Não nos temos cruzado muitas vezes com os vinhos deste produtor, pelo que foi com curiosidade acrescida que provei este branco da Quinta do Vallado na versão standard, se assim lhe podemos chamar, depois de há uns anos ter provado o monocasta de Moscatel Galego.
Foi bebido a acompanhar peixe grelhado, um prato à partida não muito desafiante, mas o vinho portou-se bem e não deixou o seu nome mal visto.
É um branco a que poderíamos chamar clássico, aromático, suave, que apresenta uma boa frescura e acidez na prova de boca, com final elegante e persistente. O aroma tem uma componente algo floral e simultaneamente algum citrino. Muito equilibrado em todas as suas componentes, bebe-se com prazer e é um daqueles vinhos que se tornam gulosos sem darmos por isso, à medida que vamos bebendo mais um copo.
Dentro dos brancos da gama média, é uma boa aposta para pratos de peixe não demasiado condimentados mas, antes, a pedir algum requinte. É de repetir, e esse é o melhor elogio que lhe podemos fazer.
Quanto ao Moscatel Galego, este em repetição, mostrou-se mais exuberante no aroma, com acidez mais marcada, aromas exóticos com alguma mineralidade, elegante na boca e final persistente. Sendo dois vinhos com perfis algo diferentes, ambos merecem atenção e nova prova. Por isso entram para a nossa lista de sugestões.
O que já constava nessa lista de sugestões era o rosé de Touriga Nacional, provado há cerca de um ano. Esta colheita de 2012 confirmou o perfil da colheita de 2011, onde já então eu comecei a desconfiar da boa aptidão da Touriga Nacional para fazer rosés, talvez até mais do que tintos: floral, suave, aberto, elegante e aromático, onde os traços típicos violetas da casta se expressam na plenitude, perdendo o carácter por vezes chato e cansativo que marcam muitos tintos. Pelo menos, dos rosés portugueses que tenho provado, o que estão no topo da minha lista são feitos de Touriga Nacional. Este foi apenas mais uma confirmação. É o típico rosé de Verão e esplanada, de cor salmão pouco carregada, leve e para beber descontraidamente, mas que não descura uma boa companhia de entradas ou pratos leves e frescos.
Quando a Quinta do Vallado se impõe no mercado essencialmente pela personalidade e pujança dos tintos, nós seguimo-la pela leveza e elegância dos brancos e rosés. Vale a pena experimentar este caminho diferente.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado
Vinho: Vallado 2012 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Gouveio, Rabigato, Viosinho
Preço em feira de vinhos: 5,79 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Vallado, Moscatel Galego 2011 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Vallado, Touriga Nacional 2012 (R)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,97 €
Nota (0 a 10): 8
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segunda-feira, 30 de junho de 2014
quinta-feira, 26 de junho de 2014
No meu copo 390 - Conde de Vimioso Reserva 2003
Este vinho é um dos produtos que compõem o vasto portefólio de vinhos de João Portugal Ramos em diversas regiões do país, neste caso na sua produção ribatejana de Almeirim.
Tendo já uma respeitável idade, como alguns dos vinhos que temos apreciado ultimamente, existe sempre a dúvida sobre como evoluiu ao longo de 10 anos, tendo em conta que é a produção de topo da Falua.
Há algum tempo tivemos oportunidade de provar os brancos e tintos da gama de entrada, que se portaram muito bem, e agora subimos ao patamar superior.
Este Conde de Vimioso Reserva 2003 apresentou-se ainda bastante encorpado, com alguma pujança mas já amaciado pelo tempo e com taninos muito arredondados. A madeira onde estagia está disfarçada e apenas lhe confere alguma complexidade e estrutura, mas não marca o perfil do vinho.
Mostrou-se ainda carregado na cor, com algumas notas de frutos vermelhos a espreitarem lá no fundo do aroma que se liberta se o deixarmos respirar.
Um bom vinho, sem dúvida, mas o preço torna inevitável a comparação com outros da mesma gama, o que talvez torne a sua aquisição menos aliciante...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Conde de Vimioso Reserva 2003 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira
Preço: 13,99 €
Nota (0 a 10): 8
Tendo já uma respeitável idade, como alguns dos vinhos que temos apreciado ultimamente, existe sempre a dúvida sobre como evoluiu ao longo de 10 anos, tendo em conta que é a produção de topo da Falua.
Há algum tempo tivemos oportunidade de provar os brancos e tintos da gama de entrada, que se portaram muito bem, e agora subimos ao patamar superior.
Este Conde de Vimioso Reserva 2003 apresentou-se ainda bastante encorpado, com alguma pujança mas já amaciado pelo tempo e com taninos muito arredondados. A madeira onde estagia está disfarçada e apenas lhe confere alguma complexidade e estrutura, mas não marca o perfil do vinho.
Mostrou-se ainda carregado na cor, com algumas notas de frutos vermelhos a espreitarem lá no fundo do aroma que se liberta se o deixarmos respirar.
Um bom vinho, sem dúvida, mas o preço torna inevitável a comparação com outros da mesma gama, o que talvez torne a sua aquisição menos aliciante...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Conde de Vimioso Reserva 2003 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira
Preço: 13,99 €
Nota (0 a 10): 8
domingo, 22 de junho de 2014
No meu copo 389 - Herdade da Comporta: branco 2012; tinto 2009
Já há algum tempo que andava a tentar arranjar uma oportunidade para provar os vinhos da Herdade da Comporta, situada no extremo sul da península de Tróia. Aproveitando uma promoção adquiri uma garrafa de branco e uma de tinto, que bebi em ocasiões diferentes.
Começando pelo branco, tendo em conta o perfil que é habitual nos brancos da Península de Setúbal, devo confessar que esperava mais. Apesar da proximidade do mar e das noites temperadas da região, este branco de 2012 não me satisfez particularmente. Sabe-se que o Arinto costuma ser uma casta que melhora os vinhos em que é usada, mas neste caso o Antão Vaz parece querer dar-lhe mais um perfil do Alentejo do que do Sado. Revelou-se pouco elegante, com aroma em que a fruta aparece algo escondida e mostrou pouca frescura na boca.
Quanto ao tinto de 2009, a decepção foi maior. Demasiado agressivo na boca, adstringência em excesso, álcool exagerado a tornar a prova desequilibrada, com a fruta ofuscada pelo teor alcoólico e pelo excesso de evidência da madeira. Embora já não seja propriamente um vinho novo, talvez precise de mais tempo em garrafa para que todo o conjunto evolua, se integre e mostre um conjunto mais equilibrado.
Enfim, é pena, mas não fiquei convencido com nenhum destes vinhos da Herdade da Comporta. Certamente o prestígio de que este nome já goza mereceria uma avaliação mais positiva... mas pode ser que haja uma segunda oportunidade que corra melhor. A julgar por estas primeiras impressões, não ficou grande vontade de repetir...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Península de Setúbal
Produtor: Herdade da Comporta - Actividades Agro-Silvícolas e Turísticas
Vinho: Herdade da Comporta 2012 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Herdade da Comporta 2009 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,62 €
Nota (0 a 10): 5
Começando pelo branco, tendo em conta o perfil que é habitual nos brancos da Península de Setúbal, devo confessar que esperava mais. Apesar da proximidade do mar e das noites temperadas da região, este branco de 2012 não me satisfez particularmente. Sabe-se que o Arinto costuma ser uma casta que melhora os vinhos em que é usada, mas neste caso o Antão Vaz parece querer dar-lhe mais um perfil do Alentejo do que do Sado. Revelou-se pouco elegante, com aroma em que a fruta aparece algo escondida e mostrou pouca frescura na boca.
Quanto ao tinto de 2009, a decepção foi maior. Demasiado agressivo na boca, adstringência em excesso, álcool exagerado a tornar a prova desequilibrada, com a fruta ofuscada pelo teor alcoólico e pelo excesso de evidência da madeira. Embora já não seja propriamente um vinho novo, talvez precise de mais tempo em garrafa para que todo o conjunto evolua, se integre e mostre um conjunto mais equilibrado.
Enfim, é pena, mas não fiquei convencido com nenhum destes vinhos da Herdade da Comporta. Certamente o prestígio de que este nome já goza mereceria uma avaliação mais positiva... mas pode ser que haja uma segunda oportunidade que corra melhor. A julgar por estas primeiras impressões, não ficou grande vontade de repetir...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Península de Setúbal
Produtor: Herdade da Comporta - Actividades Agro-Silvícolas e Turísticas
Vinho: Herdade da Comporta 2012 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Herdade da Comporta 2009 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,62 €
Nota (0 a 10): 5
quarta-feira, 18 de junho de 2014
No meu copo 388 - Pinheiro da Cruz 2004
Já há alguns anos que não bebia este vinho, e esta garrafa já repousava há bastante tempo na garrafeira. Foi uma revelação há mais de uma década, quando ainda não tinha denominação de origem e era apenas uma produção quase local.
Depois, as leis do mercado (e da rotulagem) fizeram das suas. O vinho alterou-se, modernizou-se de certa forma descaracterizou-se. Sobre isso já tivemos oportunidade de falar noutra ocasião, aquando duma outra prova.
Agora tem castas internacionais, castas da moda e ainda tem uns laivos daquilo que em tempos foi. Esta colheita foi composta por nada menos de 6-seis-6 castas! Mas não é por isso que o vinho se tornou melhor.
No caso deste exemplar, resolvi esperar pela prova do tempo para ver como se comportava. E comportou-se bem. Não decaiu, não apresentou sinais de evolução excessiva, mostrou alguma pujança que era a sua imagem de marca, embora não seja não robusto e encorpado como antes. Alguma fruta vermelha e do bosque apareceu discretamente, abrindo-se em aromas mais profundos à medida que respirava.
Enfim, foi bom matar saudades, mas não sei quando poderei repetir o acto, pois desde esta compra (realizada em 2007) não voltei a encontrá-lo. Talvez se venda à porta da prisão, ou apenas em locais selecionados. Mas tenho saudades, não deste, mas das primeiras versões, quando queria ser um vinho genuíno e não um vinho respeitador das leis do IVV ou da Comissão Vitivinícola Regional...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Pinheiro da Cruz 2004 (T)
Região: Terras do Sado (Melides - Grândola)
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Periquita, Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço: 7,27 €
Nota (0 a 10): 7,5
Depois, as leis do mercado (e da rotulagem) fizeram das suas. O vinho alterou-se, modernizou-se de certa forma descaracterizou-se. Sobre isso já tivemos oportunidade de falar noutra ocasião, aquando duma outra prova.
Agora tem castas internacionais, castas da moda e ainda tem uns laivos daquilo que em tempos foi. Esta colheita foi composta por nada menos de 6-seis-6 castas! Mas não é por isso que o vinho se tornou melhor.
