pan 2009, baseado na Baga, um vinho estruturado e concentrado, longo e a prometer longa vida pela frente.

Como sempre, valeu a pena conhecer as criações de Luís Pato, em que a grande curiosidade foi sem dúvida o espumante Vinha Formal, com aquela cor fora do comum.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 30 de junho de 2014

No meu copo 391 - Vallado branco 2012; Moscatel Galego branco 2011; Touriga Nacional rosé 2012

Não nos temos cruzado muitas vezes com os vinhos deste produtor, pelo que foi com curiosidade acrescida que provei este branco da Quinta do Vallado na versão standard, se assim lhe podemos chamar, depois de há uns anos ter provado o monocasta de Moscatel Galego.

Foi bebido a acompanhar peixe grelhado, um prato à partida não muito desafiante, mas o vinho portou-se bem e não deixou o seu nome mal visto.

É um branco a que poderíamos chamar clássico, aromático, suave, que apresenta uma boa frescura e acidez na prova de boca, com final elegante e persistente. O aroma tem uma componente algo floral e simultaneamente algum citrino. Muito equilibrado em todas as suas componentes, bebe-se com prazer e é um daqueles vinhos que se tornam gulosos sem darmos por isso, à medida que vamos bebendo mais um copo.

Dentro dos brancos da gama média, é uma boa aposta para pratos de peixe não demasiado condimentados mas, antes, a pedir algum requinte. É de repetir, e esse é o melhor elogio que lhe podemos fazer.

Quanto ao Moscatel Galego, este em repetição, mostrou-se mais exuberante no aroma, com acidez mais marcada, aromas exóticos com alguma mineralidade, elegante na boca e final persistente. Sendo dois vinhos com perfis algo diferentes, ambos merecem atenção e nova prova. Por isso entram para a nossa lista de sugestões.

O que já constava nessa lista de sugestões era o rosé de Touriga Nacional, provado há cerca de um ano. Esta colheita de 2012 confirmou o perfil da colheita de 2011, onde já então eu comecei a desconfiar da boa aptidão da Touriga Nacional para fazer rosés, talvez até mais do que tintos: floral, suave, aberto, elegante e aromático, onde os traços típicos violetas da casta se expressam na plenitude, perdendo o carácter por vezes chato e cansativo que marcam muitos tintos. Pelo menos, dos rosés portugueses que tenho provado, o que estão no topo da minha lista são feitos de Touriga Nacional. Este foi apenas mais uma confirmação. É o típico rosé de Verão e esplanada, de cor salmão pouco carregada, leve e para beber descontraidamente, mas que não descura uma boa companhia de entradas ou pratos leves e frescos.

Quando a Quinta do Vallado se impõe no mercado essencialmente pela personalidade e pujança dos tintos, nós seguimo-la pela leveza e elegância dos brancos e rosés. Vale a pena experimentar este caminho diferente.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado

Vinho: Vallado 2012 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Gouveio, Rabigato, Viosinho
Preço em feira de vinhos: 5,79 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vallado, Moscatel Galego 2011 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Vallado, Touriga Nacional 2012 (R)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,97 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 26 de junho de 2014

No meu copo 390 - Conde de Vimioso Reserva 2003

Este vinho é um dos produtos que compõem o vasto portefólio de vinhos de João Portugal Ramos em diversas regiões do país, neste caso na sua produção ribatejana de Almeirim.

Tendo já uma respeitável idade, como alguns dos vinhos que temos apreciado ultimamente, existe sempre a dúvida sobre como evoluiu ao longo de 10 anos, tendo em conta que é a produção de topo da Falua.

Há algum tempo tivemos oportunidade de provar os brancos e tintos da gama de entrada, que se portaram muito bem, e agora subimos ao patamar superior.

Este Conde de Vimioso Reserva 2003 apresentou-se ainda bastante encorpado, com alguma pujança mas já amaciado pelo tempo e com taninos muito arredondados. A madeira onde estagia está disfarçada e apenas lhe confere alguma complexidade e estrutura, mas não marca o perfil do vinho.

Mostrou-se ainda carregado na cor, com algumas notas de frutos vermelhos a espreitarem lá no fundo do aroma que se liberta se o deixarmos respirar.