No caso deste exemplar, resolvi esperar pela prova do tempo para ver como se comportava. E comportou-se bem. Não decaiu, não apresentou sinais de evolução excessiva, mostrou alguma pujança que era a sua imagem de marca, embora não seja não robusto e encorpado como antes. Alguma fruta vermelha e do bosque apareceu discretamente, abrindo-se em aromas mais profundos à medida que respirava.
Enfim, foi bom matar saudades, mas não sei quando poderei repetir o acto, pois desde esta compra (realizada em 2007) não voltei a encontrá-lo. Talvez se venda à porta da prisão, ou apenas em locais selecionados. Mas tenho saudades, não deste, mas das primeiras versões, quando queria ser um vinho genuíno e não um vinho respeitador das leis do IVV ou da Comissão Vitivinícola Regional...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Pinheiro da Cruz 2004 (T)
Região: Terras do Sado (Melides - Grândola)
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Periquita, Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço: 7,27 €
Nota (0 a 10): 7,5
sábado, 14 de junho de 2014
No meu copo 387 - Periquita Reserva 2007
Continuamos no universo José Maria da Fonseca, com mais uma criação do enólogo Domingos Soares Franco. Desde que alargou o seu portefólio muito para além do Periquita – com o lançamento da versão em branco e em rosé, para além de novos produtos sob a chancela Domingos Soares Franco Colecção Privada ou do sublime Hexagon (provado em duas colheitas, 2000 e 2003) – uma das novas criações foi, para além do Periquita clássico, o lançamento dum Reserva, de perfil mais complexo.
Em 2010 adquirimos esta garrafa numa promoção da Revista de Vinhos e guardámo-lo até agora. Foi aberto com antecedência, não tendo sido decantado porque não pareceu estar tão fechado que o justificasse. No entanto, ao longo da refeição foi libertando aromas, tendencialmente a frutos vermelhos, violetas e compota, e tornando-se mais macio. O estágio de 8 meses em madeira confere-lhe alguma complexidade na prova de boca, mostrando-se medianamente encorpado e terminando com persistência média.
Esperava-se, talvez, um pouco mais deste Reserva, que no patamar em que se coloca encontra alguns concorrentes de peso que podem justificar a preferência dos consumidores. É um vinho agradável de beber, mas parece que lhe falta um “clic” para se guindar a outro nível.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Periquita Reserva 2007 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 6,49 €
Nota (0 a 10): 7,5
Em 2010 adquirimos esta garrafa numa promoção da Revista de Vinhos e guardámo-lo até agora. Foi aberto com antecedência, não tendo sido decantado porque não pareceu estar tão fechado que o justificasse. No entanto, ao longo da refeição foi libertando aromas, tendencialmente a frutos vermelhos, violetas e compota, e tornando-se mais macio. O estágio de 8 meses em madeira confere-lhe alguma complexidade na prova de boca, mostrando-se medianamente encorpado e terminando com persistência média.
Esperava-se, talvez, um pouco mais deste Reserva, que no patamar em que se coloca encontra alguns concorrentes de peso que podem justificar a preferência dos consumidores. É um vinho agradável de beber, mas parece que lhe falta um “clic” para se guindar a outro nível.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Periquita Reserva 2007 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 6,49 €
Nota (0 a 10): 7,5
terça-feira, 10 de junho de 2014
No meu copo 386 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Moscatel Roxo rosé 2010
Estamos em presença de um rosé que causou alguma polémica quando surgiu no mercado, numa aposta ousada e arriscada de Domingos Soares Franco, por ser composto exclusivamente por uma casta que quase desapareceu e foi recuperada pelo enólogo, e cuja máxima expressão se revela em pleno no vinho generoso a que dá o nome. Tem feito sucesso no mercado e divide opiniões.
Pela minha parte, esta foi a segunda prova que fiz dele, e acho que não deve ser adorado nem detestado. Apresenta uma cor salmão desmaiada, quase a tender para o incolor, aroma marcado a flores, é leve, fresco e macio, primando pela elegância. No entanto, no final parece-me sempre que lhe falta algo mais, pois pode tornar-se um pouco incaracterístico, parecendo ser pouco... vinho...
Não é de desprezar e merece ser provado e conhecido, até pela originalidade da sua produção. Mas não é, de todo, excepcional, e pode tornar-se um pouco caro para o prazer que nos proporciona.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Moscatel Roxo rosé 2010 (R)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Moscatel Roxo
Preço em feira de vinhos: 10,38 €
Nota (0 a 10): 7,5
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Na Wine O’Clock 17 - Esporão e Quinta dos Murças
Mais uma prova na Wine O’Clock, desta vez com vinhos produzidos pelo Esporão na Quinta dos Murças, no Douro, para além dos produzidos na Herdade propriamente dita, em Reguengos de Monsaraz.
Presente a enóloga da Quinta dos Murças, que nos apresentou as versões branco, rosé e tinto do Assobio, vinho da gama de entrada, para além do Reserva tinto e do Porto Vintage. Da herdade no Alentejo compareceram à prova apenas os exemplares com o nome da casa, o Esporão Reserva branco e o Esporão Reserva tinto.
Em relação aos alentejanos, nenhuma surpresa: o tinto é sempre um valor garantido, com estrutura e suavidade, elegância e persistência, mantendo o perfil que há muito nos habituou. A actual versão do Reserva branco já apresenta menos madeira do que noutras edições, o que lhe confere outra suavidade e permite fazer sobressair mais os aromas frutados, tornando o vinho mais fresco e gastronómico.
Quanto aos vinhos produzidos no Douro, o Assobio branco e o tinto agradaram, com o perfil mais ou menos habitual no Douro. Ambos suaves e frutados, com persistência média e alguma elegância na prova de boca. Já o rosé mostrou-se “chato”, linear, com falta de acidez, um vinho que se torna enjoativo e desinteressante. A rever, certamente, pela credenciada equipa de enologia da casa, chefiada pelo conhecido David Baverstock. Os preços situam-se na casa dos 6,95 €, pelo que certamente estes vinhos poderão competir com outros da mesma gama.
Na transição do Assobio para o Esporão Reserva ainda provámos o espumante branco da Herdade do Esporão, que se apresentou algo linear e de aroma discreto. Há uns anos provámos o espumante rosé, que nos agradou bastante mais.
O Quinta dos Murças Reserva tinto mostrou outra estaleca: é um vinho de topo, cheio de garra, estrutura, corpo, aroma, muito longo... Claro que o preço reflecte o que está na garrafa, situando-se na casa dos 20 €. Mas o produto é muito bom.
Finalmente, um Porto Vintage Quinta dos Murças, na linha dos habituais. Muita concentração, fruto maduro, taninos muito firmes. Um vinho para durar e apreciar lá mais para a frente, a cerca de 50 € a garrafa.
Foi uma prova interessante, porque nos deu a conhecer o outro lado dos vinhos do Esporão, com uma viagem à descoberta do Esporão no Douro. Valeu a pena.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Presente a enóloga da Quinta dos Murças, que nos apresentou as versões branco, rosé e tinto do Assobio, vinho da gama de entrada, para além do Reserva tinto e do Porto Vintage. Da herdade no Alentejo compareceram à prova apenas os exemplares com o nome da casa, o Esporão Reserva branco e o Esporão Reserva tinto.
Em relação aos alentejanos, nenhuma surpresa: o tinto é sempre um valor garantido, com estrutura e suavidade, elegância e persistência, mantendo o perfil que há muito nos habituou. A actual versão do Reserva branco já apresenta menos madeira do que noutras edições, o que lhe confere outra suavidade e permite fazer sobressair mais os aromas frutados, tornando o vinho mais fresco e gastronómico.
Quanto aos vinhos produzidos no Douro, o Assobio branco e o tinto agradaram, com o perfil mais ou menos habitual no Douro. Ambos suaves e frutados, com persistência média e alguma elegância na prova de boca. Já o rosé mostrou-se “chato”, linear, com falta de acidez, um vinho que se torna enjoativo e desinteressante. A rever, certamente, pela credenciada equipa de enologia da casa, chefiada pelo conhecido David Baverstock. Os preços situam-se na casa dos 6,95 €, pelo que certamente estes vinhos poderão competir com outros da mesma gama.
Na transição do Assobio para o Esporão Reserva ainda provámos o espumante branco da Herdade do Esporão, que se apresentou algo linear e de aroma discreto. Há uns anos provámos o espumante rosé, que nos agradou bastante mais.
O Quinta dos Murças Reserva tinto mostrou outra estaleca: é um vinho de topo, cheio de garra, estrutura, corpo, aroma, muito longo... Claro que o preço reflecte o que está na garrafa, situando-se na casa dos 20 €. Mas o produto é muito bom.
Finalmente, um Porto Vintage Quinta dos Murças, na linha dos habituais. Muita concentração, fruto maduro, taninos muito firmes. Um vinho para durar e apreciar lá mais para a frente, a cerca de 50 € a garrafa.
Foi uma prova interessante, porque nos deu a conhecer o outro lado dos vinhos do Esporão, com uma viagem à descoberta do Esporão no Douro. Valeu a pena.
Kroniketas, enófilo esclarecido
segunda-feira, 2 de junho de 2014
No meu copo 385 - Dão Borges, Touriga Nacional 2004
Voltamos a um vinho com o qual nos temos cruzado raramente, embora existam alguns exemplares em casa. A primeira prova efectiva tinha ocorrido há uns anos num belo repasto no restaurante Os Arcos, na companhia do tuguinho e do Politikos, com uma garrafa da colheita de 2005 a bater-se exemplarmente com uns excelentes bifes pimenta.
Recentemente abrimos uma garrafa da colheita de 2004 que repousava na garrafeira, para acompanhar uma carne requintada no forno, e voltou a portar-se exemplarmente. É um daqueles vinhos que conseguem conciliar o melhor de dois mundos: estrutura com taninos firmes e elegância!
Apresentou-se com uma cor rubi carregada com laivos violáceos, boa estrutura e volume de boca mas muito elegante, aroma profundo com algum floral marcado por violeta e frutos do silvestres, taninos bem firmes mas macios e com final longo mas suave, tudo muito equilibrado, sem qualquer sinais excessivos de madeira a sobrepor-se ao conjunto. Uma delícia, que se mostrou no ponto para beber, tendo passado com distinção a prova do tempo.
Excelente vinho, que por vezes, com alguma sorte, conseguimos comprar pelo preço mencionado mais abaixo, embora normalmente o preço de referência seja significativamente superior. Mas por este preço, é imperdível. Faz parte dos melhores entre as nossas escolhas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Borges, Touriga Nacional 2004 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 9,85 €
Nota (0 a 10): 8,5
Recentemente abrimos uma garrafa da colheita de 2004 que repousava na garrafeira, para acompanhar uma carne requintada no forno, e voltou a portar-se exemplarmente. É um daqueles vinhos que conseguem conciliar o melhor de dois mundos: estrutura com taninos firmes e elegância!
Apresentou-se com uma cor rubi carregada com laivos violáceos, boa estrutura e volume de boca mas muito elegante, aroma profundo com algum floral marcado por violeta e frutos do silvestres, taninos bem firmes mas macios e com final longo mas suave, tudo muito equilibrado, sem qualquer sinais excessivos de madeira a sobrepor-se ao conjunto. Uma delícia, que se mostrou no ponto para beber, tendo passado com distinção a prova do tempo.
Excelente vinho, que por vezes, com alguma sorte, conseguimos comprar pelo preço mencionado mais abaixo, embora normalmente o preço de referência seja significativamente superior. Mas por este preço, é imperdível. Faz parte dos melhores entre as nossas escolhas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Borges, Touriga Nacional 2004 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 9,85 €
Nota (0 a 10): 8,5
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Na Wine O’Clock 16 - À volta do mundo com Raul Riba d’Ave







Foi um fim de tarde diferente no que respeita às provas de vinhos, pois esta partiu dum conceito pouco habitual: provar vários vinhos de diferentes países e todos com diferentes características. Viajámos de Portugal à Nova Zelândia, passando por França e Alemanha, Espanha, Itália e Argentina.
Convidado para orientar o evento enólogo Raul Riba d’Ave, que nos propôs 4 brancos e 3 tintos.
Começando naturalmente pelos brancos, o primeiro a vir à liça foi um SA Prum Solitar Trocken 2012, um Riesling da Alemanha, da região do Mosel, berço da casta e onde esta melhor expressa as suas características. Ligeiramente adocicado mas com excelente acidez, muito frutado e elegante na boca, o Riesling (para quem gosta, como é o nosso caso) no seu melhor. Foi muito apreciado pelos presentes.
Seguiu-se um Monte Tondo 2013 de Pinot Grigio, da região de Veneto, no norte de Itália, próximo dos Alpes, que se mostrou mais seco e picante na boca mas menos ácido e mais simples. Um vinho mais fácil mas menos atractivo.
Em seguida demos uma volta pela Nova Zelândia, região de Marlborough, para um monocasta Sauvignon Blanc de 2012 da Ribbonwood (uma aquisição da Sogrape nos antípodas), que se mostrou demasiado vegetal, muito marcado pelo verde da casta, que não fez as delícias dos presentes, faltando-lhe a componente mais frutada que se encontra normalmente nestes vinhos, e que está tão bem representada no Villa Maria.
Para comparar com este, passámos por França e avançou um Hubert Brochard 2013, da região de Sancerre, que se apresentou muito mais elegante e equilibrado que o antecessor, embora com os aromas algo discretos.
De realçar que nos brancos a graduação alcoólica máxima foi de 13%, tendo o Riesling apenas 11,5% de graduação e o Pinot Grigio 12,5%.
Terminados os brancos, passámos a 3 tintos, começando pela vizinha Espanha, região de Toro: um Terra D’Uro Roble 2010, com base no Tempranillo (a nossa Tinta Roriz/Aragonês). Mostrou pujança e ao mesmo tempo alguma macieza, com taninos presentes mas redondos e sem marcar demasiado o conjunto.
Em seguida Argentina onde se tem dado tão bem a já famosa Malbec, com um Crios 2012 da região de Mendoza. Criado em altitude, próximo dos Andes, numa zona semi-desértica onde anteriormente as águas do degelo eram usadas para a rega da vinha. Este mostrou os taninos mais presentes, mais seco mas com muita estrutura, para durar.
E terminámos com um tinto do Douro, um Roquette & Cazes 2011, que mostrou o perfil típico dos tintos muito concentrados do Douro, muito alcoólicos e taninosos. Algo cansativo...
No geral, e em jeito de balanço, foi uma prova muito interessante. Uns vinhos agradaram mais que outros, como é normal, e a apreciação não foi consensual em vários casos, mas teve a virtude de permitir comparar vinhos com a mesma casta em regiões muito distintas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Wivini - Novo link
Acrescentámos à nossa lista de links mais uma garrafeira de vendas online, a Wivini, que apresenta uma oferta diversificada de bebidas e algumas promoções interessantes.
Podem encontrá-la no lado direito da página, na secção “Outras tascas”, a seguir à Wines 9297.
Votos de sucesso é o que daqui lhe enviamos.
tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos
segunda-feira, 26 de maio de 2014
No meu copo 384 - Champanhe G. H. Mumm Brut Cordon Rouge
Na expectativa de comemorar o inédito “triplete” do Sport Lisboa e Benfica, e na falta de bilhete para assistir ao jogo no Estádio Nacional, eu e o tuguinho juntámo-nos para assistir à final da Taça de Portugal Benfica-Rio Ave via televisão, e preparámos uma garrafa de champanhe para abrir no fim.
Depois da vitória, sofrida mas saborosa, abrimos a garrafa deste champanhe G. H. Mumm Cordon Rouge, um dos poucos que estavam disponíveis na garrafeira do Continente (como a garrafa foi comprada no próprio dia, não houve tempo para ir a outro local procurar maior variedade de marcas).
A verdade é que não ficámos nada mal servidos com este G. H. Mumm: bolha fina, corpo muito elegante, excelente acidez, persistência e frescura na boca e aquela finesse que só os genuínos champanhes conseguem mostrar, situando-se ao nível dos melhores que já tivemos oportunidade de provar – e não têm sido assim tantos. Tendo em conta o preço, será mesmo uma das melhores escolhas, uma vez que outras marcas de renome já estão, frequentemente, acima dos 40 €. E como estávamos em modo de festejo, o néctar borbulhante ainda nos soube melhor.
Para futuras ocasiões, quando for necessário comprar um champanhe, o G. H. Mumm passa a ser uma opção a ter em devida conta.
tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos em festejo de triplete com bolhinhas
Vinho: G. H. Mumm Champagne Brut Cordon Rouge (B)
Região: Champagne (França)
Produtor: G. H. Mumm & CIE - Reims
Grau alcoólico: 12%
Castas: Não indicadas
Preço em hipermercado: 36,99 €
Nota (0 a 10): 9
Depois da vitória, sofrida mas saborosa, abrimos a garrafa deste champanhe G. H. Mumm Cordon Rouge, um dos poucos que estavam disponíveis na garrafeira do Continente (como a garrafa foi comprada no próprio dia, não houve tempo para ir a outro local procurar maior variedade de marcas).
A verdade é que não ficámos nada mal servidos com este G. H. Mumm: bolha fina, corpo muito elegante, excelente acidez, persistência e frescura na boca e aquela finesse que só os genuínos champanhes conseguem mostrar, situando-se ao nível dos melhores que já tivemos oportunidade de provar – e não têm sido assim tantos. Tendo em conta o preço, será mesmo uma das melhores escolhas, uma vez que outras marcas de renome já estão, frequentemente, acima dos 40 €. E como estávamos em modo de festejo, o néctar borbulhante ainda nos soube melhor.
Para futuras ocasiões, quando for necessário comprar um champanhe, o G. H. Mumm passa a ser uma opção a ter em devida conta.
tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos em festejo de triplete com bolhinhas
Vinho: G. H. Mumm Champagne Brut Cordon Rouge (B)
Região: Champagne (França)
Produtor: G. H. Mumm & CIE - Reims
Grau alcoólico: 12%
Castas: Não indicadas
Preço em hipermercado: 36,99 €
Nota (0 a 10): 9
quinta-feira, 22 de maio de 2014
No meu copo 383 - Fiúza: 3 Castas branco 2012; Sauvignon Blanc 2013
E após dois vinhos medianos, uma surpresa vinda da Fiúza! Esta versão em branco do 3 castas, um vinho da gama baixa como os dois referidos no post anterior, foi uma bela revelação pela positiva.
Com uma cor amarelo dourado, fresco, persistente e com boa acidez na boca, com aromas cítricos e um ligeiro toque tropical, final algo irrequieto mas macio, mostrou ser um vinho que, usando uma expressão muito em voga, vive abaixo das suas possibilidades.
De facto, para o prazer que dele se pode retirar, o preço está muito abaixo daquilo que este vinho pode valer. Excelente relação qualidade/preço, portanto, e um branco francamente recomendável, sem grandes pretensões nem complicações mas muito bem conseguido.
Parece ser um branco tanto para o Verão como para o Inverno, um todo-o-terreno para todos os pratos de peixe ou entradas e para todas as estações.
Surpresa não foi o Sauvignon Blanc, uma das castas estrangeiras que têm feito carreira em Portugal. Como sou fã dos vinhos desta casta, a expectativa à partida era boa e o vinho não desiludiu. Muito aromático, mostrou o perfil habitual nos vinhos desta casta, com um toque floral e notas de frutos tropicais juntamente com alguma mineralidade, suavidade e persistência na boca e final muito fresco.
Sendo um vinho ligeiramente mais caro que o anterior, não deixa de ser uma boa aposta para os apreciadores da casta, e não defrauda quando comparado com os vinhos mais badalados produzidos no estrangeiro. Tal como o anterior, recomendo. Entram ambos para a nossa lista de sugestões.
De notar que estamos em presença de dois vinhos com uma graduação alcoólica moderada, o que os torna bem mais fáceis de beber e saborear, pois apresentam-se muito mais leves. Bebam-se e desfrutem-se, portanto!
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Vinho: Fiúza, 3 Castas 2012 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Chardonnay, Arinto, Vital
Preço em feira de vinhos: 2,68 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Fiúza, Sauvignon Blanc 2013 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 3,59 €
Nota (0 a 10): 8
Com uma cor amarelo dourado, fresco, persistente e com boa acidez na boca, com aromas cítricos e um ligeiro toque tropical, final algo irrequieto mas macio, mostrou ser um vinho que, usando uma expressão muito em voga, vive abaixo das suas possibilidades.
De facto, para o prazer que dele se pode retirar, o preço está muito abaixo daquilo que este vinho pode valer. Excelente relação qualidade/preço, portanto, e um branco francamente recomendável, sem grandes pretensões nem complicações mas muito bem conseguido.
Parece ser um branco tanto para o Verão como para o Inverno, um todo-o-terreno para todos os pratos de peixe ou entradas e para todas as estações.
Surpresa não foi o Sauvignon Blanc, uma das castas estrangeiras que têm feito carreira em Portugal. Como sou fã dos vinhos desta casta, a expectativa à partida era boa e o vinho não desiludiu. Muito aromático, mostrou o perfil habitual nos vinhos desta casta, com um toque floral e notas de frutos tropicais juntamente com alguma mineralidade, suavidade e persistência na boca e final muito fresco.
Sendo um vinho ligeiramente mais caro que o anterior, não deixa de ser uma boa aposta para os apreciadores da casta, e não defrauda quando comparado com os vinhos mais badalados produzidos no estrangeiro. Tal como o anterior, recomendo. Entram ambos para a nossa lista de sugestões.