Um bom vinho, sem dúvida, mas o preço torna inevitável a comparação com outros da mesma gama, o que talvez torne a sua aquisição menos aliciante...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conde de Vimioso Reserva 2003 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira
Preço: 13,99 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 22 de junho de 2014

No meu copo 389 - Herdade da Comporta: branco 2012; tinto 2009

Já há algum tempo que andava a tentar arranjar uma oportunidade para provar os vinhos da Herdade da Comporta, situada no extremo sul da península de Tróia. Aproveitando uma promoção adquiri uma garrafa de branco e uma de tinto, que bebi em ocasiões diferentes.

Começando pelo branco, tendo em conta o perfil que é habitual nos brancos da Península de Setúbal, devo confessar que esperava mais. Apesar da proximidade do mar e das noites temperadas da região, este branco de 2012 não me satisfez particularmente. Sabe-se que o Arinto costuma ser uma casta que melhora os vinhos em que é usada, mas neste caso o Antão Vaz parece querer dar-lhe mais um perfil do Alentejo do que do Sado. Revelou-se pouco elegante, com aroma em que a fruta aparece algo escondida e mostrou pouca frescura na boca.

Quanto ao tinto de 2009, a decepção foi maior. Demasiado agressivo na boca, adstringência em excesso, álcool exagerado a tornar a prova desequilibrada, com a fruta ofuscada pelo teor alcoólico e pelo excesso de evidência da madeira. Embora já não seja propriamente um vinho novo, talvez precise de mais tempo em garrafa para que todo o conjunto evolua, se integre e mostre um conjunto mais equilibrado.

Enfim, é pena, mas não fiquei convencido com nenhum destes vinhos da Herdade da Comporta. Certamente o prestígio de que este nome já goza mereceria uma avaliação mais positiva... mas pode ser que haja uma segunda oportunidade que corra melhor. A julgar por estas primeiras impressões, não ficou grande vontade de repetir...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: Herdade da Comporta - Actividades Agro-Silvícolas e Turísticas

Vinho: Herdade da Comporta 2012 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Herdade da Comporta 2009 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,62 €
Nota (0 a 10): 5

quarta-feira, 18 de junho de 2014

No meu copo 388 - Pinheiro da Cruz 2004

Já há alguns anos que não bebia este vinho, e esta garrafa já repousava há bastante tempo na garrafeira. Foi uma revelação há mais de uma década, quando ainda não tinha denominação de origem e era apenas uma produção quase local.

Depois, as leis do mercado (e da rotulagem) fizeram das suas. O vinho alterou-se, modernizou-se de certa forma descaracterizou-se. Sobre isso já tivemos oportunidade de falar noutra ocasião, aquando duma outra prova.

Agora tem castas internacionais, castas da moda e ainda tem uns laivos daquilo que em tempos foi. Esta colheita foi composta por nada menos de 6-seis-6 castas! Mas não é por isso que o vinho se tornou melhor.

No caso deste exemplar, resolvi esperar pela prova do tempo para ver como se comportava. E comportou-se bem. Não decaiu, não apresentou sinais de evolução excessiva, mostrou alguma pujança que era a sua imagem de marca, embora não seja não robusto e encorpado como antes. Alguma fruta vermelha e do bosque apareceu discretamente, abrindo-se em aromas mais profundos à medida que respirava.

Enfim, foi bom matar saudades, mas não sei quando poderei repetir o acto, pois desde esta compra (realizada em 2007) não voltei a encontrá-lo. Talvez se venda à porta da prisão, ou apenas em locais selecionados. Mas tenho saudades, não deste, mas das primeiras versões, quando queria ser um vinho genuíno e não um vinho respeitador das leis do IVV ou da Comissão Vitivinícola Regional...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pinheiro da Cruz 2004 (T)
Região: Terras do Sado (Melides - Grândola)
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Periquita, Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço: 7,27 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 14 de junho de 2014

No meu copo 387 - Periquita Reserva 2007

Continuamos no universo José Maria da Fonseca, com mais uma criação do enólogo Domingos Soares Franco. Desde que alargou o seu portefólio muito para além do Periquita – com o lançamento da versão em branco e em rosé, para além de novos produtos sob a chancela Domingos Soares Franco Colecção Privada ou do sublime Hexagon (provado em duas colheitas, 2000 e 2003) – uma das novas criações foi, para além do Periquita clássico, o lançamento dum Reserva, de perfil mais complexo.