De notar que estamos em presença de dois vinhos com uma graduação alcoólica moderada, o que os torna bem mais fáceis de beber e saborear, pois apresentam-se muito mais leves. Bebam-se e desfrutem-se, portanto!
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Vinho: Fiúza, 3 Castas 2012 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Chardonnay, Arinto, Vital
Preço em feira de vinhos: 2,68 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Fiúza, Sauvignon Blanc 2013 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 3,59 €
Nota (0 a 10): 8
domingo, 18 de maio de 2014
No meu copo 382 - Padre Pedro branco 2012; Quinta da Alorna branco 2012
Fazendo agora uma ligeira inflexão da região Lisboa para a região Tejo, encontramos estes dois brancos de duas casas de referência, a Casa Cadaval, situada em Muge, e a Quinta da Alorna, em Almeirim.
Se os tintos destas duas casas, entre outras, têm servido para alavancar o nome e o prestígio da região, é comum lermos que a maior tradição até é de brancos, com a casta Fernão Pires à cabeça, devido à frescura e macieza obtida.
No caso destas duas garrafas em apreço, trata-se de vinhos de qualidade média, embora me tivesse agradado mais o Quinta da Alorna. O anterior que tinha provado já foi há uns bons anos, mas do que ficou registado não parece ter mudado o perfil. Suave, aromático com frutado quanto baste, com um toque citrino a par com um ligeiro tropical, um produto agradável e que se bebe com facilidade.
O Padre Pedro branco mostrou-se mais mineral mas um aroma contido, com algum citrino e também um toque tropical mas pouco exuberante no nariz, persistência média e final discreto. Apesar de ter na sua composição o Verdelho e o Viognier, que não existem no Quinta da Alorna e que à partida poderiam conferir-lhe alguma complexidade acrescida e mais exuberância aromática, acabou por ficar um ou dois furos abaixo do Quinta da Alorna, embora não deixe de ser um vinho que se bebe com facilidade. Mas não se pode esperar dele mais do que pode dar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Tejo (Almeirim)
Vinho: Padre Pedro 2012 (B)
Produtor: Casa Cadaval
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Verdelho, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 3,35 €
Nota (0 a 10): 6,5
Vinho: Quinta da Alorna 2012 (B)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 3,19 €
Nota (0 a 10): 7
Se os tintos destas duas casas, entre outras, têm servido para alavancar o nome e o prestígio da região, é comum lermos que a maior tradição até é de brancos, com a casta Fernão Pires à cabeça, devido à frescura e macieza obtida.
No caso destas duas garrafas em apreço, trata-se de vinhos de qualidade média, embora me tivesse agradado mais o Quinta da Alorna. O anterior que tinha provado já foi há uns bons anos, mas do que ficou registado não parece ter mudado o perfil. Suave, aromático com frutado quanto baste, com um toque citrino a par com um ligeiro tropical, um produto agradável e que se bebe com facilidade.
O Padre Pedro branco mostrou-se mais mineral mas um aroma contido, com algum citrino e também um toque tropical mas pouco exuberante no nariz, persistência média e final discreto. Apesar de ter na sua composição o Verdelho e o Viognier, que não existem no Quinta da Alorna e que à partida poderiam conferir-lhe alguma complexidade acrescida e mais exuberância aromática, acabou por ficar um ou dois furos abaixo do Quinta da Alorna, embora não deixe de ser um vinho que se bebe com facilidade. Mas não se pode esperar dele mais do que pode dar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Tejo (Almeirim)
Vinho: Padre Pedro 2012 (B)
Produtor: Casa Cadaval
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Verdelho, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 3,35 €
Nota (0 a 10): 6,5
Vinho: Quinta da Alorna 2012 (B)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 3,19 €
Nota (0 a 10): 7
quarta-feira, 14 de maio de 2014
No meu copo 381 - Quinta do Gradil, Verdelho 2012; Tágide 2009
Já aqui falámos há uns meses da Quinta do Gradil, a propósito de um branco das castas Arinto e Sauvignon Blanc que se revelou bastante simpático e apelativo. Tínhamos por isso boas expectativas relativamente a este Verdelho, que o nosso saudoso Mancha elogiava bastante. Depois de, há alguns meses, termos feito uma prova que não agradou, o que, na altura, atribuímos a um arrefecimento em excesso que teria desequilibrado os aromas do vinho, voltámos à carga com outra garrafa e desta vez com um arrefecimento correcto.
A verdade é que voltou a desiludir, e duas provas que não agradam já dificilmente se justificam pela deficiência da temperatura.
Revelou-se um vinho sem brilho, com pouco carácter, sem fibra, sem alma. Aroma discreto, pouco corpo, delgado na boca e com final curto. Em suma, não deixou saudades. Ainda por cima, para tirar as dúvidas a seguir ainda veio para a mesa uma garrafa de Verdelho da Herdade do Esporão, que brilhou como sempre a grande altura. Incomparável com o anterior. Terá sido apenas azar com aquela garrafa, com esta colheita ou será mesmo um problema na produção? A verdade é que nenhuma das características marcantes do Verdelho, que costumamos encontrar noutros vinhos (e quase todos os varietais de Verdelho costumam brilhar), se encontrou neste vinho e a opinião dos 5 comensais-bebedores presentes foi unânime.
Por contraste, outro vinho da mesma zona geográfica, um Tágide com denominação DOC Óbidos – uma raridade – que mesmo sendo de 2009 apresentou frescura, nervo, acidez, e ao mesmo tempo elegância e suavidade, com algum vegetal e nuances a frutos tropicais no aroma e, claro, o Arinto a marcar positivamente o lote. É um vinho que não se costuma ver à venda, mas foi uma surpresa muito agradável. Ideal para entradas, refeições ligeiras, peixes delicados ou mariscos. Fermentou em inox com temperatura controlada a 14 graus. Parece ser uma boa aposta para o Verão.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Lisboa (Óbidos)
Vinho: Quinta do Gradil, Verdelho 2012 (B)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 11,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 3
Vinho: Tágide 2009 (B)
Produtor: Quinta da Barreira
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Vital
Nota (0 a 10): 8
A verdade é que voltou a desiludir, e duas provas que não agradam já dificilmente se justificam pela deficiência da temperatura.
Revelou-se um vinho sem brilho, com pouco carácter, sem fibra, sem alma. Aroma discreto, pouco corpo, delgado na boca e com final curto. Em suma, não deixou saudades. Ainda por cima, para tirar as dúvidas a seguir ainda veio para a mesa uma garrafa de Verdelho da Herdade do Esporão, que brilhou como sempre a grande altura. Incomparável com o anterior. Terá sido apenas azar com aquela garrafa, com esta colheita ou será mesmo um problema na produção? A verdade é que nenhuma das características marcantes do Verdelho, que costumamos encontrar noutros vinhos (e quase todos os varietais de Verdelho costumam brilhar), se encontrou neste vinho e a opinião dos 5 comensais-bebedores presentes foi unânime.
Por contraste, outro vinho da mesma zona geográfica, um Tágide com denominação DOC Óbidos – uma raridade – que mesmo sendo de 2009 apresentou frescura, nervo, acidez, e ao mesmo tempo elegância e suavidade, com algum vegetal e nuances a frutos tropicais no aroma e, claro, o Arinto a marcar positivamente o lote. É um vinho que não se costuma ver à venda, mas foi uma surpresa muito agradável. Ideal para entradas, refeições ligeiras, peixes delicados ou mariscos. Fermentou em inox com temperatura controlada a 14 graus. Parece ser uma boa aposta para o Verão.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Lisboa (Óbidos)
Vinho: Quinta do Gradil, Verdelho 2012 (B)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 11,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 3
Vinho: Tágide 2009 (B)
Produtor: Quinta da Barreira
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Vital
Nota (0 a 10): 8
sábado, 10 de maio de 2014
No meu copo 380 - Consensus branco 2012
De vez em quando temos sido brindados com alguns lançamentos interessantes com o número mensal da Revista de Vinhos, nalguns casos com marcas que são difíceis de encontrar noutras ocasiões e noutros locais.
Pela segunda vez, depois de uma colheita de 2009, calhou-nos este branco Regional Lisboa da DFJ Vinhos, tal como já nos tinha calhado um belo rosé que não voltámos a encontrar por aí à venda.
Este Consensus, feito com três partes de Arinto para uma de Chardonnay, tem quase tudo para, como prediz o rótulo, ser consensual. Tem metade de Arinto fermentado em inox, sendo a outra metade dividida em partes iguais entre Arinto e Chardonnay, que foram vinificadas separadamente em barricas novas de carvalho francês. Desta curiosa combinação escolhida pelo produtor e enólogo José Neiva Correia resultou um vinho apelativo, elegante, equilibrado e suave mas com uma boa estrutura na boca e uma suave mineralidade. No aroma apresenta alguma predominância cítrica a par com um toque de tropical, com um ligeiro toque a madeira muito discreto tanto na boca como no nariz.
Voltou a confirmar a boa aptidão da região Lisboa para a produção de brancos frescos e aromáticos. Devido à acidez e frescura do conjunto, é um vinho que pode ser bem apreciado com entradas leves ou pratos de peixe requintados e delicados. Não parece vocacionado para pratos muito pesados e com temperos fortes.
Usando o selo que a Revista de Vinhos costuma aplicar nos vinhos que são objecto de prova, eu daria a este o selo de “boa compra”... se o encontrarem.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Consensus 2012 (B)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Chardonnay
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 8
Pela segunda vez, depois de uma colheita de 2009, calhou-nos este branco Regional Lisboa da DFJ Vinhos, tal como já nos tinha calhado um belo rosé que não voltámos a encontrar por aí à venda.
Este Consensus, feito com três partes de Arinto para uma de Chardonnay, tem quase tudo para, como prediz o rótulo, ser consensual. Tem metade de Arinto fermentado em inox, sendo a outra metade dividida em partes iguais entre Arinto e Chardonnay, que foram vinificadas separadamente em barricas novas de carvalho francês. Desta curiosa combinação escolhida pelo produtor e enólogo José Neiva Correia resultou um vinho apelativo, elegante, equilibrado e suave mas com uma boa estrutura na boca e uma suave mineralidade. No aroma apresenta alguma predominância cítrica a par com um toque de tropical, com um ligeiro toque a madeira muito discreto tanto na boca como no nariz.
Voltou a confirmar a boa aptidão da região Lisboa para a produção de brancos frescos e aromáticos. Devido à acidez e frescura do conjunto, é um vinho que pode ser bem apreciado com entradas leves ou pratos de peixe requintados e delicados. Não parece vocacionado para pratos muito pesados e com temperos fortes.
Usando o selo que a Revista de Vinhos costuma aplicar nos vinhos que são objecto de prova, eu daria a este o selo de “boa compra”... se o encontrarem.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Consensus 2012 (B)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Chardonnay
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 8
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Na Wines 9297 (1) - Quinta dos Roques
Depois de duas visitas rápidas, finalmente consegui participar numa prova na garrafeira Wines 9297. Decorreu numa 6ª feira há cerca de 4 semanas e contou com a presença de Luís Lourenço a apresentar as novidades da Quinta dos Roques e da Quinta das Maias.
Começámos pelos brancos, sendo o primeiro o Maias 2012, um vinho de entrada de gama, leve mas agradável e com um bom aroma levemente cítrico. Seguiu-se um Quinta dos Roques, de Encruzado e Malvasia, bastante apelativo e fresco na boca. A completar o ramalhete, o Quinta dos Roques Encruzado, mais estruturado e longo, mas com menos frescura que os anteriores, menos exuberante no nariz à primeira impressão. Para fechar o lote, ainda veio à liça outro exemplar do Encruzado, mas este de 2001, um vinho que mais parecia mel, em tons já muito dourados e quase cremoso na boca, um vinho para os amantes dos brancos velhos que mostrou estar ali para durar.
Passando à fase dos tintos, começámos pelo Quinta dos Roques 2010, em excelente forma, muito aromático, a que se seguiu um Jaen da Quinta das Maias, a mostrar o aroma e o potencial duma casta quase ignorada mas que se revelou com uma boa estrutura, elegância e aromas do bosque. Depois vieram os pesos pesados: um Quinta dos Roques Garrafeira 2008, que estava decantado e mostrou ser de outro campeonato, um vinho de alto calibre, exuberante, cheio, estruturado, longo, mas ao mesmo tempo fino. E para o fim ainda estava guardado um Garrafeira 2001, um belo exemplar de como os tintos do Dão envelhecem com grande nobreza.
Luís Lourenço e o seu filho José, como sempre, muito amáveis e atenciosos com toda a gente, e o casal proprietário da loja, Helena e Alberto, desdobrando-se em atenções com os visitantes, tanto quanto o tempo e o espaço o permitiam.
Este novo espaço, embora não muito amplo, está criado com gosto, carinho e simpatia. Abriu-se aqui um refúgio para os amantes dos vinhos do Dão, com marcas seleccionadas com muito critério, e que merece ter sorte. Oxalá que assim seja, porque eles merecem.
Kroniketas, enófilo esclarecido
sábado, 3 de maio de 2014
No meu copo, na minha mesa 379 - Jantar e prova Caves São João no Hotel Real Palácio (3ª parte)
Jantar vínico
Depois da pausa para refrescar e tentar libertar alguns dos vapores etílicos, passámos então à sala de jantar, onde o Politikos já esteve presente à mesa.
Para acompanhar o menu desfilaram alguns dos vinhos mais recentes das Caves São João, a começar peço recentemente lançado espumante Luis Costa bruto 2010, um lote de Pinot Noir e Chardonnay, que entrou no menu a acompanhar uma cavala alimada (ver menu completo na imagem). Apesar da composição do lote ser aquela que habitualmente predomina na região de Champagne, este espumante apareceu algo linear e simples. Suave e com bolha fina, pareceu faltar-lhe um pouco mais de estrutura e complexidade.
Seguiu-se o Quinta do Poço do Lobo branco Arinto-Chardonnay Reserva 2012. Um vinho bem estruturado e encorpado fermentado em barricas usadas que permitiram dar um ligeiro toque amadeirado e alguma estrutura mas sem marcar o vinho em demasia. Tudo em equilíbrio num branco com potencial para pratos mais fortes.
Entretanto foram-se sucedendo os pratos, como a terrina de pato e o naco de vitelão, e os tintos, como o Poço do Lobo Reserva 2011 e o Porta dos Cavaleiros Reserva Touriga Nacional 2012. Deste último tinha provado não há muito tempo uma garrafa de 2007 que estava excelente, no ponto óptimo para beber. Este de 2012 mostrou-se ainda um pouco “cru”, com os aromas pouco ligados, é claramente um vinho que precisa de tempo para crescer na garrafa, à semelhança do exemplo citado. Está vivo e irrequieto, mas pouco maduro. O Poço do Lobo Reserva 2011 apresentou-se mais estruturado e longo, mas também a precisar de garrafa.
Ainda passaram pela mesa um Poço do Lobo Cabernet Sauvignon 1999 que a princípio parecia estar cansado e ter rolha, mas deixado no copo cerca de 2 horas depois estava com uma evolução espectacular, com uma aroma enorme, grande estrutura e persistência; e um Frei João Reserva 2000, com estrutura média, suave e equilibrado.
Para os queijos e sobremesas ainda vieram um Porta dos Cavaleiros branco 1979, em garrafa magnum, ainda em muito boa forma, um Apartado 1 - Colheita Tardia 2012 e uma Aguardente Velha Grande Reserva Caves São João, mas nessa altura eu já estava KO de tanto vinho, pelo que já nem consegui provar o colheita tardia nem a aguardente...
Pelo meio disto tudo, falta referir alguns vinhos provados ao início da tarde na zona das provas livres, como dois espumantes brancos e um rosé: este mediano, bom o Quinta do Poço do Lobo e sem grande história o Caves São João; alguns brancos, como o Frei João Reserva branco 2011, bem equilibrado, e ainda o Poço do Lobo Cabernet Sauvignon tinto 1989, que estava decantado e evoluiu maravilhosamente ao longo da tarde. Muitos vinhos em tão pouco tempo...
Esta descrição não pretendeu ser exaustiva nem demasiado rigorosa, até porque se torna repetitivo estar sempre a fazer descrições muito parecidas, mas sobretudo deixar aqui uma panorâmica dos vinhos à disposição dos participantes nesta jornada. Impõe-se agradecer à Sara e ao João Quintela, da Néctar das Avenidas, que organizaram nesta ocasião o 35º jantar vínico desde a existência da garrafeira, em pouco mais de 2 anos (!!!), ao Hotel Real Palácio pelo serviço proporcionado e, naturalmente, às Caves São João por nos ter permitido provar mais uma fantástica selecção das preciosidades que tem nas suas caves.
Bem hajam!
Kroniketas, enófilo esclarecido
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quarta-feira, 30 de abril de 2014
No meu copo, na minha mesa 379 - Jantar e prova Caves São João no Hotel Real Palácio (2ª parte)
Os brancos e os tintos das Caves São João
Concluída a primeira prova, foi só o tempo de reorganizar a mesa e entrar de novo na sala para a prova seguinte. Quase não houve repetentes entre uma e outra, mas eu consegui estar nas duas. Para esta segunda parte alinharam diversos exemplares de colheitas antigas de Frei João, Porta dos Cavaleiros e Caves São João Reserva ou Reserva Particular.
Começámos por um Porta dos Cavaleiros branco de 1979, que se apresentou quase melado, ainda com bastante frescura e acidez, elegante e cremoso na boca, a mostrar como alguns brancos também envelhecem nobremente. Aliás, já na zona de prova livre, onde estavam expostas diversas garrafas que não iam estar nestas provas, tinha tido oportunidade de provar outro Porta dos Cavaleiros branco, este de 1979, que estava extraordinário de elegância, macieza e profundidade aromática!
Seguiram-se dois brancos Frei João, 1990 e 1996, aquele redondo, macio, equilibrado, este este mais vivo e mineral, com final mais marcado pela acidez, mas ambos de excelente saúde.
Entraram depois na liça os tintos, começando por três colheitas do Porta dos Cavaleiros: 1980, 1985 e 1989, esta em garrafa magnum. O de 1980 mais suave, macio e equilibrado, mas com final mais curto; os restantes mais rústicos e pujantes, o de 1985 mais persistente e equilibrado, o de 1989 mais seco e potente.
Em seguida dois Frei João colheita de 1985 e 1990. Excelente estrutura na boca, grande persistência, elegantes e ao mesmo tempo robustos (mais o de 1985). Finalmente, duas garrafas magnum do Caves São João Reserva (1995) e Reserva Particular (1978). Este muito longo, seco, fino, elegante, aquele num estilo mais moderno, com mais estrutura e persistência, mas sem deixar também de apresentar-se suave e elegante.
Difícil, no meio de tantos vinhos de excelência, estar a distingui-los ou a apontar preferências por qualquer deles. Cada um diferente dos outros, o que valeu sobretudo foi a prova no seu conjunto, que permitiu apreciar estas autênticas preciosidades que as Caves São João agora começaram a disponibilizar no mercado, e que a Néctar das Avenidas já está a comercializar.
Faltava, depois, arranjar estômago e coragem para o jantar que se seguiria...
(continua...)
Kroniketas, enófilo esclarecido
domingo, 27 de abril de 2014
No meu copo, na minha mesa 379 - Jantar e prova Caves São João no Hotel Real Palácio (1ª parte)
O Arinto e o Cabernet Sauvignon na Quinta do Poço do Lobo
Há algumas semanas, no dia 29 de Março, tive a grata oportunidade de participar numa longa jornada de provas e jantar de vinhos das Caves São João, organizada pela garrafeira Néctar das Avenidas no Hotel Real Palácio, em Lisboa. Para o jantar tive a companhia do Politikos, pois os restantes elementos dos “Comensais Dionisíacos” não se mostraram disponíveis para participar no evento. Nas provas anteriores estive em companhia de alguns enófilos já conhecidos de outros eventos. De realçar que as duas provas especiais eram pagas, o que também pode ter sido dissuasor de outras participações, sem prejuízo de haver uma zona de prova livre.
Presentes, como tem sido habitual nestes eventos, a relações públicas Célia Alves e nas provas o enólogo José Carvalheira.
As provas especiais foram divididas em duas partes: primeiro os brancos de Arinto e os tintos de Cabernet Sauvignon da Quinta do Poço do Lobo; depois os brancos e tintos clássicos das Caves São João. Em cada prova, 10 vinhos à disposição, sem contar com um ou outro extra que entretanto ainda foram apresentados pelo proprietário da Néctar das Avenidas, o sempre disponível João Quintela.
Começando pela prova de brancos de Arinto e tintos de Cabernet Sauvignon, não vamos referir exaustivamente todos os vinhos provados, pois seria fastidioso e despropositado. Nos brancos de Arinto provámos as colheitas de 1991 a 1995, com graduações alcoólicas a variar entre os 11,2% e os 12,3%, uma raridade nos tempos presentes. Mostraram uma saudável longevidade e todo o potencial do Arinto. O mais jovem, de 1995, foi o que mostrou aroma mais intenso, mais exuberante no nariz e com mais volume de boca, enquanto o de 1991 apresentou-se com uma cor quase âmbar, muito mais evoluído, mas ainda com muita acidez e frescura. O de 1992 foi talvez o mais suave e equilibrado, com todos os elementos mais em harmonia, enquanto o de 1994 foi o menos complexo e mais linear na boca.