Em 2010 adquirimos esta garrafa numa promoção da Revista de Vinhos e guardámo-lo até agora. Foi aberto com antecedência, não tendo sido decantado porque não pareceu estar tão fechado que o justificasse. No entanto, ao longo da refeição foi libertando aromas, tendencialmente a frutos vermelhos, violetas e compota, e tornando-se mais macio. O estágio de 8 meses em madeira confere-lhe alguma complexidade na prova de boca, mostrando-se medianamente encorpado e terminando com persistência média.

Esperava-se, talvez, um pouco mais deste Reserva, que no patamar em que se coloca encontra alguns concorrentes de peso que podem justificar a preferência dos consumidores. É um vinho agradável de beber, mas parece que lhe falta um “clic” para se guindar a outro nível.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Periquita Reserva 2007 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 6,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 10 de junho de 2014

No meu copo 386 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Moscatel Roxo rosé 2010


Estamos em presença de um rosé que causou alguma polémica quando surgiu no mercado, numa aposta ousada e arriscada de Domingos Soares Franco, por ser composto exclusivamente por uma casta que quase desapareceu e foi recuperada pelo enólogo, e cuja máxima expressão se revela em pleno no vinho generoso a que dá o nome. Tem feito sucesso no mercado e divide opiniões.

Pela minha parte, esta foi a segunda prova que fiz dele, e acho que não deve ser adorado nem detestado. Apresenta uma cor salmão desmaiada, quase a tender para o incolor, aroma marcado a flores, é leve, fresco e macio, primando pela elegância. No entanto, no final parece-me sempre que lhe falta algo mais, pois pode tornar-se um pouco incaracterístico, parecendo ser pouco... vinho...

Não é de desprezar e merece ser provado e conhecido, até pela originalidade da sua produção. Mas não é, de todo, excepcional, e pode tornar-se um pouco caro para o prazer que nos proporciona.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Moscatel Roxo rosé 2010 (R)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Moscatel Roxo
Preço em feira de vinhos: 10,38 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Na Wine O’Clock 17 - Esporão e Quinta dos Murças

Mais uma prova na Wine O’Clock, desta vez com vinhos produzidos pelo Esporão na Quinta dos Murças, no Douro, para além dos produzidos na Herdade propriamente dita, em Reguengos de Monsaraz.

Presente a enóloga da Quinta dos Murças, que nos apresentou as versões branco, rosé e tinto do Assobio, vinho da gama de entrada, para além do Reserva tinto e do Porto Vintage. Da herdade no Alentejo compareceram à prova apenas os exemplares com o nome da casa, o Esporão Reserva branco e o Esporão Reserva tinto.

Em relação aos alentejanos, nenhuma surpresa: o tinto é sempre um valor garantido, com estrutura e suavidade, elegância e persistência, mantendo o perfil que há muito nos habituou. A actual versão do Reserva branco já apresenta menos madeira do que noutras edições, o que lhe confere outra suavidade e permite fazer sobressair mais os aromas frutados, tornando o vinho mais fresco e gastronómico.

Quanto aos vinhos produzidos no Douro, o Assobio branco e o tinto agradaram, com o perfil mais ou menos habitual no Douro. Ambos suaves e frutados, com persistência média e alguma elegância na prova de boca. Já o rosé mostrou-se “chato”, linear, com falta de acidez, um vinho que se torna enjoativo e desinteressante. A rever, certamente, pela credenciada equipa de enologia da casa, chefiada pelo conhecido David Baverstock. Os preços situam-se na casa dos 6,95 €, pelo que certamente estes vinhos poderão competir com outros da mesma gama.

Na transição do Assobio para o Esporão Reserva ainda provámos o espumante branco da Herdade do Esporão, que se apresentou algo linear e de aroma discreto. Há uns anos provámos o espumante rosé, que nos agradou bastante mais.

O Quinta dos Murças Reserva tinto mostrou outra estaleca: é um vinho de topo, cheio de garra, estrutura, corpo, aroma, muito longo... Claro que o preço reflecte o que está na garrafa, situando-se na casa dos 20 €. Mas o produto é muito bom.