Quanto aos tintos de Cabernet Sauvignon, houve 6 vinhos em prova (graduações alcoólicas entre os 12% e os 13,6%) e opiniões muito diversas; alguns vinhos que a princípio pareciam estar mortos ou com aromas pouco saudáveis, mas que ficando no copo acabaram por ser enormes revelações. Foi o caso do 1991, que começou por mostrar um aroma desagradável a estrebaria, mas esperando no copo foi limpando o aroma e acabou por se revelar com vivacidade e suavidade na boca. O de 1992 apresentou-se demasiado vegetal, com o célebre aroma a pimentos verdes demasiado evidente, tal como o de 1994. O de 1993 mostrou-se mais equilibrada em todas as componentes, o de 1995 mais complexo, longo e estruturado, o mais gastronómico de todos. Para finalizar, ainda veio uma garrafa magnum do Poço do Lobo 1990, muito equilibrado, longo e bem estruturado. No conjunto, belos exemplares de duas excelentes castas, em branco e em tinto, e no caso do Cabernet Sauvignon tivemos a prova provada do seu grande potencial de evolução e longevidade, sendo com o envelhecimento que melhor se pode apreciar as suas qualidades, pois perde o carácter demasiado verde e vegetal que, quando não é bem trabalhada, marca alguns dos vinhos quando em novos.
Assim se fechou o primeiro capítulo...
(continua...)
Kroniketas, enófilo esclarecido
sexta-feira, 25 de abril de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
No meu copo 378 - Prova Régia Premium, Arinto 2012
Há uns anos a Companhia das Quintas resolveu lançar uma nova versão do seu clássico Prova Régia, um dos brancos mais mencionados neste blog e que mais vezes me passa pela mesa, a par do Bucellas Caves Velhas. Enquanto este tem mantido um perfil mais uniforme ao longo dos anos, o Prova Régia teve oscilações, com alguns anos a apresentar altos e baixos, e algumas colheitas menos bem conseguidas. Até que surgiu da Quinta da Romeira, talvez para elevar um pouco a fasquia, um novo Prova Régia, a que foi acrescentado o sobrenome Premium e um rótulo mais estilizado. Em média, apenas um euro mais caro que a versão normal. Difícil, contudo, de encontrar à venda.
Nesta época em que agora as grandes superfícies se habituaram a fazer uma espécie de 2ª feira de vinhos no inverno, a que juntam queijos e enchidos, este Premium apareceu em promoção no Pingo Doce... mas só nalgumas lojas... Foi o tuguinho (que apesar de não escrever, ainda lá vai comprando uns vinhos para o pessoal quando é preciso) que descobriu umas garrafas algures para os lados de Oeiras, e tratou de abastecer-se a si próprio, a mim e ao Politikos.
Como não o tinha provado muitas vezes, não resisti à tentação e abri-o poucos dias depois de o ter em casa, a acompanhar um arroz de tamboril com delícias do mar. E surpreendeu-me muito pela positiva! Acidez vibrante, quase crocante, um ligeiro floral no nariz e um certo travo limonado conjugado com grande frescura na boca e no final marcado por um toque citrino. Confesso que não estava à espera de gostar tanto, e pelo preço (mesmo sem promoção, fica abaixo dos 4 €) vale bem o euro adicional em relação à versão normal. Merece entrar nas nossas escolhas.
Difícil, mesmo, é encontra-lo. Tirando o supermercado do El Corte Inglés, quase não se vê à venda...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Prova Régia Premium, Arinto 2012 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Quinta da Romeira - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 8
Nesta época em que agora as grandes superfícies se habituaram a fazer uma espécie de 2ª feira de vinhos no inverno, a que juntam queijos e enchidos, este Premium apareceu em promoção no Pingo Doce... mas só nalgumas lojas... Foi o tuguinho (que apesar de não escrever, ainda lá vai comprando uns vinhos para o pessoal quando é preciso) que descobriu umas garrafas algures para os lados de Oeiras, e tratou de abastecer-se a si próprio, a mim e ao Politikos.
Como não o tinha provado muitas vezes, não resisti à tentação e abri-o poucos dias depois de o ter em casa, a acompanhar um arroz de tamboril com delícias do mar. E surpreendeu-me muito pela positiva! Acidez vibrante, quase crocante, um ligeiro floral no nariz e um certo travo limonado conjugado com grande frescura na boca e no final marcado por um toque citrino. Confesso que não estava à espera de gostar tanto, e pelo preço (mesmo sem promoção, fica abaixo dos 4 €) vale bem o euro adicional em relação à versão normal. Merece entrar nas nossas escolhas.
Difícil, mesmo, é encontra-lo. Tirando o supermercado do El Corte Inglés, quase não se vê à venda...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Prova Régia Premium, Arinto 2012 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Quinta da Romeira - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 8
sábado, 19 de abril de 2014
WinerShop - Nova garrafeira online
Foi criada recentemente e já teve honras de menção da Revista de Vinhos. A nova garrafeira WinerShop, gerida por Carla Abranches, aposta nas vendas online num segmento médio-alto, dando uma particular atenção ao Vinho do Porto e ao Madeira, sem descurar os destilados, azeites e alguns produtos gourmet, bem como acessórios para o vinho.
O site, à primeira vista, é atraente e cativante para o visitante (e sabe-se como as primeiras impressões são importantes, e no caso da Internet por vezes decisivas para se voltar lá ou não...), está bem estruturado e convida-nos a explorar as diversas opções. Agora é esperar que a oferta seja suficientemente apelativa para que o negócio floresça.
Podem encontrar o link para a WinerShop na secção “Outras tascas”, aqui à direita, entre o Winebar do Castelo e a Wines 9297, outra abertura relativamente recente e que está a implantar-se rapidamente junto dos enófilos.
Que tenham sucesso são os nossos votos.
tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos
quarta-feira, 16 de abril de 2014
No meu copo, na minha mesa 377 - Vinha do Putto 2009; Restaurante Salsa & Coentros (Lisboa)
Há alguns anos, a convite dum familiar, conheci este restaurante, situado no bairro de Alvalade e quase em frente do Regimento de Sapadores Bombeiros da Avenida Rio de Janeiro, e não voltei a entrar lá desde então. Por circunstâncias diversas, agora passo várias noites por semana mesmo na esquina do restaurante no canto da rua. De tanto olhar para lá, e vê-lo sempre praticamente cheio, fui aguçando o apetite para lá voltar. Aproveitei uma ocasião de efeméride para ir lá fazer um jantar comemorativo em casal.
O ponto de partida deste restaurante, fundado por dois jovens cozinheiros provenientes de outros locais, é a comida alentejana. A carta é bem recheada no que respeita aos pratos típicos da vasta região: desde as entradas às sobremesas, passando pelas sopas e pelos pratos de caça, está lá um pouco de tudo o que caracteriza a cozinha alentejana.
Sendo eu um indefectível apreciador dos pratos de caça, a minha primeira escolha pendeu logo para o arroz de perdiz ou o arroz de lebre. Tratando-se de escolher dois pratos, e como não se esperava uma refeição muito volumosa, optámos por partilhar dois pratos: uma sopa de cação para entrada e um arroz de perdiz como prato principal. Ambos excelentes, muito bem apaladados. É difícil dizer qual dos dois estava melhor, porque não consigo encontrar defeitos em nenhum. O arroz de perdiz, claro, é uma das minhas paixões e estava malandrinho, cozido no ponto, perfeito.
Para terminar, outro doce incontornável entre a vasta oferta: uma encharcada de Mourão, com todos os requisitos.
Como a minha consorte não é grande consumidora, quando chegou à parte da escolha do vinho deparei-me com o problema habitual nestas circunstâncias: que vinho escolher e em que formato. À partida a opção iria recair sobre meia-garrafa, e havia diversas opções agradáveis. No entanto, vistos os preços e deparando-me com um vinho da casa praticamente ao mesmo preço das meias garrafas (variavam entre os 7 e 8 €), e sendo uma garrafa de 7,5 dl, acabei por escolhê-lo, sabendo que o que sobrasse na garrafa seria levado para casa. Tratava-se dum vinho de Carlos Campolargo, chamado Vinha do Putto e com o qual só me tinha cruzado há uns anos num winebar, na altura numa garrafa de branco.
Fiquei satisfeito com a escolha. Não sendo extraordinário, o vinho está bem concebido, é frutado com um toque inicial a amoras, bem estruturado e com alguma robustez, com final persistente mas arredondado. Não muito marcado pela madeira e sem que os seus 14% de álcool se sobreponham ao equilíbrio do conjunto. Não deslustra e tem um toque de modernidade que pode torná-lo apelativo para os mais resistentes aos tintos bairradinos.
Para os apreciadores da boa comida, de bom serviço e simpatia e, em particular, de comida alentejana, este Salsa & Coentros é um local que se recomenda e que merece ter sucesso. Uma equipa jovem, rápida, eficiente, atenciosa mas sem exageros nem demasiados salamaleques nem complicações faz um restaurante de ambiente descontraído onde o cliente se sente à vontade e é bem servido sem estar sempre a ser vigiado.
Em família ou em grupo, hei-de voltar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Vinha do Putto 2009 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo
Grau alcoólico: 14%
Castas: não indicadas; conforme os anos, todas ou algumas das seguintes: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Syrah e Merlot (indicação no site do produtor)
Preço: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
Restaurante: Salsa & Coentros
Rua Coronel Marques Leitão, 12
1700-125 Lisboa
Tel: 21.841.09.90
Preço médio por refeição: 25-30 €
Nota (0 a 5): 4,5
O ponto de partida deste restaurante, fundado por dois jovens cozinheiros provenientes de outros locais, é a comida alentejana. A carta é bem recheada no que respeita aos pratos típicos da vasta região: desde as entradas às sobremesas, passando pelas sopas e pelos pratos de caça, está lá um pouco de tudo o que caracteriza a cozinha alentejana.
Sendo eu um indefectível apreciador dos pratos de caça, a minha primeira escolha pendeu logo para o arroz de perdiz ou o arroz de lebre. Tratando-se de escolher dois pratos, e como não se esperava uma refeição muito volumosa, optámos por partilhar dois pratos: uma sopa de cação para entrada e um arroz de perdiz como prato principal. Ambos excelentes, muito bem apaladados. É difícil dizer qual dos dois estava melhor, porque não consigo encontrar defeitos em nenhum. O arroz de perdiz, claro, é uma das minhas paixões e estava malandrinho, cozido no ponto, perfeito.
Para terminar, outro doce incontornável entre a vasta oferta: uma encharcada de Mourão, com todos os requisitos.
Como a minha consorte não é grande consumidora, quando chegou à parte da escolha do vinho deparei-me com o problema habitual nestas circunstâncias: que vinho escolher e em que formato. À partida a opção iria recair sobre meia-garrafa, e havia diversas opções agradáveis. No entanto, vistos os preços e deparando-me com um vinho da casa praticamente ao mesmo preço das meias garrafas (variavam entre os 7 e 8 €), e sendo uma garrafa de 7,5 dl, acabei por escolhê-lo, sabendo que o que sobrasse na garrafa seria levado para casa. Tratava-se dum vinho de Carlos Campolargo, chamado Vinha do Putto e com o qual só me tinha cruzado há uns anos num winebar, na altura numa garrafa de branco.
Fiquei satisfeito com a escolha. Não sendo extraordinário, o vinho está bem concebido, é frutado com um toque inicial a amoras, bem estruturado e com alguma robustez, com final persistente mas arredondado. Não muito marcado pela madeira e sem que os seus 14% de álcool se sobreponham ao equilíbrio do conjunto. Não deslustra e tem um toque de modernidade que pode torná-lo apelativo para os mais resistentes aos tintos bairradinos.
Para os apreciadores da boa comida, de bom serviço e simpatia e, em particular, de comida alentejana, este Salsa & Coentros é um local que se recomenda e que merece ter sucesso. Uma equipa jovem, rápida, eficiente, atenciosa mas sem exageros nem demasiados salamaleques nem complicações faz um restaurante de ambiente descontraído onde o cliente se sente à vontade e é bem servido sem estar sempre a ser vigiado.
Em família ou em grupo, hei-de voltar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Vinha do Putto 2009 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo
Grau alcoólico: 14%
Castas: não indicadas; conforme os anos, todas ou algumas das seguintes: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Syrah e Merlot (indicação no site do produtor)
Preço: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
Restaurante: Salsa & Coentros
Rua Coronel Marques Leitão, 12
1700-125 Lisboa
Tel: 21.841.09.90
Preço médio por refeição: 25-30 €
Nota (0 a 5): 4,5
sábado, 12 de abril de 2014
No meu copo 376 - Paulo da Silva Colecção Privada 1990
Uma segunda visita à Wines 9297, para adquirir mais umas garrafas do Casal da Azenha 2010, que tanto agradou, deu-me a possibilidade de encontrar à venda um vinho do mesmo produtor que há cerca de 20 anos se tornou quase mítico nas nossas surtidas a alguns restaurantes: o Paulo da Silva Colecção Privada, que pudemos degustar com frequência durante a década de 90, até deixar de se ver os vinhos de Colares tanto nos restaurantes como nas prateleiras.
Aproveitando a ocasião, trouxe duas garrafas deste outro exemplar de outra época, tratando desde logo de abrir uma delas. E deve dizer-se que o vinho não desiludiu minimamente. Apresentou uma cor rubi carregada, sem sinais de demasiada evolução nem na cor nem no aroma, que se mostrou ainda com alguma frescura, com bouquet profundo e aromas terciários a libertarem-se após algum tempo no copo. Na boca apresentou alguma delicadeza, com estrutura média e alguma persistência.
Sem dar mostras de declínio, pareceu estar para durar, pelo que pode ser uma aposta para aguentar mais uns anos na garrafa. E como recentemente têm estado a aparecer algumas garrafeiras a apostar em vinhos velhos, talvez venhamos ainda a repetir com outras colheitas. Ainda há poucos dias descobri na garrafeira Estado d’Alma, em Alcântara, um verdadeiro maná de vinhos antigos a preços irresistíveis...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Paulo da Silva Colecção Privada 1990 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12%
Castas: João de Santarém, Tinta Miúda, Periquita
Preço: 5,90 €
Nota (0 a 10): 7,5
PS: O contra-rótulo menciona na composição as castas acima indicadas, sendo que actualmente se considera que a Periquita era a antiga designação da casta Castelão e João de Santarém era a mesma designação nas regiões de Ribatejo e Estremadura. Apesar desta incongruência, mantivemos a menção às designações indicadas na garrafa.
Aproveitando a ocasião, trouxe duas garrafas deste outro exemplar de outra época, tratando desde logo de abrir uma delas. E deve dizer-se que o vinho não desiludiu minimamente. Apresentou uma cor rubi carregada, sem sinais de demasiada evolução nem na cor nem no aroma, que se mostrou ainda com alguma frescura, com bouquet profundo e aromas terciários a libertarem-se após algum tempo no copo. Na boca apresentou alguma delicadeza, com estrutura média e alguma persistência.
Sem dar mostras de declínio, pareceu estar para durar, pelo que pode ser uma aposta para aguentar mais uns anos na garrafa. E como recentemente têm estado a aparecer algumas garrafeiras a apostar em vinhos velhos, talvez venhamos ainda a repetir com outras colheitas. Ainda há poucos dias descobri na garrafeira Estado d’Alma, em Alcântara, um verdadeiro maná de vinhos antigos a preços irresistíveis...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Paulo da Silva Colecção Privada 1990 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12%
Castas: João de Santarém, Tinta Miúda, Periquita
Preço: 5,90 €
Nota (0 a 10): 7,5
PS: O contra-rótulo menciona na composição as castas acima indicadas, sendo que actualmente se considera que a Periquita era a antiga designação da casta Castelão e João de Santarém era a mesma designação nas regiões de Ribatejo e Estremadura. Apesar desta incongruência, mantivemos a menção às designações indicadas na garrafa.
terça-feira, 8 de abril de 2014
No meu copo 375 - Casal da Azenha 2010
A região demarcada de Colares tem sido teimosamente resistente ao desaparecimento, um pouco à semelhança da micro-região do generoso de Carcavelos.
Em tempos idos, algumas décadas atrás, teve a sua época de notoriedade, mas a pouco e pouco estes vinhos produzidos paredes meias com a serra de Sintra foram-se tornando cada vez mais raros nas prateleiras. Praticamente dois nomes mantiveram a região afastada do completo esquecimento: a Adega Regional de Colares e António Bernardino Paulo da Silva, um produtor sediado em Azenhas do Mar. Nos últimos anos outros produtores (re)descobriram a região e começaram a apostar na produção de vinho no célebre chão de areia. Destacam-se a Fundação Oriente e o Casal de Santa Maria.
Na época em que se encontrava vinho de Colares à venda no comércio ou nos restaurantes, os vinhos da marca Paulo da Silva passaram pelas nossas mesas em variadíssimas ocasiões. Recentemente, na minha primeira visita à garrafeira Wines 9297, para provar o Quinta do Corujão, por entre conversas diversas e dispersas fiquei a saber que o próprio Paulo da Silva tinha por lá passado e deixou umas garrafas deste Casal da Azenha de 2010. Um vinho recente mas com um rótulo ainda a lembrar tempos antigos.
O preço era apelativo, e a garrafa também. Como não sabia se aquela era exemplar único, resolvi trazê-la e não me arrependi. Num jantar de bifes, apetecia-me abrir qualquer coisa para acompanhar a carne e a curiosidade de experimentar esta quase raridade fez com que a escolha recaísse precisamente neste exemplar de Colares. Sabe-se que os vinhos de Colares costumavam primar por alguma aspereza em novos, mas que depois de amaciados se tornavam extremamente elegantes. Era essa a memória que tínhamos dos antigos vinhos de Paulo da Silva, e confirmou-se. O vinho apresentou-se muito macio na boca, elegante e suave, com um aroma profundo e exuberante. Final de persistência média a mostrar taninos macios.
Acaba por ser um vinho que de alguma forma surpreende, dado que não sabemos muito bem o que esperar dele. Já há bastantes anos que não provava um tinto de Colares, sendo que o último não o fora nas melhores condições, pelo que não tinha sido uma boa aferição para os vinhos da região. Este reencontro agradou-me bastante, e já tratei de pedir a reserva de mais garrafas do mesmo.
Dos vinhos de Colares que se pode dizer o mesmo que temos vindo a repetir acerca do Dão e da Bairrada: ainda bem que continua a haver quem faça estes vinhos diferentes, clássicos, fora de moda, para podermos beber vinhos com personalidade, estrutura, persistência e aroma, e não apenas os maçadores, monótonos e já quase insuportáveis “vinhos da moda”.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Casal da Azenha 2010 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não indicadas
Preço: 4,90 €
Nota (0 a 10): 8
Em tempos idos, algumas décadas atrás, teve a sua época de notoriedade, mas a pouco e pouco estes vinhos produzidos paredes meias com a serra de Sintra foram-se tornando cada vez mais raros nas prateleiras. Praticamente dois nomes mantiveram a região afastada do completo esquecimento: a Adega Regional de Colares e António Bernardino Paulo da Silva, um produtor sediado em Azenhas do Mar. Nos últimos anos outros produtores (re)descobriram a região e começaram a apostar na produção de vinho no célebre chão de areia. Destacam-se a Fundação Oriente e o Casal de Santa Maria.
Na época em que se encontrava vinho de Colares à venda no comércio ou nos restaurantes, os vinhos da marca Paulo da Silva passaram pelas nossas mesas em variadíssimas ocasiões. Recentemente, na minha primeira visita à garrafeira Wines 9297, para provar o Quinta do Corujão, por entre conversas diversas e dispersas fiquei a saber que o próprio Paulo da Silva tinha por lá passado e deixou umas garrafas deste Casal da Azenha de 2010. Um vinho recente mas com um rótulo ainda a lembrar tempos antigos.
O preço era apelativo, e a garrafa também. Como não sabia se aquela era exemplar único, resolvi trazê-la e não me arrependi. Num jantar de bifes, apetecia-me abrir qualquer coisa para acompanhar a carne e a curiosidade de experimentar esta quase raridade fez com que a escolha recaísse precisamente neste exemplar de Colares. Sabe-se que os vinhos de Colares costumavam primar por alguma aspereza em novos, mas que depois de amaciados se tornavam extremamente elegantes. Era essa a memória que tínhamos dos antigos vinhos de Paulo da Silva, e confirmou-se. O vinho apresentou-se muito macio na boca, elegante e suave, com um aroma profundo e exuberante. Final de persistência média a mostrar taninos macios.
Acaba por ser um vinho que de alguma forma surpreende, dado que não sabemos muito bem o que esperar dele. Já há bastantes anos que não provava um tinto de Colares, sendo que o último não o fora nas melhores condições, pelo que não tinha sido uma boa aferição para os vinhos da região. Este reencontro agradou-me bastante, e já tratei de pedir a reserva de mais garrafas do mesmo.
Dos vinhos de Colares que se pode dizer o mesmo que temos vindo a repetir acerca do Dão e da Bairrada: ainda bem que continua a haver quem faça estes vinhos diferentes, clássicos, fora de moda, para podermos beber vinhos com personalidade, estrutura, persistência e aroma, e não apenas os maçadores, monótonos e já quase insuportáveis “vinhos da moda”.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Casal da Azenha 2010 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não indicadas
Preço: 4,90 €
Nota (0 a 10): 8
sexta-feira, 4 de abril de 2014
No meu copo 374 - Marquês de Marialva Reserva 2006
Segundo dados oficiais, a Adega Cooperativa de Cantanhede, fundada em 1954, é o maior produtor de vinho da Bairrada, com uma produção que representará 30 a 40% da produção global da região.