Finalmente, um Porto Vintage Quinta dos Murças, na linha dos habituais. Muita concentração, fruto maduro, taninos muito firmes. Um vinho para durar e apreciar lá mais para a frente, a cerca de 50 € a garrafa.

Foi uma prova interessante, porque nos deu a conhecer o outro lado dos vinhos do Esporão, com uma viagem à descoberta do Esporão no Douro. Valeu a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 2 de junho de 2014

No meu copo 385 - Dão Borges, Touriga Nacional 2004

Voltamos a um vinho com o qual nos temos cruzado raramente, embora existam alguns exemplares em casa. A primeira prova efectiva tinha ocorrido há uns anos num belo repasto no restaurante Os Arcos, na companhia do tuguinho e do Politikos, com uma garrafa da colheita de 2005 a bater-se exemplarmente com uns excelentes bifes pimenta.

Recentemente abrimos uma garrafa da colheita de 2004 que repousava na garrafeira, para acompanhar uma carne requintada no forno, e voltou a portar-se exemplarmente. É um daqueles vinhos que conseguem conciliar o melhor de dois mundos: estrutura com taninos firmes e elegância!

Apresentou-se com uma cor rubi carregada com laivos violáceos, boa estrutura e volume de boca mas muito elegante, aroma profundo com algum floral marcado por violeta e frutos do silvestres, taninos bem firmes mas macios e com final longo mas suave, tudo muito equilibrado, sem qualquer sinais excessivos de madeira a sobrepor-se ao conjunto. Uma delícia, que se mostrou no ponto para beber, tendo passado com distinção a prova do tempo.

Excelente vinho, que por vezes, com alguma sorte, conseguimos comprar pelo preço mencionado mais abaixo, embora normalmente o preço de referência seja significativamente superior. Mas por este preço, é imperdível. Faz parte dos melhores entre as nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Borges, Touriga Nacional 2004 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 9,85 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Na Wine O’Clock 16 - À volta do mundo com Raul Riba d’Ave



Foi um fim de tarde diferente no que respeita às provas de vinhos, pois esta partiu dum conceito pouco habitual: provar vários vinhos de diferentes países e todos com diferentes características. Viajámos de Portugal à Nova Zelândia, passando por França e Alemanha, Espanha, Itália e Argentina.
Convidado para orientar o evento enólogo Raul Riba d’Ave, que nos propôs 4 brancos e 3 tintos.

Começando naturalmente pelos brancos, o primeiro a vir à liça foi um SA Prum Solitar Trocken 2012, um Riesling da Alemanha, da região do Mosel, berço da casta e onde esta melhor expressa as suas características. Ligeiramente adocicado mas com excelente acidez, muito frutado e elegante na boca, o Riesling (para quem gosta, como é o nosso caso) no seu melhor. Foi muito apreciado pelos presentes.

Seguiu-se um Monte Tondo 2013 de Pinot Grigio, da região de Veneto, no norte de Itália, próximo dos Alpes, que se mostrou mais seco e picante na boca mas menos ácido e mais simples. Um vinho mais fácil mas menos atractivo.

Em seguida demos uma volta pela Nova Zelândia, região de Marlborough, para um monocasta Sauvignon Blanc de 2012 da Ribbonwood (uma aquisição da Sogrape nos antípodas), que se mostrou demasiado vegetal, muito marcado pelo verde da casta, que não fez as delícias dos presentes, faltando-lhe a componente mais frutada que se encontra normalmente nestes vinhos, e que está tão bem representada no Villa Maria.

Para comparar com este, passámos por França e avançou um Hubert Brochard 2013, da região de Sancerre, que se apresentou muito mais elegante e equilibrado que o antecessor, embora com os aromas algo discretos.

De realçar que nos brancos a graduação alcoólica máxima foi de 13%, tendo o Riesling apenas 11,5% de graduação e o Pinot Grigio 12,5%.

Terminados os brancos, passámos a 3 tintos, começando pela vizinha Espanha, região de Toro: um Terra D’Uro Roble 2010, com base no Tempranillo (a nossa Tinta Roriz/Aragonês). Mostrou pujança e ao mesmo tempo alguma macieza, com taninos presentes mas redondos e sem marcar demasiado o conjunto.