Os seus vinhos tintos com denominação DOC Bairrada, baseados na casta Baga, apresentam um perfil clássico e assentam em duas marcas de referência, o Conde de Cantanhede e o Marquês de Marialva. Posicionam-se habitualmente entre as gamas média e baixa de preços, conseguindo-se por valores bastantes acessíveis vinhos ainda assim agradáveis e fáceis de beber, mesmo para aqueles consumidores mais receosos em relação à adstringência da Baga.
Os exemplares que já aqui tivemos oportunidade de aqui descrever (ver a etiqueta AC Cantanhede na secção Contra-rótulos) confirmam esta tendência. Neste caso tratou-se dum exemplar adquirido em 2009, e que passados estes anos apresentou-se de perfeita saúde, amaciado pelo tempo mas com boa estrutura e aroma frutado ainda jovem, persistência média, cor rubi aberta e sem sinal de declínio.
Pelo preço que custa, é uma boa compra e um vinho que não deslustra dentro do padrão mais tradicional da região. É um dos que mantemos normalmente nas nossas escolhas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Marquês de Marialva Reserva 2006 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Baga (90%)
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 8
Os seus vinhos tintos com denominação DOC Bairrada, baseados na casta Baga, apresentam um perfil clássico e assentam em duas marcas de referência, o Conde de Cantanhede e o Marquês de Marialva. Posicionam-se habitualmente entre as gamas média e baixa de preços, conseguindo-se por valores bastantes acessíveis vinhos ainda assim agradáveis e fáceis de beber, mesmo para aqueles consumidores mais receosos em relação à adstringência da Baga.
Os exemplares que já aqui tivemos oportunidade de aqui descrever (ver a etiqueta AC Cantanhede na secção Contra-rótulos) confirmam esta tendência. Neste caso tratou-se dum exemplar adquirido em 2009, e que passados estes anos apresentou-se de perfeita saúde, amaciado pelo tempo mas com boa estrutura e aroma frutado ainda jovem, persistência média, cor rubi aberta e sem sinal de declínio.
Pelo preço que custa, é uma boa compra e um vinho que não deslustra dentro do padrão mais tradicional da região. É um dos que mantemos normalmente nas nossas escolhas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Marquês de Marialva Reserva 2006 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Baga (90%)
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 8
segunda-feira, 31 de março de 2014
No meu copo 373 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 2002
Depois dumas ensaboadelas dos chatíssimos, maçadores e monocórdicos “vinhos da moda”, de vez em quando sabe bem sair da modernidade e retomar os clássicos que repousam na garrafeira.
É o caso deste, uma referência incontornável nas nossas escolhas há muitos anos. Uma vez por ano, ou até mais espaçadamente, lá vamos abrindo uma ou duas garrafas para ver como ele está. Sabendo o risco que podemos correr em mantê-los tanto tempo guardados, a verdade é que na maior parte dos casos a espera compensa. E esta compensou, e de que maneira...
Desta vez houve o cuidado de decantar o vinho com cerca de uma hora de antecedência, colocá-lo na rua para arrefecer pois a temperatura interior estava algo elevada, e esperar pela hora de servir. Um dos aspectos que desde logo se notou foi a total ausência de qualquer depósito no fundo da garrafa, pelo que o vinho apresentou uma total limpidez após a decantação da totalidade do conteúdo.
Na cor, mostrou uma tonalidade granada não muito carregada, brilhante mas sem demasiados laivos de evolução, tão característicos pelo acastanhado que aparece na orla do vinho. Nada disso, nenhum sinal de envelhecimento precoce. O que cheirámos e provámos foi um vinho pleno de saúde, com um aroma tranquilo e profundo, um bouquet que se libertava lentamente, uma estrutura firme na boca mas com grande equilíbrio e macieza. Poderia estar ali para durar mais uns anos, mas mostrou estar num ponto óptimo de consumo.
Mais uma vez muito bem, não nos desiludiu e mostrou compensar a espera e as expectativas que nele sempre depositamos. Um clássico que vale sempre a pena revisitar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2002 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 12,99 € (adquirido em 2009 - este preço já não corresponde aos valores actuais)
Nota (0 a 10): 8,5
É o caso deste, uma referência incontornável nas nossas escolhas há muitos anos. Uma vez por ano, ou até mais espaçadamente, lá vamos abrindo uma ou duas garrafas para ver como ele está. Sabendo o risco que podemos correr em mantê-los tanto tempo guardados, a verdade é que na maior parte dos casos a espera compensa. E esta compensou, e de que maneira...
Desta vez houve o cuidado de decantar o vinho com cerca de uma hora de antecedência, colocá-lo na rua para arrefecer pois a temperatura interior estava algo elevada, e esperar pela hora de servir. Um dos aspectos que desde logo se notou foi a total ausência de qualquer depósito no fundo da garrafa, pelo que o vinho apresentou uma total limpidez após a decantação da totalidade do conteúdo.
Na cor, mostrou uma tonalidade granada não muito carregada, brilhante mas sem demasiados laivos de evolução, tão característicos pelo acastanhado que aparece na orla do vinho. Nada disso, nenhum sinal de envelhecimento precoce. O que cheirámos e provámos foi um vinho pleno de saúde, com um aroma tranquilo e profundo, um bouquet que se libertava lentamente, uma estrutura firme na boca mas com grande equilíbrio e macieza. Poderia estar ali para durar mais uns anos, mas mostrou estar num ponto óptimo de consumo.
Mais uma vez muito bem, não nos desiludiu e mostrou compensar a espera e as expectativas que nele sempre depositamos. Um clássico que vale sempre a pena revisitar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2002 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 12,99 € (adquirido em 2009 - este preço já não corresponde aos valores actuais)
Nota (0 a 10): 8,5
quinta-feira, 27 de março de 2014
No meu copo 372 - Cortes de Cima 2008; Aragonês 2005; Syrah 2008
Tendo em stock alguns vinhos deste produtor sediado na Vidigueira, escolhi uma ocasião em que fosse possível fazer uma prova comparada de várias garrafas. Estes estavam guardados há alguns anos, portanto com tempo para repousar e evoluir o suficiente para mostrar o que podem valer. De fora ficou um Homenagem a Hans Chrisitian Andersen 2007, para ocasião futura.
Em 2012 estive numa prova das Cortes de Cima na Delidelux, com 5 tintos e um branco, que no conjunto se mostrou um pouco decepcionante para aquilo que se esperava. É que este é, juntamente com o produtor referido no post anterior (Herdade da Malhadinha Nova), um dos produtores conceituados entre os mais modernos do Alentejo, sendo inclusive alvo de grandes encómios na imprensa especializada. A verdade é que, tal como aconteceu com a prova do Monte da Peceguina (e como já tinha acontecido noutra prova deste produtor também na Delidelux), começa a instalar-se em mim a sensação de que existem alguns produtores que caíram em graça, granjearam fama à sombra da qual cimentaram o nome, mas cujos produtos não o justificam. Começo a ter esta sensação também com as Cortes de Cima, depois de ter provado estes três vinhos, tendo confirmado esta mesma impressão numa recente prova na Wine O’Clock.
Não é minha intenção desmerecer o trabalho dos produtores e enólogos (quem sou eu, um amador, para o fazer?), mas enquanto consumidor que paga aquilo que prova, tenho direito à minha opinião que vai influenciar a minha decisão de compra...
Sobre estes três tintos há que dizer alguma coisa... O Cortes de Cima 2008, o standard da casa, digamos assim, pareceu um vinho normal. Equilibrado, medianamente estruturado e frutado, apresentou um fim de boca curto, aroma discreto e sem grande persistência.
Na posterior prova na Wine O’Clock, com a colheita de 2010, a sensação colhida foi a mesma. Tendo em conta que o preço de venda apresentado, 10,95 € (em feiras de vinhos consegue-se baixar 1 ou 2 euros), o pensamento que ocorre é algo como isto: por este preço, prefiro comprar um Casa de Santar Reserva, um Duas Quintas, um Vinha Grande, um Vila Santa ou um Casa Cadaval...
Seguiu-se a prova do Aragonês 2005. Este sim, mostrou um carácter alentejano, com boa estrutura e persistência, aroma exuberante e profundo, com predominância de frutos vermelhos e notas de especiarias. Na boca apresenta outra complexidade, com a fruta bem integrada numa estrutura de taninos firmes mas suaves. Envelhecido 7 meses em barricas de carvalho americano. Adquirido em 2010 a 9,98 €, o preço de referência apresentado na prova na Wine O’Clock para a colheita de 2011 vai para os 16,95 €! Aí já dá que pensar, porque estamos no patamar do Esporão Reserva... O mesmo se passa, aliás, com o Trincadeira 2011, também apresentado na mesma prova e com o mesmo preço. São os dois varietais que mais apresentam um carácter de Alentejo, embora me pareçam claramente inflacionados.
Finalmente, passámos ao Syrah 2008, também provado na Wine O’Clock com a colheita de 2011. E novamente a sensação repetiu-se nas duas ocasiões. Ao contrário dos grandes encómios do enólogo da casa, e ao contrário de alguns especialistas que apregoam o grande sucesso desta casta no Alentejo, este vinho pareceu-me, agora como antes na prova da Delidelux, linear, sem acidez, com pouca estrutura, chato... Poderia mesmo chamar-lhe uma verdadeira xaropada. E pelo preço que custa agora (o valor apresentado foi de 13,95 €), seguramente não voltarei a levá-lo para casa. Definitivamente, não é a referência para o Syrah em Portugal, apesar do grande sucesso do Incógnito que pôs o nome da casa nas bocas do mundo com base nesta casta. Mas essa será a excepção. Quando comparo este Syrah com o da Quinta do Monte d’Oiro, qualquer semelhança é mera coincidência.
Na Wine O’Clock pudemos ainda provar um Petit Verdot e um Homenagem a Hans Christian Andersen, também já provados na Delidelux, sendo o Petit Verdot o único verdadeiramente surpreendente e que promete um grande futuro em garrafa. Mas a 32,50 €, dificilmente entrarão na lista de compras, porque aqui estamos a falar de vinhos mais caros que o Quinta da Leda e o Duas Quintas Reserva...
Em resumo, o mercado manda, decide, e em função disso os produtores fazem os preços a que conseguem vender os seus vinhos. Mas há vinhos de certos produtores que me fazem lembrar aquela anedota que falava num restaurante de 2ª, com preços de 1ª e serviço de 3ª... É o que me parecem alguns dos novos produtores famosos do Alentejo...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Cortes de Cima
Vinho: Cortes de Cima 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Syrah, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Petit Verdot
Preço em feira de vinhos: 8,94 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Cortes de Cima, Aragonês 2005 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 9,98 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Cortes de Cima, Syrah 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 10,61 €
Nota (0 a 10): 5
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