Em seguida Argentina onde se tem dado tão bem a já famosa Malbec, com um Crios 2012 da região de Mendoza. Criado em altitude, próximo dos Andes, numa zona semi-desértica onde anteriormente as águas do degelo eram usadas para a rega da vinha. Este mostrou os taninos mais presentes, mais seco mas com muita estrutura, para durar.

E terminámos com um tinto do Douro, um Roquette & Cazes 2011, que mostrou o perfil típico dos tintos muito concentrados do Douro, muito alcoólicos e taninosos. Algo cansativo...

No geral, e em jeito de balanço, foi uma prova muito interessante. Uns vinhos agradaram mais que outros, como é normal, e a apreciação não foi consensual em vários casos, mas teve a virtude de permitir comparar vinhos com a mesma casta em regiões muito distintas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Wivini - Novo link


Acrescentámos à nossa lista de links mais uma garrafeira de vendas online, a Wivini, que apresenta uma oferta diversificada de bebidas e algumas promoções interessantes.

Podem encontrá-la no lado direito da página, na secção “Outras tascas”, a seguir à Wines 9297.

Votos de sucesso é o que daqui lhe enviamos.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

segunda-feira, 26 de maio de 2014

No meu copo 384 - Champanhe G. H. Mumm Brut Cordon Rouge

Na expectativa de comemorar o inédito “triplete” do Sport Lisboa e Benfica, e na falta de bilhete para assistir ao jogo no Estádio Nacional, eu e o tuguinho juntámo-nos para assistir à final da Taça de Portugal Benfica-Rio Ave via televisão, e preparámos uma garrafa de champanhe para abrir no fim.

Depois da vitória, sofrida mas saborosa, abrimos a garrafa deste champanhe G. H. Mumm Cordon Rouge, um dos poucos que estavam disponíveis na garrafeira do Continente (como a garrafa foi comprada no próprio dia, não houve tempo para ir a outro local procurar maior variedade de marcas).

A verdade é que não ficámos nada mal servidos com este G. H. Mumm: bolha fina, corpo muito elegante, excelente acidez, persistência e frescura na boca e aquela finesse que só os genuínos champanhes conseguem mostrar, situando-se ao nível dos melhores que já tivemos oportunidade de provar – e não têm sido assim tantos. Tendo em conta o preço, será mesmo uma das melhores escolhas, uma vez que outras marcas de renome já estão, frequentemente, acima dos 40 €. E como estávamos em modo de festejo, o néctar borbulhante ainda nos soube melhor.

Para futuras ocasiões, quando for necessário comprar um champanhe, o G. H. Mumm passa a ser uma opção a ter em devida conta.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos em festejo de triplete com bolhinhas

Vinho: G. H. Mumm Champagne Brut Cordon Rouge (B)
Região: Champagne (França)
Produtor: G. H. Mumm & CIE - Reims
Grau alcoólico: 12%
Castas: Não indicadas
Preço em hipermercado: 36,99 €
Nota (0 a 10): 9

quinta-feira, 22 de maio de 2014

No meu copo 383 - Fiúza: 3 Castas branco 2012; Sauvignon Blanc 2013

E após dois vinhos medianos, uma surpresa vinda da Fiúza! Esta versão em branco do 3 castas, um vinho da gama baixa como os dois referidos no post anterior, foi uma bela revelação pela positiva.

Com uma cor amarelo dourado, fresco, persistente e com boa acidez na boca, com aromas cítricos e um ligeiro toque tropical, final algo irrequieto mas macio, mostrou ser um vinho que, usando uma expressão muito em voga, vive abaixo das suas possibilidades.

De facto, para o prazer que dele se pode retirar, o preço está muito abaixo daquilo que este vinho pode valer. Excelente relação qualidade/preço, portanto, e um branco francamente recomendável, sem grandes pretensões nem complicações mas muito bem conseguido.

Parece ser um branco tanto para o Verão como para o Inverno, um todo-o-terreno para todos os pratos de peixe ou entradas e para todas as estações.

Surpresa não foi o Sauvignon Blanc, uma das castas estrangeiras que têm feito carreira em Portugal. Como sou fã dos vinhos desta casta, a expectativa à partida era boa e o vinho não desiludiu. Muito aromático, mostrou o perfil habitual nos vinhos desta casta, com um toque floral e notas de frutos tropicais juntamente com alguma mineralidade, suavidade e persistência na boca e final muito fresco.

Sendo um vinho ligeiramente mais caro que o anterior, não deixa de ser uma boa aposta para os apreciadores da casta, e não defrauda quando comparado com os vinhos mais badalados produzidos no estrangeiro. Tal como o anterior, recomendo. Entram ambos para a nossa lista de sugestões.

De notar que estamos em presença de dois vinhos com uma graduação alcoólica moderada, o que os torna bem mais fáceis de beber e saborear, pois apresentam-se muito mais leves. Bebam-se e desfrutem-se, portanto!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright

Vinho: Fiúza, 3 Castas 2012 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Chardonnay, Arinto, Vital
Preço em feira de vinhos: 2,68 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Fiúza, Sauvignon Blanc 2013 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 3,59 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 18 de maio de 2014

No meu copo 382 - Padre Pedro branco 2012; Quinta da Alorna branco 2012

Fazendo agora uma ligeira inflexão da região Lisboa para a região Tejo, encontramos estes dois brancos de duas casas de referência, a Casa Cadaval, situada em Muge, e a Quinta da Alorna, em Almeirim.

Se os tintos destas duas casas, entre outras, têm servido para alavancar o nome e o prestígio da região, é comum lermos que a maior tradição até é de brancos, com a casta Fernão Pires à cabeça, devido à frescura e macieza obtida.

No caso destas duas garrafas em apreço, trata-se de vinhos de qualidade média, embora me tivesse agradado mais o Quinta da Alorna. O anterior que tinha provado já foi há uns bons anos, mas do que ficou registado não parece ter mudado o perfil. Suave, aromático com frutado quanto baste, com um toque citrino a par com um ligeiro tropical, um produto agradável e que se bebe com facilidade.

O Padre Pedro branco mostrou-se mais mineral mas um aroma contido, com algum citrino e também um toque tropical mas pouco exuberante no nariz, persistência média e final discreto. Apesar de ter na sua composição o Verdelho e o Viognier, que não existem no Quinta da Alorna e que à partida poderiam conferir-lhe alguma complexidade acrescida e mais exuberância aromática, acabou por ficar um ou dois furos abaixo do Quinta da Alorna, embora não deixe de ser um vinho que se bebe com facilidade. Mas não se pode esperar dele mais do que pode dar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Tejo (Almeirim)

Vinho: Padre Pedro 2012 (B)
Produtor: Casa Cadaval
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Verdelho, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 3,35 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: Quinta da Alorna 2012 (B)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 3,19 €
Nota (0 a 10): 7

quarta-feira, 14 de maio de 2014

No meu copo 381 - Quinta do Gradil, Verdelho 2012; Tágide 2009

Já aqui falámos há uns meses da Quinta do Gradil, a propósito de um branco das castas Arinto e Sauvignon Blanc que se revelou bastante simpático e apelativo. Tínhamos por isso boas expectativas relativamente a este Verdelho, que o nosso saudoso Mancha elogiava bastante. Depois de, há alguns meses, termos feito uma prova que não agradou, o que, na altura, atribuímos a um arrefecimento em excesso que teria desequilibrado os aromas do vinho, voltámos à carga com outra garrafa e desta vez com um arrefecimento correcto.

A verdade é que voltou a desiludir, e duas provas que não agradam já dificilmente se justificam pela deficiência da temperatura.

Revelou-se um vinho sem brilho, com pouco carácter, sem fibra, sem alma. Aroma discreto, pouco corpo, delgado na boca e com final curto. Em suma, não deixou saudades. Ainda por cima, para tirar as dúvidas a seguir ainda veio para a mesa uma garrafa de Verdelho da Herdade do Esporão, que brilhou como sempre a grande altura. Incomparável com o anterior. Terá sido apenas azar com aquela garrafa, com esta colheita ou será mesmo um problema na produção? A verdade é que nenhuma das características marcantes do Verdelho, que costumamos encontrar noutros vinhos (e quase todos os varietais de Verdelho costumam brilhar), se encontrou neste vinho e a opinião dos 5 comensais-bebedores presentes foi unânime.

Por contraste, outro vinho da mesma zona geográfica, um Tágide com denominação DOC Óbidos – uma raridade – que mesmo sendo de 2009 apresentou frescura, nervo, acidez, e ao mesmo tempo elegância e suavidade, com algum vegetal e nuances a frutos tropicais no aroma e, claro, o Arinto a marcar positivamente o lote. É um vinho que não se costuma ver à venda, mas foi uma surpresa muito agradável. Ideal para entradas, refeições ligeiras, peixes delicados ou mariscos. Fermentou em inox com temperatura controlada a 14 graus. Parece ser uma boa aposta para o Verão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Óbidos)

Vinho: Quinta do Gradil, Verdelho 2012 (B)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 11,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 3

Vinho: Tágide 2009 (B)
Produtor: Quinta da Barreira
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Vital
Nota (0 a 10): 8

sábado, 10 de maio de 2014

No meu copo 380 - Consensus branco 2012

De vez em quando temos sido brindados com alguns lançamentos interessantes com o número mensal da Revista de Vinhos, nalguns casos com marcas que são difíceis de encontrar noutras ocasiões e noutros locais.

Pela segunda vez, depois de uma colheita de 2009, calhou-nos este branco Regional Lisboa da DFJ Vinhos, tal como já nos tinha calhado um belo rosé que não voltámos a encontrar por aí à venda.

Este Consensus, feito com três partes de Arinto para uma de Chardonnay, tem quase tudo para, como prediz o rótulo, ser consensual. Tem metade de Arinto fermentado em inox, sendo a outra metade dividida em partes iguais entre Arinto e Chardonnay, que foram vinificadas separadamente em barricas novas de carvalho francês. Desta curiosa combinação escolhida pelo produtor e enólogo José Neiva Correia resultou um vinho apelativo, elegante, equilibrado e suave mas com uma boa estrutura na boca e uma suave mineralidade. No aroma apresenta alguma predominância cítrica a par com um toque de tropical, com um ligeiro toque a madeira muito discreto tanto na boca como no nariz.

Voltou a confirmar a boa aptidão da região Lisboa para a produção de brancos frescos e aromáticos. Devido à acidez e frescura do conjunto, é um vinho que pode ser bem apreciado com entradas leves ou pratos de peixe requintados e delicados. Não parece vocacionado para pratos muito pesados e com temperos fortes.

Usando o selo que a Revista de Vinhos costuma aplicar nos vinhos que são objecto de prova, eu daria a este o selo de “boa compra”... se o encontrarem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Consensus 2012 (B)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Chardonnay
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Na Wines 9297 (1) - Quinta dos Roques




Depois de duas visitas rápidas, finalmente consegui participar numa prova na garrafeira Wines 9297. Decorreu numa 6ª feira há cerca de 4 semanas e contou com a presença de Luís Lourenço a apresentar as novidades da Quinta dos Roques e da Quinta das Maias.

Começámos pelos brancos, sendo o primeiro o Maias 2012, um vinho de entrada de gama, leve mas agradável e com um bom aroma levemente cítrico. Seguiu-se um Quinta dos Roques, de Encruzado e Malvasia, bastante apelativo e fresco na boca. A completar o ramalhete, o Quinta dos Roques Encruzado, mais estruturado e longo, mas com menos frescura que os anteriores, menos exuberante no nariz à primeira impressão. Para fechar o lote, ainda veio à liça outro exemplar do Encruzado, mas este de 2001, um vinho que mais parecia mel, em tons já muito dourados e quase cremoso na boca, um vinho para os amantes dos brancos velhos que mostrou estar ali para durar.

Passando à fase dos tintos, começámos pelo Quinta dos Roques 2010, em excelente forma, muito aromático, a que se seguiu um Jaen da Quinta das Maias, a mostrar o aroma e o potencial duma casta quase ignorada mas que se revelou com uma boa estrutura, elegância e aromas do bosque. Depois vieram os pesos pesados: um Quinta dos Roques Garrafeira 2008, que estava decantado e mostrou ser de outro campeonato, um vinho de alto calibre, exuberante, cheio, estruturado, longo, mas ao mesmo tempo fino. E para o fim ainda estava guardado um Garrafeira 2001, um belo exemplar de como os tintos do Dão envelhecem com grande nobreza.

Luís Lourenço e o seu filho José, como sempre, muito amáveis e atenciosos com toda a gente, e o casal proprietário da loja, Helena e Alberto, desdobrando-se em atenções com os visitantes, tanto quanto o tempo e o espaço o permitiam.

Este novo espaço, embora não muito amplo, está criado com gosto, carinho e simpatia. Abriu-se aqui um refúgio para os amantes dos vinhos do Dão, com marcas seleccionadas com muito critério, e que merece ter sorte. Oxalá que assim seja, porque eles merecem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

sábado, 3 de maio de 2014

No meu copo, na minha mesa 379 - Jantar e prova Caves São João no Hotel Real Palácio (3ª parte)

Jantar vínico





Depois da pausa para refrescar e tentar libertar alguns dos vapores etílicos, passámos então à sala de jantar, onde o Politikos já esteve presente à mesa.

Para acompanhar o menu desfilaram alguns dos vinhos mais recentes das Caves São João, a começar peço recentemente lançado espumante Luis Costa bruto 2010, um lote de Pinot Noir e Chardonnay, que entrou no menu a acompanhar uma cavala alimada (ver menu completo na imagem). Apesar da composição do lote ser aquela que habitualmente predomina na região de Champagne, este espumante apareceu algo linear e simples. Suave e com bolha fina, pareceu faltar-lhe um pouco mais de estrutura e complexidade.

Seguiu-se o Quinta do Poço do Lobo branco Arinto-Chardonnay Reserva 2012. Um vinho bem estruturado e encorpado fermentado em barricas usadas que permitiram dar um ligeiro toque amadeirado e alguma estrutura mas sem marcar o vinho em demasia. Tudo em equilíbrio num branco com potencial para pratos mais fortes.

Entretanto foram-se sucedendo os pratos, como a terrina de pato e o naco de vitelão, e os tintos, como o Poço do Lobo Reserva 2011 e o Porta dos Cavaleiros Reserva Touriga Nacional 2012. Deste último tinha provado não há muito tempo uma garrafa de 2007 que estava excelente, no ponto óptimo para beber. Este de 2012 mostrou-se ainda um pouco “cru”, com os aromas pouco ligados, é claramente um vinho que precisa de tempo para crescer na garrafa, à semelhança do exemplo citado. Está vivo e irrequieto, mas pouco maduro. O Poço do Lobo Reserva 2011 apresentou-se mais estruturado e longo, mas também a precisar de garrafa.

Ainda passaram pela mesa um Poço do Lobo Cabernet Sauvignon 1999 que a princípio parecia estar cansado e ter rolha, mas deixado no copo cerca de 2 horas depois estava com uma evolução espectacular, com uma aroma enorme, grande estrutura e persistência; e um Frei João Reserva 2000, com estrutura média, suave e equilibrado.

Para os queijos e sobremesas ainda vieram um Porta dos Cavaleiros branco 1979, em garrafa magnum, ainda em muito boa forma, um Apartado 1 - Colheita Tardia 2012 e uma Aguardente Velha Grande Reserva Caves São João, mas nessa altura eu já estava KO de tanto vinho, pelo que já nem consegui provar o colheita tardia nem a aguardente...

Pelo meio disto tudo, falta referir alguns vinhos provados ao início da tarde na zona das provas livres, como dois espumantes brancos e um rosé: este mediano, bom o Quinta do Poço do Lobo e sem grande história o Caves São João; alguns brancos, como o Frei João Reserva branco 2011, bem equilibrado, e ainda o Poço do Lobo Cabernet Sauvignon tinto 1989, que estava decantado e evoluiu maravilhosamente ao longo da tarde. Muitos vinhos em tão pouco tempo...

Esta descrição não pretendeu ser exaustiva nem demasiado rigorosa, até porque se torna repetitivo estar sempre a fazer descrições muito parecidas, mas sobretudo deixar aqui uma panorâmica dos vinhos à disposição dos participantes nesta jornada. Impõe-se agradecer à Sara e ao João Quintela, da Néctar das Avenidas, que organizaram nesta ocasião o 35º jantar vínico desde a existência da garrafeira, em pouco mais de 2 anos (!!!), ao Hotel Real Palácio pelo serviço proporcionado e, naturalmente, às Caves São João por nos ter permitido provar mais uma fantástica selecção das preciosidades que tem nas suas caves.

Bem hajam!

Kroniketas, enófilo esclarecido